O que é isso?
O XJ, sedã topo de linha da Jaguar, chega à linha 2016 com retoques discretos e um pacote geral mais caprichado.
Já era bom antes?
E como. Quando estreou, há seis anos, o XJ com carroçaria toda em alumínio era, com folga, o “barcão” mais prazeroso de conduzir do segmento. O visual também fazia jus: linhas esguias, aquele toque de Ian Callum, muita personalidade e uma cabine muito bem acabada.
Ainda assim, não era perfeito. O maior ponto fraco era o sistema multimédia: mesmo há seis anos, ficava bem abaixo do padrão da categoria.
O que mudou no Jaguar XJ 2016
Então o que a Jaguar mexeu no XJ?
À primeira vista, pouca coisa. A grade ficou um pouco maior e mais vertical, surgiram novos faróis em LED e alguns detalhes de acabamento com mais brilho. A direção com assistência eletromecânica (EPAS) entra no lugar do conjunto hidráulico antigo - tanto para melhorar a eficiência quanto para permitir a adoção de tecnologias de assistência ao condutor mais avançadas. Já o V6 diesel 3,0 litros foi retrabalhado para entregar um pouco mais de força.
Também há novas configurações de acabamento. A R-Sport é a resposta da Jaguar ao M-Sport da BMW - pense em rodas mais chamativas e para-choques mais encorpados - e a Autobiography assume o posto de versão mais completa, substituindo a Portfolio. E não dá para esquecer do XJR, com V8 de 543bhp e velocidade máxima de 174mph (cerca de 280km/h).
Os preços começam em £58,960 para um diesel de entre-eixos curto e vão até £100,000 no Autobiography de entre-eixos longo com V8 maior. O XJR sai por pouco mais de £92k.
‘Infotainment Touch Pro’: a principal novidade por dentro
E a grande notícia?
Ela está na cabine: a Jaguar finalmente aposentou o sistema multimédia antigo, pesado e lento, e colocou no lugar um conjunto totalmente novo, batizado de “Infotainment Touch Pro”.
Funciona bem?
É uma evolução grande, sem dúvida. Se o sistema anterior demorava e só reagia direito a toques bem decididos, o novo é bem mais rápido e fluido. Dentro do universo de telas sensíveis ao toque, a lógica é simples: a maioria das funções está exatamente onde você espera encontrar.
A experiência lembra a de um tablet: dá para fazer gesto de pinça para ampliar e arrastar o mapa com o dedo. Para quem usa um telemóvel dos últimos cinco anos, tudo soa imediatamente familiar. Sim, o conjunto do XJ não tem o mesmo refinamento do iDrive (que continua a ser a nossa referência), nem do COMMAND da Mercedes ou do MMI da Audi, mas deixou de ser um “desaforo” num carro deste nível. A tendência é que ele apareça em breve noutros Jaguar e Land Rover…
Motores e desempenho
E quanto aos motores?
A aposta mais provável, pelo menos no Reino Unido, é o V6 diesel 3,0 litros. A potência sobe 25bhp, chegando a 296bhp, e o binário atinge fortes 516lb ft (aprox. 700Nm). Na prática, ele parece mais cheio do que o V6 a gasolina 3,0 supercharged de 335bhp, que fica com 332lb ft (cerca de 450Nm). Ainda assim, na aceleração 0–60mph (0–96km/h), o diesel perde 0,2 segundo: 5.9 contra 5.7.
Mesmo com a suavidade sedosa do motor a gasolina, o diesel é o que faz mais sentido - e também deve pesar menos no bolso ao longo do tempo, ao prometer média combinada de 49.6mpg (aprox. 17,6km/l) contra 31 (cerca de 11,0km/l) do a gasolina.
A não ser, claro, que você consiga esticar o orçamento para o XJR - e, francamente, é o que você deveria fazer. Que se dane o ambiente. Com 543bhp disponíveis, o 0–60mph (0–96km/h) cai para apenas 4.4 segundos, mais do que suficiente - a menos que você tenha o hábito de desafiar Audi RS6 em arrancadas de semáforo.
Comportamento dinâmico, conforto e vida a bordo
Ele ainda conduz bem, certo?
Sem a menor dúvida. Isso vale para toda a gama XJ, do diesel de entrada até o R. A adoção do EPAS praticamente não reduziu a sua maior virtude: a forma como ele disfarça o próprio tamanho. Num XJR levado para pista (mesmo que circuito não seja exatamente o habitat natural dele), dá para perceber o peso ao forçar o ritmo. Ainda assim, a direção suave, rápida e precisa passa uma agilidade que lembra carros uma ou duas categorias abaixo. E, no R, andar de lado está a um toque mínimo no acelerador…
O único senão realmente relevante na dinâmica é o rodar: ele não é macio ao ponto de rivalizar com um Mercedes Classe S. Por outro lado, o XJ sempre foi a limusina de luxo feita para quem gosta de conduzir.
O interior continua tão bonito quanto antes?
Sim: muito couro e bastante madeira. Mesmo já mostrando a idade do projeto, o XJ ainda é um lugar extremamente confortável para passar algumas horas. Atrás, porém, não é tão espaçoso quanto alguns rivais - nem tão exuberante em detalhes -, o que torna bem recomendável optar pela versão de entre-eixos longo.
Algum problema?
Fora a firmeza da suspensão? Não muita coisa. O GPS ainda tem as suas esquisitices, a visibilidade traseira é prejudicada pela linha de teto baixa e pelos encostos de cabeça grandes no banco de trás. Nada que comprometa de verdade.
Esse, ou um Classe S?
Pergunta difícil. O Classe S não é tão bom de conduzir quanto o XJ, mas, se você mantém um motorista particular, o Mercedes grande tende a fazer mais sentido. Mesmo que não tenha nem metade do charme atrevido do Jaguar…
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