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Nissan Z Nismo: vale $66,085?

Carro esportivo vermelho em curva de estrada sinuosa cercada por árvores e pedras.

O quê é isso, um Nissan Z mais potente?

É isso mesmo. Só que, para ser sincero, o ganho de potência não é o grande chamariz. A Nissan trabalhou a aerodinâmica do cupê Z, colocou um monte de componentes novos no chassi e instalou um conjunto de pneus realmente largo e bem grudado no chão. O pacote final corrige vários dos problemas do Z “comum”. Existe apenas um detalhe (bem) chato: ele custa um absurdo.

Caro? Quão caro?

Tipo… caro de $66,085, já contando a taxa obrigatória de entrega da Nissan, de $1,095. Isso representa $12,780 a mais do que o Nissan Z Performance, que fica um degrau abaixo, e nada menos que $22,780 acima do Z Sport de entrada. Também sai mais caro do que praticamente todos os principais rivais do Z Nismo, incluindo o BMW M2 ($64,195), o Ford Mustang Dark Horse ($60,865) e o Toyota GR Supra 3.0 ($58,745). E, para piorar, ele encosta no preço do Corvette de motor central da Chevrolet.

Mas talvez você não esteja nem aí para nenhum desses carros. Tudo bem. Dá para enxergar esse valor “de doer” por outro ângulo: o último ano-modelo do Nissan 370Z Nismo da geração anterior foi 2020 e, naquela época, um exemplar completo, com câmbio automático, saía por $48,085 já com destino incluído. O novo realmente entrega $18,000 a mais em carro?

Ei, eu faço as perguntas por aqui. Mas antes: ficha técnica. Manda.

Com turbos recalibrados e arrefecimento melhorado, o V6 3,0 litros biturbo do Z, na configuração Nismo, ganha 20hp e 34lb ft de torque extras, chegando a 420hp e 384lb ft (aprox. 521 N·m). A Nissan não divulga um tempo oficial de 0 a 60mph (0 a 96 km/h) para o Nismo - nem para qualquer Z, aliás -, mas testes independentes colocam o Z Performance na casa dos quatro segundos baixos. Como o Nismo não é muito mais forte, não imagino uma diferença enorme na arrancada. Ainda por cima, ele carrega cerca de 100 pounds (aprox. 45 kg) a mais.

No chassi, a Nissan instalou novos amortecedores e elevou as taxas de mola. O cupê usa pneus Dunlop SP Sport Maxx mais largos, montados em rodas Rays de 19 polegadas (48,3 cm). Freios maiores e pastilhas mais robustas ajudam o Z a reduzir velocidade com facilidade, e a carroceria mais rígida evita que a dianteira “mergulhe” demais quando você freia forte e tarde na entrada de uma curva.

Espera aí, o Z Nismo não vem só com câmbio automático?

Vem, sim - o mesmo automático de nove marchas presente nas outras versões do Z. A Nissan afirma que a transmissão recalibrada faz reduções mais rápidas, e isso é verdade, mas esse câmbio de nove marchas também costuma segurar a marcha por tempo demais nos modos de condução Sport e Sport+, o que irrita quando você só quer curtir uma estrada sinuosa com calma.

As aletas atrás do volante são item de série, porém são pequenas e não dão tanta satisfação ao usar. Para completar, a transmissão demora para responder aos comandos, então não existe um “prêmio” real por trocar manualmente. Na prática, é melhor deixar tudo no modo totalmente automático - o que é uma decepção.

E por que não há câmbio manual? A Nissan diz que é para garantir aceleração mais rápida e voltas mais velozes. Por mais preguiçoso que pareça, o automático de nove marchas troca mais rápido do que uma pessoa usando embreagem e alavanca. Só que o nível de envolvimento ao volante despenca. M2, Mustang e Supra oferecem câmbio manual. A decisão da Nissan de cortar essa opção é, no mínimo, amarga.

O interior muda em alguma coisa?

Não muito, tirando os bancos Recaro mais caprichados, com ajustes manuais e que, de fato, são bem confortáveis. O Nismo mantém a mesma central multimídia de 9 polegadas (22,9 cm) dos outros Z, com o software de infotainment já meio datado da Nissan. Pelo menos Apple CarPlay e Android Auto funcionam sem fio - ponto positivo.

Depois de um dia rodando pelo norte da Califórnia, a principal impressão da cabine do Z é que ela é barulhenta - desculpa, MUITO barulhenta. O aumento do ruído dos pneus aparece com força e, embora eu goste do fato de a Nissan ter destacado o som do escape, ele tende a ficar “zumbindo” em velocidade de rodovia. Em uma viagem longa, você vai querer aumentar o volume do som para abafar tudo.

Então o novo Z Nismo é mesmo $18,000 melhor do que o antigo?

Eu, sinceramente, não acho. Isso não quer dizer que o novo Z Nismo seja ruim. Andando com ele em sequência com um Z Performance no Sonoma Raceway, no norte da Califórnia, as mudanças ficam claras. O Nismo contorna curvas com menos inclinação e os pneus entregam um nível enorme de aderência. Ele também soa melhor do que o carro básico, e os Recaro de série impedem que o tronco fique balançando.

O problema é que a direção continua pedindo ajustes: é leve demais e passa pouca informação para um carro desse tipo. O conjunto também beira o rígido demais para encarar o Z Nismo como carro do dia a dia e, assim como no modelo de base, não há amortecedores adaptativos disponíveis.

Quem deveria comprar um?

Os fiéis do Z - e basicamente só. O Nismo tem visual agressivo, um som legal e muita presença. Eu não consigo me ver escolhendo um desses no lugar de um M2, e de jeito nenhum eu compraria um em vez de um Acura Integra Type S ou um Honda Civic Type R, que são mais funcionais e, de longe, muito melhores de guiar. Mas, se você já gosta do novo Z, é provável que fique empolgado com o Nismo. Eu só queria que esse carro fosse mais fácil de recomendar para mais gente.

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