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Ford EcoSport: um acerto importante

Carro Ford Ecosport branco estacionado em estrada de terra com vinhedos ao fundo em dia nublado.

O que é isso?

É um Ford EcoSport que levou um belo puxão de orelha e voltou bem mais alinhado.

O Ford EcoSport tinha má fama?

Estou certo ao pensar que o EcoSport nunca foi o melhor trabalho da Ford, certo?

Está, sim. O crossover do tamanho de um compacto foi muito criticado por materiais baratos, comportamento meio indisciplinado e uma suspensão que parecia engasgar - a ponto de a Ford mandar o carro “de volta para a escola” e fazer uma revisão caprichada. É isso que aparece aqui.

Mudanças por fora e no porta-malas do Ford EcoSport

Então, o que mudou?

Sem muito alarde, a Ford eliminou a roda sobressalente pendurada na tampa traseira do EcoSport. Com isso, a porta do porta-malas deixou de parecer mais pesada do que o resto do carro e ficou bem menos chato manobrar e estacionar de ré na cidade - justamente onde crossovers pequenos como este deveriam brilhar.

Ainda assim, a tampa segue no formato de “porta” com abertura lateral (articulada à esquerda), e não uma tampa superior com dobradiças no teto. Em vagas apertadas típicas de centros urbanos, isso continua longe de ser o ideal.

O visual cheio de grades e meio esquisito (com aquela postura de “chihuahua na ponta dos pés”) também permanece. A novidade é que a Ford passou a colocar no topo da gama uma versão mais sofisticada, a Titanium S, que traz firulas mais chiques, como rodas de liga leve pretas e mais equipamentos no interior. Um toque de luxo.

Interior, acabamento e equipamentos

Ainda é desagradável ficar lá dentro?

O pacote de inverno com aquecimento em tudo e o som Sony podem fazer gente voltar a folhear o catálogo do EcoSport, mas o principal é o conjunto de ajustes para evitar que o test-drive termine com o interessado pulando fora no primeiro ponto de ônibus.

Começando pelo básico: agora o volante é revestido em couro, em vez daquele plástico de brinquedo de lanche infantil tentando imitar couro. É um couro brilhante, mas a primeira impressão melhora.

A montagem dos painéis também evoluiu, então o painel não exibe mais frestas em que daria para “perder” uma criança pequena. E, finalmente, dá para encaixar um cabo USB na entrada certa sem que o conector “suma” no abismo de plástico. Para quem vinha do EcoSport antigo, isso soa quase como tecnologia inédita.

Os bancos continuam duros a ponto de parecerem copiados por engano do modelo de argila em meia escala. Quem mede mais de cerca de 1,22 m pode sentir falta de apoio. Ainda assim, no conjunto, agora o ambiente se aproxima mais do que se espera de um Ford. Não é excelente, mas dá para aceitar.

Direção, estabilidade e dinâmica

Agora ele faz curvas como um Ford deveria?

Tipo um Fiesta? Não - ele não chega a esse nível, embora poucos carros pequenos cheguem. Mas a sensação de que o EcoSport poderia tombar diminuiu, graças a barras estabilizadoras mais rígidas, mudanças no conjunto de suspensão e uma redução de 10 mm na altura.

Para deixar claro: o EcoSport antigo nunca esteve realmente perto de dar um “barrel roll” improvisado. O problema era a direção sem conexão e o controle de carroceria meio molenga, que passavam a impressão de que, se uma curva fechasse e você não estivesse atento, o chão poderia ficar íntimo do seu rosto.

Aquilo deixava inseguro - e não combinava com a reputação da Ford. Agora essa estranheza sumiu: ficou mais firme, previsível e confiável. E, por ser leve, até consegue ser bem ágil.

Motor, ruído e números

E o motor?

O 1,0 litro EcoBoost turbo segue em ótima forma. O carro de teste vinha com 123, mas a Ford deve colocar em breve uma versão mais forte, com 138, do mesmo motor - a mesma usada nos Fiesta “sub-ST” mais interessantes.

É um motor pequeno e muito competente: entrega respostas rápidas e bastante torque, gira com vontade sem tentar sacudir o capô das bases e ainda tem um ronco esperto.

A diferença é que, com uma boa dose extra de isolamento acústico, esse som ficou mais educado e menos invasivo. Isso não fez muito para conter o vendaval de ruído de vento que ainda castiga as colunas e os retrovisores por volta de 105 km/h, mas faz parte: melhor assim do que pior.

O outro ponto negativo é que 52.3mpg e 125g/km não impressionam num compacto “de salto alto”.

Preço e veredito na prática

Então o carro ruim ficou bom?

Ele ainda não é ótimo, mas melhorou muito - e custa um valor razoável. Este EcoSport bem completo sai por £16,445, o que o coloca como competitivo, mesmo sem ser exatamente uma pechincha.

Por mais genial que seja o motor, ainda preferiríamos um Captur (ou, para falar a verdade, um Fiesta). Pelo menos agora o EcoSport deixou de ser um motivo de vergonha para o sobrenome Ford.

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