Oba, então o GR Corolla finalmente vai chegar ao Reino Unido?
Infelizmente, não. Aquele “brinquedo” de inspiração no desporto motorizado com 300 cv continua a ser um sonho distante por aqui. O Corolla da foto é apenas a versão com pacote visual GR Sport e, apesar do emblema, não há melhorias dinâmicas de verdade: o que muda é o visual, com alguns itens assinados GR (botão de arranque, bancos, soleiras e afins) para dar um ar mais esportivo.
Mas antes de fechar a página por frustração, vale saber que houve outras novidades no universo Corolla que podem ter passado despercebidas. A principal é a estreia da quinta geração da tecnologia híbrida-elétrica da Toyota - e essa, sim, trouxe um ganho real de desempenho.
Tá, agora você chamou a minha atenção…
As opções de conjunto mecânico continuam a ser as versões híbridas 1,8 e 2,0 litros, só que agora elas entregam mais performance e mais eficiência. Isso veio de uma reformulação da unidade de controlo de potência e do motor elétrico, além de uma bateria de íons de lítio 14% mais potente e, ao mesmo tempo, 14% (18 kg) mais leve do que antes.
No 1,8 litro, a potência passou para 138 cv (mais 18 cv), o que reduziu em 1,8 s o tempo de 0–100 km/h, agora em 9,1 s. Já o sistema 2,0 litros sobe para 193 cv (mais 15 cv), com meio segundo a menos no 0–100 km/h, baixando para 7,4 s.
O conjunto também ficou mais eficiente do que nunca. As emissões de CO₂ partem de 100 g/km no 1,8 litro e 98 g/km no 2,0 litros, enquanto o consumo começa em 22,7 km/l (equivalente a 64,1 milhas por galão). No papel, é tudo bastante animador.
Isso é ótimo na ficha técnica, mas e na vida real?
Sem rodeios: o Corolla antigo com motor 1,8 litro era lento e pouco empolgante. A Toyota afirma ter recalibrado o acelerador, que antes era mais “linear”, para responder melhor ao comando do motorista e entregar potência de forma mais coerente. E, embora o novo ainda esteja longe do ritmo de um hatch esportivo, a melhora no 0–96 km/h é muito bem-vinda - especialmente ao entrar em autoestradas e em ultrapassagens.
Isso não significa, porém, que ele tenha ficado mais discreto quando você pisa fundo. Em grande parte por causa do câmbio CVT, que continua bem menos refinado do que, por exemplo, o do novo Honda Civic. Depois que embala, o ruído diminui de forma agradável, e chama a atenção a quantidade de tempo que dá para rodar em silêncio na cidade no modo EV. O painel ainda mostra (de um jeito prático e até viciante) quanto do trajeto foi feito só com o motor elétrico. O problema segue a ser justamente a “zona intermediária”, que ainda incomoda.
Em resumo, o Corolla continua a preferir uma condução com aceleração leve. Nessas condições, ele vira um companheiro bem simpático para viajar. Nosso teste coincidiu com uma viagem de casamento no fim de semana, levando quatro pessoas e toda a bagagem de Londres a Nottingham e de volta. Contra o consumo declarado de 21,3 km/l (equivalente a 60,1 mpg) da nossa versão GR Sport, obtivemos 17,6 km/l (equivalente a 49,8 mpg). E cerca de um quarto do percurso foi em modo elétrico - com a maior parte disso, convém dizer, enquanto ficávamos presos no trânsito da capital.
Isso parece meio apertado…
Tem vantagens em ser o motorista da vez - o seu conforto costuma virar prioridade. E, nos bancos esportivos de série do nosso GR Sport (com formato de “concha”), eu fiquei perfeitamente à vontade, apesar de medir 1,88 m. Quem foi no banco dianteiro também não reclamou.
Atrás, porém, você tem razão: até passageiros com menos de 1,83 m acharam o espaço um pouco limitado, e os bancos esportivos pioram isso por reduzirem a área para os joelhos. A mera ameaça de voltarem de comboio, de todo modo, foi suficiente para diminuir as queixas.
Também coube tudo no porta-malas, que é surpreendentemente generoso. Ainda assim, vale observar que o 1,8 litro (o nosso) oferece 361 litros, enquanto o 2,0 litros, por conta do motor maior, leva a bateria para baixo do piso do porta-malas e reduz o volume para 313 litros.
Mais alguma coisa que eu deva saber?
Dentro do pacote de atualizações de 2023, todas as versões passam a trazer um painel de instrumentos de 12,3 polegadas personalizável, com vários modos para alternar, além da mais recente central multimídia ‘Smart Connect’ de 10,5 polegadas como item de série - uma melhoria muito bem-vinda.
O sistema em si não é dos mais bonitos visualmente, mas é bem fácil de usar, com a ressalva da falta de comandos físicos. Pelo menos existe uma coluna útil de botões de atalho no lado esquerdo. E a Toyota foi sensata ao manter o painel do ar-condicionado separado - com botões e seletores giratórios. Aleluia.
De qualquer forma, a conectividade sem fio com Apple CarPlay e Android Auto finalmente passa a ser padrão em toda a gama. O mesmo vale para faróis em LED, bancos dianteiros aquecidos, ar-condicionado, carregamento por indução, câmara de ré e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, inclusive nas versões de entrada.
Quanto custa?
No Reino Unido, os preços do 1,8 litro começam em £30.210 (ou £31.955 para o 2,0 litros) na versão Icon, que é a de entrada. Para subir para a Design, some £570; depois, mais £1.210 para chegar à GR Sport; e mais £410 para a topo de linha Excel. Em leasing, o valor inicial fica em £420 por mês para o 1,8 litro, ou £490 por mês num contrato de três anos, com entrada de £3 mil.
Não há dúvida de que esta é a geração de Corolla mais bonita até hoje, e a GR Sport em particular chama bastante atenção. Ainda assim, apesar do ganho de desempenho ser muito bem-vindo, ele não consegue bater rivais como Ford Focus, Honda Civic e Volkswagen Golf quando o assunto é prazer ao volante.
Se você não exigir demais, porém, ele se mostra um carro familiar (compacto) eficiente nos custos e competente - o que não é pouca coisa num momento em que muita gente sente o orçamento mais apertado do que nunca.
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