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O último Toyota GR Supra A90 Final Edition

Carro esportivo vermelho Toyota Supra dirigindo em estrada sinuosa cercada por árvores verdes.

O último Supra, é isso?

Adeus, Supra. Adeus, A90. Mesmo com apenas seis anos de mercado, dá a impressão de que o Toyota GR Supra existe há bem mais tempo. Lá no começo dos anos 2000, já se falava em um sucessor para o nome Supra, que estava adormecido, e essa conversa rendeu uma série de conceitos até desembocar no carro que hoje conhecemos como GR Supra.

A gente se lembra de quando o conceito FT-1 finalmente saiu da “caixa de vidro” em que estava preso, na estreia do Salão de Detroit de 2014. Foi um sucesso imediato: todo mundo repetiu “por favor, façam isso” - e a Toyota, em grande parte, fez.

No carro de produção, o GR Supra carregou as curvas marcantes e a dianteira característica do conceito durante uma vida curta, mas intensa. Rapidamente virou queridinho dos preparadores, escolha frequente no drift para quem gosta de acelerar de lado e, para muita gente, o “carro de pôster” de uma geração. Agora que a linha está chegando ao fim, a Toyota se despede com uma ‘Final Edition’ como agradecimento à comunidade que o acolheu.

Uau, o A90 Final Edition com quase 100hp a mais?

Não. Esse é exclusivo da Europa e do Japão. A Final Edition que chega para nós é mais parecida com aquele primeiro “rascunho final” de um projeto - antes de voltar e mexer em mais um monte de coisas. Seria bem melhor receber a versão “final final”, e saber que não é essa a escolhida dá uma azedada no clima.

Que pena. Então tem melhorias de verdade nesta?

Na lógica do kaizen - isto é, evolução incremental - esta GR Supra Final Edition ajusta pontos importantes para lapidar a experiência do Supra padrão. Debaixo do capô está o mesmo seis-em-linha 3,0 litros turbo que o GR Supra já usa há algum tempo, entregando 382hp e 368 lb-ft (499 Nm). A força vai para o eixo traseiro por meio de um câmbio automático de oito marchas ou de um manual de seis marchas que, se você quiser, faz a equalização de giros nas reduções. Nos números, o GR Supra automático promete 0 a 96 km/h (0 a 60 mph) em 3,9 s; no manual, o melhor que ele consegue é 4,2 s.

Na parte mecânica, a Final Edition traz discos de freio Brembo maiores do que os do conjunto padrão, mais rigidez estrutural, mudanças na suspensão, ajustes de cambagem em todas as rodas e uma lista de pequenas melhorias espalhadas pelo carro. Por fora, um aerofólio tipo ducktail em fibra de carbono, aletinhas nos arcos das rodas dianteiras e defletores elevados na frente dos pneus reforçam a parte aerodinâmica, melhorando o controle - e também somando à estética que já começa a mostrar a idade.

Para dar um fôlego a esse visual mais “rodado”, a Final Edition oferece um pacote no estilo Supra GT4 inspirado no GR Supra GT4 EVO2, o mais radical entre os Supras modernos. Ele inclui cores foscas, os pacotes gráficos branco “burnout” e preto “undercover” (o segundo mostrado abaixo), um spoiler duckbill de carbono, capas de retrovisor vermelhas e outros complementos.

A Final Edition parece diferente ao volante?

Um pouco. Kaizen, lembra? As alterações externas exigem olhar treinado para serem notadas - e com a dinâmica acontece algo parecido. Mesmo dirigindo um modelo atual em sequência com a Final Edition, as diferenças passam longe de ser “da água para o vinho”. Talvez, nas mãos de um piloto profissional e com a sensibilidade de quem vive disso, esses microajustes se somem e fiquem claros; para o motorista comum, é difícil separar, de cara, o que é melhora do que já era conhecido.

O que essa comparação deixa bem evidente, porém, é o quanto as duas versões se sentem à vontade em pista.

E como ele se sai por lá?

Ele é bem mais comportado do que você poderia imaginar - ou do que talvez lembre - fora de um circuito fechado. As montadoras adoram dizer que o modelo do dia foi “feito para a pista”, e raramente sustentam isso com substância; o GR Supra, por outro lado, consegue. Até porque, na rua, ele chega a ser meio esquisito.

Por quê?

Para começar, o visual divide opiniões - sendo gentil. Ele é próximo do FT-1, mas perdeu um pouco de dinamismo para caber no mundo real. E aquele teto com recorte também não ajuda muito. A cabine é apertada e passa sensação de confinamento, piorada pela visibilidade externa bem limitada. Em baixa velocidade, o GR Supra não parece tão confortável nem tão seguro de si; ele realmente “acorda” quando tem espaço para ganhar velocidade, como em rodovias.

Na pista, porém, o GR Supra está no habitat natural. Seus 382hp podem soar modestos diante do que esportivos atuais entregam - sem falar nos elétricos -, mas ainda é potência de sobra, e o GR Supra é generoso na faixa de torque. Raramente falta fôlego, mesmo em trechos de subida como os que aparecem com destaque no Sonoma Raceway, na Califórnia.

Isso ajuda a manter a atenção no ato de dirigir, e não em ficar “brigando” com o câmbio - com as reduções com ponta-taco automático do manual sendo especialmente úteis nesse ponto. Aliás, o câmbio manual não é o mais suave do mundo (seu posto continua garantido, Honda Civic Type R), mas os engates curtos e a embreagem mais pesada são bem-vindos. A gente só queria que ele entrasse na marcha com mais convicção.

Falando em convicção: entre os irmãos GR, provavelmente ele é o mais intimidador por causa do peso e da potência, mas é mais amistoso do que parece. Erros grosseiros custam caro, só que o Supra dá vários sinais antes de chegar a esse ponto. Com pneus Michelin Pilot Super Sport na temperatura ideal, a traseira do GR Supra gruda o suficiente - sobretudo se você estiver encarando um traçado tão técnico quanto o de Sonoma.

Qual é a conclusão final para o último GR Supra?

Como acontece com qualquer esportivo que se respeite, é triste ver ele ir embora - e, ao mesmo tempo, é bom saber que ele existiu. Só o tempo vai dizer se ele fez jus às expectativas de quem carrega uma paixão pelos antigos… ou se correspondeu às fantasias inspiradas em JDM dos motoristas mais jovens. Do nosso ponto de vista, o Supra veio e cumpriu sua missão: lembrar o público de que a Toyota faz mais do que SUVs e que tem uma história forte no automobilismo, ainda viva hoje. Se for mesmo a hora de encerrar, a Final Edition manda o Supra embora na melhor forma que ele já teve (embora aquela versão com 94hp extras pareça bem tentadora também).

Por enquanto, a nossa Final Edition fica disponível pelo menos até a primavera de 2026, quando toda a produção do Supra será encerrada. O preço parte de US$ 68,550, mas ainda dá para escolher as versões padrão por bem menos. Até mais, Supra. Obrigado pela volta.

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