O novo DS 4 chega como a adição mais recente ao portfólio da marca francesa e já se posiciona, sem rodeios, como uma alternativa no segmento C Premium - território tradicionalmente comandado pelos alemães, em especial Mercedes-Benz Classe A, BMW Série 1 e Audi A3.
A marca francesa não é a primeira a tentar entrar nesse “quintal” germânico, mas fica a dúvida: o DS 4 realmente entrega o que é necessário para encarar esses rivais?
Para responder a isso, Diogo Teixeira teve a oportunidade de rodar com o DS 4 E-Tense Cross Rivoli em Portugal, justamente a configuração plug-in híbrida topo de linha e a mais “aventureira” da família.
Premium à francesa…
Como proposta premium, o DS 4 aposta em um desenho bem particular e marcado por linhas mais angulares, fugindo bastante da receita adotada pelos concorrentes alemães. A ideia é misturar traços de um hatchback tradicional com a pegada de um crossover.
No caso do Cross, esse lado crossover aparece com mais força por ser a variante mais voltada à aventura dentro do DS 4. A diferenciação vem principalmente das barras no teto e de alguns detalhes visuais específicos.
Por dentro, o DS 4 também chama atenção pelo impacto visual: o ambiente é mais sofisticado e “aconchegante” do que o visto nos equivalentes alemães. E não é só aparência - o modelo sustenta essa impressão com uma boa escolha de materiais e uma montagem em nível positivo.
Se o espaço interno, por um lado, pode ser considerado apenas suficiente, por outro o conforto - com bancos realmente muito bons - e a tecnologia embarcada ficam em excelente patamar.
Um destaque é o DS Extended Head-up Display presente na unidade testada, que cria uma área de projeção de 21″ sobre a via, como se estivesse a 4 m de distância - um dos melhores head-up display que encontramos nos últimos tempos…
Outro ponto positivo é o sistema de infoentretenimento, formado por uma tela tátil de 10″ - com definição bem superior e respostas mais rápidas - e também mais simples de operar. É um avanço em relação a outros modelos da DS. Além disso, várias funções ainda podem ser acessadas pelo DS Smart Touch, uma pequena tela tátil localizada no console central.
Até 55 km de autonomia em modo elétrico
Sob as linhas marcantes do DS 4, a base é a plataforma EMP2 - a mesma usada, por exemplo, no novo Peugeot 308 e no novo Opel Astra, seus “parentes” dentro da Stellantis.
Além da arquitetura, o DS 4 também divide com eles a maior parte das opções de motorização: versões apenas a combustão (gasolina e diesel) ou alternativas híbridas plug-in, que na DS recebem o nome E-Tense, exatamente como a configuração guiada pelo Diogo.
O conjunto híbrido já é conhecido no universo Stellantis: motor 1.6 PureTech a gasolina com 180 cv combinado a um motor elétrico de 80 kW (109 cv), chegando a uma potência máxima combinada de 225 cv e a um torque máximo combinado de 360 Nm. É o suficiente para dar um desempenho respeitável a este “tudo à frente”: 7,7s na aceleração até 100 km/h e 233 km/h de velocidade máxima.
Em um híbrido plug-in como o DS 4 E-Tense Cross, porém, a parte elétrica pesa bastante. O motor elétrico é alimentado por uma bateria de 12,4 kWh de capacidade, o que permite até 54 km de autonomia em modo elétrico.
Suspensões pilotadas: conforto e eficácia
Em movimento, a posição de dirigir mais alta - mais próxima da proposta de crossover - ajuda o DS 4 E-Tense Cross a se diferenciar ainda mais dos rivais alemães, reforçando também o foco bem francês no conforto.
Isso, no entanto, não quer dizer que o DS 4 deixe de ser eficiente ou preciso dinamicamente. Parte desse resultado vem do fato de o DS 4 E-Tense contar, de série, com suspensões pilotadas (um opcional de 1100 euros em alguns DS 4 somente a combustão), que se diferenciam das adaptativas mais comuns por utilizarem a câmera dianteira e outros sensores.
Na prática, o carro consegue “enxergar” o asfalto à frente e ajustar em tempo real o amortecimento em cada roda de forma individual, antes mesmo de passar pelo trecho. A proposta é manter sempre os níveis mais altos de conforto e de eficiência no comportamento.
É o carro certo para mim?
O DS 4 E-Tense tem argumentos de sobra para encarar, sem receio, os pesos-pesados alemães da categoria.
O fato de seguir um caminho diferente - seja no estilo, seja na “filosofia” - transforma o francês em uma alternativa real aos germânicos, ao mesmo tempo em que oferece alto nível de qualidade geral, ótimo conforto a bordo e bastante tecnologia e equipamentos disponíveis.
O DS 4 E-Tense Cross Rivoli é a configuração topo de linha do compacto familiar francês e, por isso, o preço parte de 48 850 euros, um valor um pouco elevado. Já o DS 4 E-Tense mais acessível começa em 39 550 euros.
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