Visão geral do Seat Leon eHybrid (híbrido plug-in)
Ué, você não já tinha dirigido um Leon híbrido plug-in?
Sim - mas existe mais de um Leon híbrido plug-in. O que já experimentámos antes foi o Cupra eHybrid: a tentativa de um hatch esportivo híbrido, no mesmo estilo (e com a mesma base mecânica, afinal é Grupo VW) do Golf GTE, que acaba a falhar ligeiramente no alvo. Dá para entender os motivos ao clicar nas palavras azuis desse outro teste.
Este aqui, como entrega as rodas pequenas e o emblema Seat, deixa claro que não quer parecer um carro de desempenho. A receita é quase a mesma do Cupra, porém com acerto “amansado”: fica mais lento e um pouco mais eficiente. Visualmente, o Seat Leon eHybrid é praticamente idêntico a um Leon comum, com a diferença da tampa de carregamento à frente da porta do passageiro e alguns emblemas.
Especificações e desempenho
Pode resumir as especificações?
Claro. O motor a gasolina de 1,4 litro trabalha em conjunto com uma bateria de 12,8 kWh e um motor elétrico de 85 kW. A força vai para o eixo dianteiro por meio de um câmbio automático de dupla embreagem com seis marchas. No total, são 201 cv e 258 lb ft de torque (cerca de 350 Nm) - ou seja, 41 cv e 37 lb ft a menos do que no Cupra (aprox. 50 Nm a menos). Mesmo assim, continua bem ágil.
Com motor a combustão e elétrico a atuar em conjunto, o 0 a 100 km/h (0–62 mph) acontece em 7,5 segundos, e a velocidade máxima é de 137 mph (cerca de 220 km/h).
Autonomia elétrica, emissões e recarga
O ponto-chave, porém, é outro: a Seat declara até 40 milhas de autonomia elétrica (aprox. 64 km) e emissões de apenas 27 g/km de CO₂. Para quem usa carro de empresa, isso pode significar uma boa economia de impostos em comparação com um modelo apenas a gasolina/diesel (e até em relação a alguns outros híbridos plug-in). E, se houver como manter o carro carregado - e disposição para o fazer - também dá para gastar menos no posto.
Falando em carregamento: num carregador residencial, o Leon aceita no máximo 3,6 kW. Assim, sair de 0 a 100% demora 3 h 40 min, um tempo relativamente lento. No Mercedes A250e que guiámos recentemente, por exemplo, foi menos de duas horas com 7 kW.
E na prática, quantos quilómetros roda só no elétrico?
Não existe uma resposta única, porque tudo interfere: jeito de conduzir, tipo de percurso, temperatura e até o uso do ar-condicionado. Ainda assim, vale este dado: com a bateria cheia, num dia de dezembro a 6 °C e num trajeto relativamente rápido por estradas secundárias, consegui 25 milhas (aprox. 40 km). Curiosamente, era exatamente a autonomia que o próprio Leon indicava antes de eu arrancar.
Não, não bate os 40 milhas anunciados - mas eu não estava a procurar economia e, com frio, o aquecedor ficou ligado. Eu duvido que alguém chegue a 40 milhas sem conduzir de forma muito cuidadosa; por outro lado, passar de 30 milhas (aprox. 48 km) parece perfeitamente possível. E isso é um bom resultado.
Como é conduzir
E ao volante, como ele se comporta?
No modo elétrico, é exemplarmente suave - e, como quase todos os híbridos plug-in, é o modo que o carro escolhe ao ligar (desde que haja carga suficiente). Não há solavancos desagradáveis do câmbio ao trocar de marcha. Não espere arrancadas empolgantes, mas a força no elétrico dá e sobra até o limite legal de velocidade. Só não esqueça: quanto mais rápido você anda, mais cedo a carga acaba e o motor 1,4 a gasolina entra em ação.
Evitar que o motor a combustão desperte enquanto você roda no elétrico é simples: ele só liga se você afundar mesmo o acelerador. Quando isso acontece, a passagem do elétrico para o gasolina (com ajuda elétrica) é macia, mas leva um instante até “encher” de vez e ganhar velocidade com mais vontade.
No modo híbrido, o Leon alterna entre gasolina e elétrico com frequência, conforme entende que é melhor. De novo, a troca é bem polida. E, quando a bateria já não tem mais carga útil, o sistema continua a desligar o motor sempre que dá, como em desacelerações ou travagens.
Em rotações baixas ou constantes, o motor a combustão é suficientemente discreto; acima de 3.000 rpm, porém, o som fica mais áspero e “esganiçado”. O desempenho é competente, embora o Leon nem sempre pareça tão rápido quanto os números sugerem.
Há borboletas atrás do volante para trocas manuais, mas o câmbio não reage com tanta prontidão aos comandos - o melhor é deixá-lo trabalhar sozinho. No geral, ele acerta, embora por vezes segure as marchas tempo demais depois de pequenas aceleradas.
Os travões têm uma pegada um pouco “seca”, algo bastante típico em híbridos plug-in. Também não há como ajustar manualmente a regeneração: o Leon decide por conta própria.
Dinâmica, conforto e silêncio a bordo
Dá para se divertir?
Mesmo com o peso extra do conjunto híbrido, o Leon continua a contornar curvas com competência. É ágil e leve de reações, ainda que não envolva tanto quanto um Ford Focus. A direção é rápida e precisa, mas no fim das contas transmite pouca sensação.
O controlo de carroceria é bom, porém a suspensão fica rígida demais em asfalto mais irregular. Em autoestrada/rodovia, por outro lado, ele é estável, com ruídos de vento e de rodagem bem contidos.
Praticidade, multimédia e preço
Mais algum ponto importante?
O porta-malas perde 100 litros em relação ao Leon normal por causa da bateria - e isso incomoda.
E embora o sistema de multimédia pareça moderno, com gráficos coloridos e nítidos, a usabilidade não é das melhores. O que piora porque não existem comandos físicos para o trem de força. Se você quiser alternar de elétrico para híbrido (o que vai acontecer com frequência) ou de normal para esportivo, precisa entrar em menus na tela. É pouco prático.
Quanto custa?
Os preços começam em pouco menos de £31.000 para o FR testado aqui, mas passam de £34.000 na versão topo Xcellence Lux. Para um hatch familiar, é um valor salgado - ainda assim, é uma economia relevante perante rivais mais “premium”, como Mercedes A250e, Audi A3 TFSIe, Golf GTE e, hãm, o Cupra Leon.
Se você já estiver a considerar algum desses, vale colocar o Seat na lista também. Ele não é perfeito, mas pode cumprir o que promete. E existe ainda a opção perua, o que ajuda bastante.
Nota: 7/10
Para saber mais sobre o Seat Leon, clique aqui para ler nossa avaliação completa
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