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Bentley Continental GT3-R: primeiras impressões na estrada

Carro esportivo branco em alta velocidade numa estrada sinuosa cercada por árvores verdes.

O que é isto, afinal?

O Continental GT3-R chega como a versão de rua inspirada no endurance racer da Bentley - um carro de competição que, para surpresa de muita gente, mostrou ser realmente competitivo. Em dezembro passado, na estreia nas Gulf 12 Hours, em Yas Marina, o Conti GT3 ficou a um triz do pódio. Meses antes, no verão, ele garantiu em Silverstone a primeira vitória britânica da Bentley em corridas depois de 84 anos, no Blancpain.

Então é a resposta da Bentley ao Porsche 911 GT3 ou ao Ferrari 458 Speciale?

Não exatamente. A ideia aqui não é simplesmente “recriar” um carro de corrida para uso nas ruas.

No GT3 de pista, a Bentley usa um V8 4,0 litros biturbo com 600 bhp quando está sem restrições. A força vai apenas para as rodas traseiras por meio de uma árvore de transmissão em fibra de carbono e é controlada por um espetacular câmbio sequencial de seis marchas da Xtrac, montado em configuração de transeixo para melhorar a distribuição de peso. Ele também dispensa o semieixo dianteiro, e as portas são absurdamente leves: 7 kg, contra 57 kg do modelo de rua. No total, ele fica em 1295 kg.

E o GT3-R de rua, como fica nessa história?

O novo GT3-R até emagreceu 100 kg em relação ao Continental convencional, mas ainda assim marca 2195 kg na balança - algo como o peso de um Caterham Seven a mais, por exemplo, do que um 458 Speciale.

O motor continua a ser o V8 4,0 litros já conhecido da Bentley, só que com os dois turbos ajustados para trabalhar com mais pressão. Com isso, a potência sobe para 572 bhp, e o torque chega a 516 (com pico vindo cedo, a partir de 1700 rpm, bem tranquilo).

A mudança mais relevante, porém, está na transmissão ZF de oito marchas: o escalonamento agora é mais curto. O resultado é uma arrancada quase de “fator dobra nove”: o GT3-R vai de 0 a 60 mph (0 a 97 km/h) em 3,6 segundos e segue até uma velocidade máxima reduzida de 170 mph (274 km/h). Péssimo para o status de “Super Trunfo”, excelente para tudo o que realmente importa. A não ser que você tenha o seu próprio autódromo - o que, nesse patamar estratosférico, não é uma hipótese tão distante.

O que mais mudou?

Pela primeira vez, o GT3-R recebe vetorização de torque nas rodas traseiras. Além disso, os modos do trem de força ganharam novo acerto de software, e o controle de estabilidade ficou um pouco mais permissivo e brincalhão.

Outra novidade é o escapamento de titânio. Ele responde por 7 kg dos 100 kg eliminados e, de quebra, entrega aquele ronco de peito aberto - do tipo “O Gordon está vivo!” - que parece encher o ambiente.

E o visual não tenta ser discreto: pintura branca “glacier”, faixas verdes para “ir mais rápido”, adesivos na asa, difusor em fibra de carbono e uma asa traseira enorme deixam claro que este Bentley não veio para pedir licença. Se bobear, nem para andar em linha reta.

Ele ainda “flutua” como um Bentley deveria?

Existe uma vontade quase incontrolável de cravar o pé direito na primeira brecha de asfalto, mas as primeiras sensações são dominadas por uma rodagem surpreendentemente bem resolvida. Mesmo com pneus 275/35 ZR nas quatro rodas e rodas forjadas de 21 polegadas, ele consegue lidar com asfalto castigado com uma competência notável.

As molas pneumáticas e os amortecedores do Conti foram ajustados com foco em pista, mas as mudanças não estragam a usabilidade do dia a dia.

Por dentro: acabamento incrível, escolhas… difíceis

A cabine retrabalhada é, digamos, um… desafio. Os bancos sob medida em fibra de carbono são excelentes; há revestimentos de Alcantara com matelassê em losangos nas portas; e fibra de carbono feita à mão no painel. Até as borboletas de troca de marcha foram redesenhadas.

Só que o verde dos grafismos externos não chega nem perto do que foi aplicado no interior. É a cor do automobilismo da Bentley, o mesmo tom espalhado pela área de recepção da sede na Pym's Lane, em Crewe. Ainda assim, se Marmite já divide opiniões, isso aqui consegue ser mais polarizador.

E quando você finalmente enterra o pé direito?

A capacidade de acelerar - e de parar, graças aos discos dianteiros de carbono-cerâmica de 420 mm e traseiros de 356 mm, com pinças de oito pistões - é forte o bastante para dar um “lifting” instantâneo. Existe talvez um nanossegundo de hesitação enquanto o R se prepara para arremessar 2,2 toneladas pela estrada, mas a pancada de força é tão brutal que mal dá tempo de perceber.

Esse peso todo, claro, impõe limites ao quanto dá para se divertir de verdade em curvas. Ainda assim, ele entrega bem mais do que você imaginaria. O que falta em nuances - por exemplo, a direção poderia transmitir mais sensação, e o chassi poderia pedir mais participação - ele compensa com um ímpeto constante, quase impossível de conter.

Com isso em mente, a Bentley não deve ter qualquer dificuldade para vender os 300 GT3-R que pretende produzir, mesmo pelo preço de fazer engolir seco: £237,500 cada. E, se quiser, ainda dá para envelopar.

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