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Mini Clubman: primeiras impressões

Carro Mini Cooper marrom estacionado em rua de paralelepípedo com prédios antigos ao fundo.

O que é o Mini Clubman?

O que é isso?

Ele é bem mais do que um Mini alongado em formato perua. O novo Clubman representa uma virada importante na forma como a Mini enxerga a própria gama - e, principalmente, em como esses carros passam a ser construídos.

Plataforma e dimensões: BMW ‘UKL2’ e a mudança de rumo da Mini Clubman

Por quê?

Debaixo da carroçaria, o novo Clubman não é um Mini no sentido tradicional - e isso não é uma crítica ao crescimento, que é real: são 270 mm a mais de comprimento do que até mesmo um Mini de cinco portas.

O dado decisivo, porém, é a largura extra de 30 mm. Ela só foi possível porque o Clubman passou a usar a base ‘UKL2’ da BMW. Por trás do visual retrô, o que existe aqui é, na prática, um BMW Série 2 Active Tourer.

Não teria sido mais simples esticar o Mini normal e fazer algo como um entre-eixos longo?

A questão é que a Mini quer, com urgência, se livrar da ideia de que um Mini - apesar do nome - precisa ser pequeno. Se a reinterpretação do clássico carrinho urbano britânico feita pela BMW continuar a encher o caixa de Munique, a marca precisa vender mais unidades de modelos maiores e mais rentáveis.

A ambição não é só disputar espaço com Audi A1 e Fiat 500: VW Golf, Ford Focus e até peruas compactas também entram na mira. E dizem que o próximo Countryman vai reforçar isso de vez, com proporções de SUV de verdade.

Voltando ao Clubman: agora ele tem quatro portas de passageiro de verdade, abandonando a estranha ‘Clubdoor’ da geração anterior, que no mercado “de mão inglesa” da Mini abria para o lado do tráfego.

O aumento de medidas também ajudou no desenho: a dianteira parece menos “pesada”, já que os elementos têm mais espaço para se espalhar.

Interior do Mini Clubman: painel novo e console central

E por dentro?

Da mesma forma, a cabine não foi simplesmente copiada de um Mini padrão - afinal, ela ficaria estreita demais para a carroçaria mais larga. Os comandos mantêm aquele ar simpático característico, mas existe uma arquitetura de painel totalmente nova, envolvente.

E há um marco: é o primeiro Mini a trazer um console central de verdade. Isso, convenientemente, tira o controlador do iDrive e o travão de estacionamento do “buraco” entre os bancos dianteiros, elevando-os para uma posição mais natural.

A largura extra é perceptível ao sentar: tudo passa uma sensação mais adulta, mais “BMW”. Aliás, hoje em dia, a escolha de materiais e o acabamento dos Minis podem até deixar o “pai adotivo” bávaro em situação desconfortável. O Clubman transmite exatamente o que ele é: caro.

Espaço e praticidade: serve como Mini de família?

Isto é realmente um Mini prático?

Bem… sim e não. As aberturas das portas traseiras (de passageiros) são pequenas e os bancos ficam relativamente altos, mas, no conjunto, o carro é mais espaçoso do que aparenta. Depois que você entra, os assentos traseiros são, de fato, bem generosos. Dá para levar adultos atrás sem reclamações.

O esquema de bancos em níveis, tipo “arquibancada”, também melhora a visibilidade para crianças e reduz aquela sensação de aperto. Só por isso, já é um grande ponto positivo do modelo.

Já que o assunto é vida em família: o espaço para miudezas não impressiona, com um porta-luvas raso e quatro nichos de porta pequenos. E o porta-malas é um caso clássico de estilo acima da função. As duas folhas da tampa só abrem numa ordem fixa - primeiro a da direita, depois a da esquerda - e dependem de um mecanismo elétrico de liberação meio hesitante. Logo em seguida, a porta com molas muito fortes pode se projetar e acertar uma criança pequena no rosto.

As portas do porta-malas também são muito espessas. Tão espessas que a Mini enfiou bolsos de armazenamento no próprio revestimento delas, grandes o bastante para um cachorro pequeno ou um ananás de bom tamanho. Só que essa solução que “come” espaço faz com que o compartimento em si não seja tão grande quanto parece.

Oficialmente, ele fica no mesmo nível com 360 litros (1250 litros com os bancos rebatidos) e a borda de carga é agradavelmente baixa, mas a abertura é estreita. E há ainda um ponto cego no meio das janelas traseiras: dá para “sumir” com metade de um grid da MotoGP ali, quanto mais uma mota.

Temos certeza de que essas portas retrô, estilo armário, valem a pena?

Ao volante: ainda é um Mini “esperto”?

Então, se não é perfeito como carro de família, pelo menos ainda é um Mini de verdade para conduzir - leve, ágil e divertido?

Os ingredientes típicos do Mini moderno estão todos presentes: direção pesada, muito direta e rápida em torno do centro; engates com sensação robusta; posição de condução baixa e perfeita; pedais bem alinhados.

Mas, quando tudo isso se junta, o Clubman soa adulto demais. Ele não é tão ágil quanto os Minis a que você está habituado e, a um ritmo mais forte, pode parecer contido e pouco comunicativo. Todos os carros do nosso teste eram Cooper S, com amortecedores adaptativos: o conforto de marcha é bom, mas não deixe ninguém vender isto como um desportivo compacto.

O motor 2,0 litros turbo do Cooper S atual não tem o mesmo carisma dos Minis esportivos antigos e, aqui, soa esforçado e um pouco lento.

Assim, como Cooper S, o Clubman não é memorável ao volante. Um VW Golf GTI é muito mais competente como carro “para tudo”, em praticamente todos os aspetos. Ainda assim, olhando além dos detalhes finos de condução, é difícil negar que a estratégia da Mini de “adultizar” o Clubman faz sentido - porque a maioria das pessoas não vai se importar.

Na verdade, muita gente vai gostar justamente dessa maturidade. Nesse caso, talvez o problema esteja mais na configuração Cooper S.

Versões e alternativas: Cooper, Cooper S e Cooper D

Há outras opções?

O ponto ideal da gama Mini hoje é o agradável Cooper 1,5 litro de três cilindros, mas os 130 bhp desse carro podem sofrer com a missão do Clubman como veículo familiar quando está cheio. Por mais ousado que pareça dizer, um Cooper D provavelmente é onde o Clubman começa a fazer mais sentido…

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