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Citroen e-C4 X: avaliação completa

Carro SUV vermelho Citroën em estrada asfaltada com céu azul e nuvens ao fundo.

Hum, isso parece bem conhecido.

É bem provável que você tenha pensado no e-C4, o hatch familiar de cinco portas da Citroen com suspensão mais alta e proposta parecida. As diferenças só ficam claras quando os dois estão lado a lado: a letrinha a mais no emblema denuncia a traseira ligeiramente diferente do e-C4 X.

A Citroen posiciona o e-C4 X como um “fastback” - leia-se: um sedã - que, assim como o e-C4 (com o qual divide a plataforma CMP e o entre-eixos), preserva altura do solo, praticidade e um visual mais parrudo (repare nos apliques pretos) de um SUV.

Na frente e no perfil lateral, ele é praticamente um espelho do e-C4. Tirando o desenho do porta-malas, o que realmente o distingue são as lanternas traseiras de LED mais curvadas e o pequeno “bico” na tampa do porta-malas, ajudando a chegar a um coeficiente aerodinâmico de 0,29.

Dificilmente é uma revolução. O “e” quer dizer que é elétrico, certo?

Exatamente. A Citroen faz questão de destacar que o e-C4 foi o primeiro carro 100% elétrico da marca a ser lançado no Reino Unido. A oferta é simples: há apenas um conjunto mecânico, com motor elétrico de 100 kW (134 bhp) ligado a uma bateria de 50 kWh, prometendo até 222 milhas (cerca de 357 km) de autonomia.

Com um carregador rápido de 100 kW, a recarga de 0 a 80% leva 30 minutos. Já numa wallbox de 7 kW, uma carga completa demora aproximadamente 7,5 horas.

Qual é o seu diferencial?

A palavra-chave aqui é conforto. Hoje, é isso que mais separa os Citroen do resto, e o e-C4 X segue a mesma cartilha. É difícil algo tirá-lo do sério: buracos e lombadas são filtrados com calma e sem esforço.

E o tema se repete nos detalhes: os bancos Advanced Comfort recebem uma camada extra de 15 mm de espuma especial de “memória”, pensada para dar mais apoio. Já a solução de Suspensão Advanced Comfort usa duas “almofadas” hidráulicas junto de amortecedores e molas, no lugar de batentes mecânicos. O objetivo, claro, é suavizar a rodagem.

Na prática, funciona: dá para rodar por longas distâncias com total tranquilidade - seu corpo (e a sua bexiga) provavelmente desistem antes de aparecer qualquer sinal de cãibra. Isso, naturalmente, se a autonomia não acabar antes: com carga total, vimos 205 milhas (cerca de 330 km), e a nossa média foi de 4,0 mi/kWh (aprox. 6,4 km/kWh) num percurso de ida e volta de 70 milhas (cerca de 113 km).

Anotado. E ele junta conforto com desempenho?

Não muito. A Citroen fala em 0–62 mph em tranquilos 9,5 segundos (e isso ainda no modo Sport), com velocidade máxima de 93 mph. Sinceramente, não fica claro por que a Citroen se deu ao trabalho de incluir um modo Sport: você até pode ativá-lo de vez em quando, mas em 99% do tempo a tendência é deixar no Normal ou passar para o Eco quando precisar poupar autonomia.

É assim que o e-C4 X parece mais à vontade. Direção leve, aceleração lisa, freios um pouco esponjosos e a sensação de “flutuar” na rodagem não convidam a tocar o carro com animação. E tudo bem: a proposta aqui é reduzir o estresse do dia a dia, com cabine bem isolada e pouco ruído de rodagem/vento reforçando a sensação de harmonia. Pena não haver aletas para ajustar a regeneração, mas paciência.

Dá para “balançar um gato” lá dentro?

Tomara que você esteja falando no sentido figurado. De todo modo, sim: com 4,6 metros de comprimento, não falta espaço para as pernas na frente nem atrás. Além disso, no X os assentos ficam reclinados 27 graus mais para trás do que no e-C4, para maximizar o espaço para a cabeça - embora isso não seja algo que salte aos olhos.

Atrás, o porta-malas tem 510 litros (no e-C4 são 310 litros) e ainda há um compartimento sob o assoalho para guardar cabos de recarga sujos. Só que o piso é de peça única; então, se você colocou algo pesado ali, acessar os cabos vira um incômodo.

As versões topo de linha também trazem uma abertura para esquis, que facilita o acesso à área traseira e o transporte de objetos mais compridos. Pela cabine, há mais 33 litros de nichos e porta-objetos para guardar miudezas, além de um suporte retrátil para tablet integrado ao painel - um pouco “gadget”, bem específico.

E a tecnologia, como é?

O e-C4 X recebe a interface multimídia mais recente da Citroen, o MyCitroen Drive Plus, com tela central panorâmica de 10 polegadas em alta definição. Visualmente, é bem apresentado, mas o sistema em si é irritante de operar. Pelo menos, ele aproveita toda a área da tela - ao contrário do e-C4, que deixava as temperaturas do ar-condicionado fixas numa faixa lateral. Disseram-nos que isso também será mudado no modelo menor. Ufa.

Por falar em acerto, abaixo da tela a Citroen manteve, felizmente, um painel físico do ar-condicionado, com botões e comandos dedicados para a climatização e para os bancos aquecidos; e o volante também traz teclas físicas.

Ainda assim, o quadro de instrumentos de 5,5 polegadas parece simples demais, com velocímetro digital e um layout de modo único. Em compensação, o HUD (de série a partir das versões intermediárias) é tão bom quanto qualquer um que já testámos. Vale citar também que há até quatro portas USB (e carregador por indução, se escolhido como opcional): duas no console central inferior e duas no console traseiro para quem vai no banco de trás.

Quanto custa?

Os preços começam em £31,995 na versão de entrada Sense, sobem para £33,995 na intermediária Shine e chegam a £34,495 na topo Shine Plus - que, ao menos na configuração básica, fica equivalente ao e-C4 “sem X”. No financiamento mensal, a Citroen fala em £329, £369 ou £399 num contrato de quatro anos com franquia de 6.000 milhas por ano (cerca de 9.656 km), via o próprio programa da marca.

De série, o Sense traz rodas de liga leve de 18 polegadas, entrada e partida sem chave, além de uma central multimídia de 10 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. O Shine acrescenta HUD, câmera de ré, faróis com comutação automática inteligente de facho, volante aquecido e pacote de segurança mais completo. Por fim, o Shine Plus destaca bancos aquecidos em Alcantara, apoio de braço traseiro central rebatível com porta-copos, a indispensável abertura para esquis e controle de cruzeiro adaptativo.

Devo comprar um?

O Citroen e-C4 X é simples de conduzir, confortável, silencioso e, no visual, entrega algo um pouco fora do óbvio perante os rivais. Nesse grupo entram modelos como o MG4, o (já bem antigo) Nissan Leaf e também crossovers compactos relacionados dentro da Stellantis, como o Peugeot e-2008 e o Vauxhall Mokka Electric. Mesma plataforma e o mesmo conjunto mecânico, não esqueça.

A Citroen merece crédito por manter o preço inicial igual ao do e-C4 sem o “X”, embora ele ainda não seja a opção mais barata em nenhum dos segmentos em que tenta atuar. Também não é o que oferece maior autonomia. Ainda assim, se você gostar do desenho e quiser, acima de tudo, rodar com conforto, é fácil defender este modelo frente a outros carros CMP da Stellantis.

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