Por que falar do Infiniti QX80?
Meu Deus, que carro é esse?
Um Infiniti QX80 - o SUV mais grande e mais pesado que a Infiniti oferece nos Estados Unidos. É o tipo de veículo que não vai aparecer no Reino Unido.
Então… por que mexer com isso?
Por dois motivos: primeiro, para mostrar como a Infiniti consegue ir bem além do que se vê na Europa; segundo, porque a oportunidade literalmente caiu no meu colo.
Pegando o carro no aeroporto de Atlanta
Caiu no seu colo onde?
No aeroporto de Atlanta. Eu e o fotógrafo Greg Pajo tínhamos voado para os EUA para ver o Nissan GT-R LM em ação. No balcão da locadora, me ofereceram um “upgrade”. Custava $10 por dia e a atendente explicou que, por ser uma época tranquila, isso basicamente me deixava escolher o que eu quisesse quando chegasse ao parque de carros. Só essa liberdade já valia os dez dólares diários.
E por que justamente o QX80?
A gente tinha acabado de sair de um voo longo e ainda encararia três horas de estrada à noite. Eu queria conforto, GPS e um motor que não exigisse esforço. Dei uma volta olhando as opções e, como o QX80 era uma das coisas mais enormes por ali, era difícil ignorar. Além disso, tinha um visual esquisito que despertou curiosidade. E era novo - muito novo. Só 60 milhas (cerca de 97 km) no odómetro.
Para completar, vinha com um V8 de 5,6 litros e 400bhp, câmbio automático de sete marchas e uma cabine alta, daquelas em que você quase precisa se içar para entrar, como num caminhão grandalhão.
Na estrada: facilidade, comandos e o primeiro contacto
Pelo menos levou vocês ao destino sem drama?
Levou, sim. O GPS foi simples de configurar depois que percebi que o seletor rotativo com cara de “central multimédia”, logo atrás da alavanca do câmbio, não tinha absolutamente nada a ver com o ecrã táctil - ele servia apenas para funções de tração 4x4. Colocar em Drive foi ainda mais fácil do que destravar o travão de mão acionado com o pé.
Depois disso, mal liguei para os detalhes: era tarde, e eu e o Greg estávamos ocupados falando do carro LMP1 da Nissan, da casa dele (cheia de correntes de ar) e dos meus filhos endiabrados. Só no dia seguinte eu prestei atenção de verdade.
Dinâmica: quando a base do Nissan Patrol aparece
E aí…?
Aí a coisa complicou. Apesar do visual imponente, com um ar “georgiano” meio de faz de conta, por baixo o QX80 é, na essência, um Nissan Patrol. Sim, com 400bhp ele tem força suficiente, e o câmbio trabalha de forma suave e rápida o bastante. Só que o Patrol é um utilitário “bruto e pronto para o trabalho”, e aqui a proposta é soar muito mais refinada.
Ele até esconde o pior das manias ruins em asfalto, mas a direção é lenta demais para parecer esperta, e basta encontrar piso irregular para a suspensão começar a tremer e sacudir. Dá para sentir as origens agrícolas voltando para assombrar o conjunto. Não é um Range Rover - nem perto.
Equipamentos, espaço e detalhes que cansam
Tem um “mas…” nessa história, não tem?
Tem. Para mim, o carro saiu por £30 por dia - e eu podia devolvê-lo depois de três dias. Além disso, nos EUA ele custa $63,250, o que dá algo como £43,125: mais ou menos o preço de um Land Rover Discovery Sport com tudo, só que o Discovery Sport não chega perto de vir tão recheado quanto o Infiniti - e nem tão grande.
E o que ele traz de equipamento?
Tinha de tudo: piloto automático adaptativo por radar, bancos ventilados e uma terceira fila que se recolhe eletricamente para liberar espaço. O problema é que esse movimento elétrico é muito lento - irritantemente lento -, embora seja elétrico. O mesmo vale para a tampa traseira.
Na prática, o ritual de “aperta o botão e espera” dava tanto trabalho que acabámos colocando a maior parte das malas mesmo sobre os bancos traseiros. As portas traseiras, pelo menos, abriam de modo manual. E, honestamente, ali parecia ser o melhor lugar para viajar: duas poltronas enormes separadas por um console gigantesco.
Por dentro, há um espaço realmente enorme e os assentos são confortáveis, mas - como no exterior - existe uma sensação constante de artificialidade. O couro é daquele tipo perfeito demais, brilhante demais, e eu jurava que as lâminas de madeira com verniz duvidoso tinham ficado nos anos 90. Pelo visto, não.
Visual, consumo e a identidade da marca no QX80
Mais alguma coisa para contar?
Em termos de aparência, é o carro que o bom gosto esqueceu. Olhe para a frente dele - só olhe. É o tipo de coisa que tira o apetite.
Dito isso, ele vai bem nas Interstates: devora quilómetros em marchas altas e com pouca rotação. Mesmo assim, só fez 23mpg (com a conversão para galão do Reino Unido; cerca de 12,3 L/100 km).
Eu até entendo por que as pessoas compram um: por fora, ele parece mais do que realmente é. Só que, como carro, é uma fachada - não há profundidade, nem personalidade, nem traços intrínsecos e identificáveis de “ser Infiniti”. Eles fizeram um trabalho decente ao “embelezar” um Patrol para que a maioria não perceba (ou não se importe) com a origem, mas isso não me ajuda a entender o que a Infiniti é, nem o que ela representa. Até agora, “Nissan de luxo” continua sendo o máximo que eu consigo extrair daqui.
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