Eu não achava que a Volkswagen já tinha revelado uma versão campervan do Buzz?
Você está certo em pensar isso. A Volkswagen vem indo com calma no projeto do ID. Buzz. O conceito apareceu pela primeira vez no começo de 2017, mas só em março de 2022 a versão de produção foi finalmente apresentada ao público.
Pouco depois, chegou o furgão Cargo; e, em junho de 2023, foi a vez de a marca tirar o pano da versão de entre-eixos longo com sete lugares. Ainda não vimos, porém, a variação GTX confirmada - que sabemos que terá dois motores, tração integral e 334 bhp - e, talvez mais importante, seguimos sem um ID. Buzz California campervan “de verdade”.
Então, o que é isso que eu estou vendo?
Aqui, o que aparece é um ID. Buzz campervan - mas que nasceu como um ID. Buzz Cargo e só depois foi transformado em “casa sobre rodas” pela Love Campers, empresa do condado de East Sussex, no sul da Inglaterra. Curiosidade: ele foi, de fato, o primeiro Buzz com cama disponível para aluguel no Reino Unido pela Wild Drives (empresa de locação de campers elétricos), embora já tenha sido vendido desde então, enquanto a companhia renova a frota.
Entendi. E o que foi feito na conversão?
Muita coisa. Na frente, a experiência é praticamente a “mesmice do Buzz” (desculpe): painel de plástico preto do Cargo padrão, piso emborrachado e a central multimídia um tanto lenta. Já atrás, entram um leito de ripas extensível que economiza espaço, uma mini-cozinha, piso laminado e um teto em bambu. Lá em cima também há painéis solares, que alimentam uma bateria auxiliar (de lazer) de lítio de 200 Ah.
Só que não existe teto elevatório (pop-top). O motivo é que - em comparação com algo como o VW Transporter - ainda não há, para o Buzz, o mesmo catálogo de peças prontas e com testes de colisão, “de prateleira”, que os conversores de camper costumam usar.
Ainda assim, a Love Campers fala em um prazo de quatro semanas para transformar um Cargo em campervan. Nada mal.
Quantas pessoas dormem nela?
Boa pergunta. Este Buzz de entre-eixos curto é menor do que um Transporter, mas maior do que um Caddy de entre-eixos longo - dois nomes bem tradicionais no mercado de conversões. Ele também vem com a opção de dois assentos na frente, o que ajuda bastante, porque o máximo que você consegue é apertar duas pessoas na cama de casal pequena. Se você tivesse o banco dianteiro para três, seria o caso de tirar no palito para decidir qual azarado iria dormir do lado de fora, numa barraca.
A própria cama, porém, impressiona pela praticidade: monta e desmonta com muita facilidade, e ainda sobra um bom espaço de armazenamento embaixo.
É uma área de convivência confortável?
Sem o pop-top, não dá para ficar em pé dentro do Buzz. E, como a bateria de tração fica sob o assoalho, também não existe exatamente uma grande folga para a cabeça quando você está sentado no banco de trás. Suportes giratórios para os bancos dianteiros e um toldo externo fariam uma diferença enorme, mas, do jeito que está hoje, provavelmente valeria esperar uma versão de entre-eixos longo só para ganhar um pouco mais de espaço.
Mesmo assim, para acampar fora da rede (off-grid) está tudo ali, e, num dia bom, os painéis solares de 110 W mantêm a bateria auxiliar carregada com tranquilidade.
Que equipamentos ela traz?
Na área de convivência, você conta com iluminação em LED e várias tomadas USB e de três pinos. Na cozinha, há uma geladeira de bom tamanho, um cooktop por indução que funciona via inversor (ou seja, sem necessidade de gás) e uma pia com reservatório de água de 20 litros.
Tudo isso mexe na minha autonomia?
Não. A bateria de tração de 77 kWh do Buzz fica intacta; todos os itens extras funcionam apenas com a bateria auxiliar. Com o peso adicional a bordo, é pouco provável que você alcance os 412 km do ciclo WLTP, mas dá para esperar pelo menos 322 km com uma carga - um número bem acima do que se vê na maioria das conversões 100% elétricas.
Além disso, você ainda aproveita a recarga rápida em corrente contínua (DC) de 170 kW do Buzz: para ir de cinco a 80 por cento, bastam 30 minutos, desde que você encontre o carregador adequado.
A conversão muda como ela dirige?
Dá para perceber o peso extra quando você tenta reduzir a velocidade, sem dúvida. Mas, em um elétrico, o seu jeito de conduzir acaba mudando de qualquer forma: você passa a desacelerar de modo mais progressivo e usa a regeneração, em vez de depender apenas do atrito de pastilha e disco.
E, com 204 bhp empurrando as rodas traseiras, torque instantâneo sempre à disposição e o tempo padrão de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos, dá para acompanhar o trânsito e até fazer ultrapassagens. Para campervan, é um outro mundo.
Mais alguma coisa que eu precise saber?
Se você estiver pensando em converter um ID. Buzz em campervan, prepare-se para chamar muita atenção. Estacione no seu lugar e você vai ver uma fila constante de donos de Transporter querendo fazer perguntas e dar uma olhada por dentro. E vale lembrar: o Buzz continua com um visual fantástico, mesmo na especificação Cargo mais básica.
Vans elétricas também funcionam muito bem como campervans: há torque de sobra para disfarçar o peso de cozinha, cama e um monte de equipamentos de camping, além da possibilidade de usar os sistemas de aquecimento do próprio carro sem deixar um motor funcionando em marcha lenta. E, enquanto carrega, dá até para aproveitar e colocar a chaleira para funcionar e fazer um café rápido.
Se fosse para converter o nosso próprio VW da nova era, a escolha seria esperar um Buzz maior ou incluir um teto elevatório de verdade, para ganhar mais espaço de viver e dormir. Mesmo assim, é uma boa notícia para as empresas de conversão que o Buzz Cargo ofereça uma base bem competente para começar. Talvez nem seja preciso esperar pelo California totalmente elétrico da VW, afinal.
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