Ah, o Mini John Cooper Works. Bem “Cooper”, não?
Nem tanto. O nome completo, na prática, é Mini John Cooper Works - e, para um carro pequeno, continua a ser um nome enorme. Ainda assim, faz sentido: este é o Mini de produção mais potente de todos.
Motor e desempenho do Mini John Cooper Works
Potente quanto?
O motor vem da nova família 2,0 litros da BMW, a mesma base usada no Cooper S atual. Como os Minis anteriores não passavam de 1,6 litro, ele já larga com vantagem. No caso do JCW, o turbo e os pistões são específicos, há um intercooler maior e também um sistema de refrigeração a água mais eficiente. O escape é mais “gordo” e oferece menos restrição em grande parte do percurso. Ou seja: não é apenas um remapeamento simples. O resultado final são 231 cv e 320 Nm (equivalentes aos 236 lb ft originais) num carro com apenas 1205 kg.
E o que esses números dizem na prática?
O motor é excelente. A primeira impressão - e a que fica - vem do som: um barítono afiado que provoca quando se acelera e sossega quando se mantém velocidade de cruzeiro. O atraso do turbo não chega a incomodar, mas o corte é dececionantemente baixo, a 6500 rpm - e isso fica ainda mais frustrante com um conta-giros absurdamente pequeno. Daí a importância do ronco do escape: é o ouvido que acaba a “medir” a rotação. Mesmo assim, é bem provável que você troque de marcha antes do limite, porque o binário em rotações médias é muito farto.
Mais números, então.
Segundo a Mini, ele faz 0–100 km/h em 6,3 segundos. Com a caixa automática opcional de seis marchas (a que eu testei), as trocas são mais rápidas e há controle de largada; com isso, o tempo cai para uns impressionantes 6,1 segundos. O câmbio automático também reduz um quase inacreditável total de 22 g/km no CO₂, baixando de 155 g/km (manual) para 133 g/km (automático). Em consumo, isso equivale a 42,2 mpg no manual e 49,6 mpg no automático - cerca de 14,9 km/l e 17,6 km/l, respetivamente. No mundo real, é difícil acreditar que a diferença seja tão grande.
Travões e chassis
E para parar?
Sim, ele ganhou travões novos e enormes, com dutos de ventilação dedicados na frente do carro. A sensação ao pedal é excelente: muita força, progressividade e, claro, resistência a fading mesmo em pista - onde eu dei algumas voltas bem felizes.
E a base toda?
Fora os travões, não há um abismo em relação ao Cooper S. As taxas de mola e amortecedor são as mesmas do opcional de chassis desportivo do Cooper S. E isso quer dizer firmeza. Fica mais evidente se você escolher o upgrade de rodas de 17 para 18 polegadas (aprox. 43,2 cm para 45,7 cm), que vem no pacote Chilli. Com esse conjunto, eu escolheria o opcional de amortecedores adaptativos - um achado por £240.
Com os amortecedores no modo Sport, ele vira um devorador de irregularidades em estradas onduladas, firme demais. Já no modo normal, ele arredonda as arestas e permite encarar piso esburacado com vontade. O Sport faz mais sentido em asfalto liso e em track days. De qualquer forma, como carro de estrada ele é extremamente arremessável e ágil.
Apesar do motor forte, ele encontra tração razoavelmente bem, sem grande esterço por torque. Eu só gostaria de um pouco mais de ataque inicial na direção - mas provavelmente isso teria um preço em forma de mais rebate no volante. No fim, fazer curvas é pura diversão. O sistema DSC deixa o carro “dançar” um bom bocado antes de interferir, e este é mesmo um hatch que gosta de se mexer e empurrar a traseira para fora, à la Fiesta ST. E o tempo todo dá para sentir exatamente o que está a acontecer.
Como identificar o JCW
Como eu reconheço o JCW?
Os conjuntos de para-choque e avental dianteiro e traseiro são completamente novos. Na frente, as entradas de ar são grandes - e, por consequência, não sobra espaço para faróis de neblina. Em compensação, ele traz de série faróis LED, além dos anéis de luz diurna. Na traseira, o avental inferior parece formar um difusor ao redor das duas ponteiras centrais, embora não exista qualquer afirmação de que isso funcione de facto como um. As saias laterais e o spoiler de teto também são exclusivos. Por dentro, há bancos com excelente apoio, com acabamento tipo camurça, e - como seria de esperar - muitos detalhes em vermelho e emblemas JCW.
Preço e opções
E o dinheiro?
Ele começa em £23.050. Para um carro tão pequeno, é caro; mas, considerando desempenho, diversão e o nível de engenharia por trás, não soa como ganância pura. E dá para apostar que os compradores vão se esbaldar na lista de opcionais: dois níveis de navegação, HUD (head-up display), assistentes de condução, sistema de som mais sofisticado, acabamentos e pintura. É um carrinho especial - mas nós não gastaríamos muito mais do que isso nele.
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