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Teste do Jaguar XE: primeiras impressões

Carro sedã branco em alta velocidade em estrada cercada por vegetação e rochas.

O que é isso, afinal?

É o Jaguar XE - vencedor informal do prémio de lançamento mais longo e “a conta-gotas” da história do mundo automóvel.

Ao longo do caminho, já vimos imagens-teaser, fotos de motores, uma apresentação estática (e um musical maluco no West End), estreia em salão do automóvel e, lá em janeiro, uma volta com um protótipo de pré-produção. Ainda sobrou algo para dizer - ou para descobrir?

Então, ainda há novidade?

Com certeza. Afinal, aqueles protótipos eram carros bem iniciais e, por mais promissores que parecessem, a Jaguar garante que o diesel um pouco rabugento e as falhas de qualidade que notámos três meses atrás foram eliminados.

Agora guiámos o carro “de verdade”, incluindo o primeiro contato com o quatro-cilindros 2,0 litros turbo de 237bhp e um período mais longo ao volante do diesel de 178bhp. E, sim: eles acertaram em cheio.

Convém lembrar o ponto central: o Jaguar XE é uma raridade hoje em dia - um projeto genuinamente novo, do zero, tanto em design como em engenharia. Não há nada reaproveitado, reiniciado ou apenas reestilizado: é uma plataforma inédita com 75 por cento de alumínio, motores novos e uma suspensão traseira multilink igualmente nova, capaz de lidar com cargas verticais e laterais sem se descompor nem por um segundo.

Para sustentar o XE, foi preciso uma fábrica nova e a criação de muitos empregos - ou seja, existe bastante coisa em jogo. Entre elas, a credibilidade da Jaguar e a ambição de virar uma concorrente de verdade, e não apenas um “coadjuvante” simpático porém provincial no palco global.

Duas palavras: BMW e Mercedes

Se você mergulhar nos números - aquela parte entediante que deixa gestores de frota e contabilistas empolgados - vai perceber que o XE constrói um argumento forte como carro de empresa, com emissões líderes da categoria, bons valores residuais e classificações de seguro competitivas.

Mas quem tem um 3-Series ou um C-Class e pensa em trocar precisa saber o seguinte: com base no que o TG.com acabou de conduzir no Jaguar XE 3.0 S, achamos que ele é o melhor “pacote completo” do segmento pelos critérios que mais valorizamos: diversão ao volante.

Ao volante do Jaguar XE: chassi e direção

O trajeto de teste, na região de Navarra, no norte de Espanha, foi um espetáculo - com ecos curiosos das estradas do Reino Unido que conhecemos e adoramos, só que sem trânsito e sem palhaçada, porque aparentemente ninguém mora por lá.

A quarta e a quinta marcha do câmbio automático ZF de oito velocidades, macio como seda, resolvem tudo com facilidade, tamanha é a flexibilidade em médias rotações do V6 3,0 litros - mesmo em curvas fechadas do tipo “cotovelo”.

O XE segura a tendência ao subesterço, oferece um equilíbrio impecável no meio da curva e traz uma direção elétrica que é, sem exagero, a melhor que experimentámos até agora. Com amortecedores adaptativos, ele filtra o piso com elegância e, ao mesmo tempo, consegue ser ágil, confortável e controlado.

Em suma, este novo acerto de chassi é de nível mundial e simplesmente ignora o que você atira contra ele. Que venha o SVR de 500bhp…

E os motores?

O turbo 2,0 litros de 237bhp (há também uma versão de 197bhp) tem tudo para ser a escolha mais interessante da gama. O som não é particularmente inspirador e ele pode ficar mais “falador” quando esticado. Em compensação, é suave e tão refinado em velocidade constante de autoestrada que chega a passar despercebido.

Nas versões com suspensão passiva em acerto de Conforto ou Esporte, o XE transmite aquela sensação “oleada”, de engenharia bem amarrada, que antes era o principal diferencial do 3-Series. A equipa da Jaguar usa uma métrica pouco científica, porém útil, de "sensação dos 50 metros", e o XE crava isso com precisão. Os pesos de todos os comandos estão no ponto.

Também conduzimos o diesel Ingenium de 178bhp, com caixa manual, tanto em Conforto como em Esporte. O nível de refinamento melhorou e, embora a nossa preferência seja pelo automático (é uma opção de £1750 neste modelo), o câmbio manual cumpre bem. Você precisa trabalhar mais para libertar o lado “sedã esportivo”, mas ele continua lá - com certeza.

Há algo de que você não goste?

Não muita coisa, para ser honesto. O desenho externo é daqueles que crescem com o tempo: com postura de cabine avançada, balanços curtos e grafismos fortes, o conjunto parece mais bem resolvido do que o BMW superestilizado e o C-Class com aparência um pouco “gordinha”.

Por outro lado, o interior deixa uma pequena frustração. Ele é limpo e funcional, e dá para ver que houve dedicação no sistema de infotainment, que suporta todo tipo de aplicações como manda a cartilha atual. A haste do pisca é ótima ao toque.

Só que o GPS, nas nossas várias voltas, foi assustadoramente propenso a falhas, e alguns plásticos internos lembram um Albert Steptoe. O XE também é claramente sensível à configuração: vale ficar de olho nas combinações de cor e acabamentos escondidas no configurador online que prendem a Jaguar a um passado pouco saudoso de clube de boliche.

Então… vale comprar?

O XE tem presença de estrela, sem dúvida, e isso é um bom sinal para o novo XF e para o F-Pace.

A imprensa britânica costuma ser acusada de defender demais “as nossas” marcas - seja lá o que isso quer dizer em 2015 -, mas o XE não é apenas uma alternativa curiosa: ele é, diretamente, um carrão. Já desconfiávamos disso em janeiro; agora temos certeza.

Os preços começam em £26,995 para o 2,0 litros SE a gasolina e em £29,775 para o diesel de 161bhp.

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