Pular para o conteúdo

Hyundai RN22e: o conceito de super-sedã elétrico baseado no Ioniq 6

Carro esportivo Hyundai N em pista de corrida ao pôr do sol com céu parcialmente nublado.

Mais um conceito rápido novo da Hyundai? O que tem na água por lá?

Seja lá o que for, o resto da indústria automotiva faria bem em tomar um gole. O departamento de design da Hyundai está transbordando confiança neste momento. Depois do Ioniq 5 cheio de ângulos, do aerodinâmico Ioniq 6 e do nostálgico N Vision 74, eles voltam a atacar. Agora, para responder à pergunta: “como seria um super-sedã da Hyundai?”

Bom, como um Ioniq 6 que frequenta a academia sem falhar…

Exatamente. Por baixo dos para-lamas alargados, das bitolas mais largas e do conjunto formado por um para-choque dianteiro enorme e um difusor traseiro à altura, está o novo Ioniq 6. Ou talvez “Ironic 6”. Pegue um sedã de quatro portas, liso como pedra polida e feito para cortar o ar, e vista nele uma asa traseira do tamanho de uma prancha de surfe, além de uma postura widebody. E a gente não está reclamando: atitude é o que não falta.

Pena do nome, porém…

Sim, “RN22e” foi uma chance desperdiçada. Você cria um super-sedã de 577bhp e batiza como se fosse o resultado de um gato entediado passeando pelo teclado. Estranho.

É uma boa dose de potência…

Verdade - embora 577bhp vindos de dois motores esteja longe de ser algo escandaloso para um super-sedã elétrico. Um Porsche Taycan ou um Tesla Model S oferecem bem mais potência. Mas, assim como no conceito N Vision 74, a ideia por trás do pacote mecânico do RN22e é que tudo seja viável. Esses motores vêm do Kia EV6 GT. Ainda assim, uma calibração totalmente nova promete um acerto bem mais “aceso”. Já chegamos nisso; antes, precisamos falar do barulho. E das trocas de marcha.

Barulho? Trocas de marcha? Num EV?

Sim e sim. A Hyundai resolveu se divertir com este projeto. Na visão dela, a indústria vem errando a mão nos elétricos rápidos, colocando a velocidade que embrulha o estômago acima de personalidade e de um certo “lado bobo”. Por isso, o RN22e traz truques e brincadeiras. Pode ser que você deteste a ideia. Mas tente manter a mente aberta, certo?

Para começar, existe o N Sound Plus. Na prática, é como um boombox de 90dB preso atrás do difusor, tocando um pulsar de motor sintetizado - meio automobilismo, meio Star Wars. Dá, claro, para desligar. Só que ele também responde a uma aceleradinha com o carro parado e “sobe de giro” no som. No melhor cenário, é dispensável; no pior, é sem sentido. Para a Hyundai, porém, é um teste. Se o público curtir, o N Sound Plus pode aparecer em futuros carros de rua. Se não, desaparece.

Em seguida, as “trocas de marcha”. Atrás do volante, há duas aletas. Até aí nada demais: muitos EVs mantêm aletas para ajustar a regeneração da frenagem. No RN22e, puxar as duas ao mesmo tempo liga ou silencia a vibração sonora. Com o carro em movimento, elas também simulam trocas ao interromper o torque por instantes. Dá até para “bater” no limitador de giros. A maioria dos elétricos é à prova de erros: é só apertar e ir. Neste aqui, o motorista consegue errar.

Durante uma arrancada, é difícil defender o sistema. Deixar um elétrico suave mais “truncado” e mais lento por nostalgia é como instalar internet de fibra em casa e, em vez de pesquisar, procurar palavras num dicionário.

Então é perda de tempo?

Quando você está entrando forte numa curva de pista, a história muda. De repente, as trocas virtuais parecem úteis. Enquanto os freios seguem desacelerando o carro de forma consistente, um pequeno pico de regeneração dos motores elétricos entrega um “tranco” reconfortante de freio-motor simulado. Assim, você vê uma esquerda de 90 graus pela frente e seu cérebro do século 20 entende que é curva de segunda marcha - e que vale puxar algumas reduções do jeito certo. Há algo em que se apoiar na fase de desaceleração para a curva, onde um EV comum só reduz em um único mergulho.

De novo: dá para desligar o sistema, e ele não necessariamente vai fazer você virar uma volta mais rápida. Temos certeza de que isso vai incomodar muita gente, mas é uma proposta curiosa - e que só poderia vir de uma empresa sem medo de tentar algo só “porque sim”.

Como ele dirige?

Ele é esperto. O carro é rígido, responde rápido e, apesar de ter tração integral, demonstra muita vontade de sair de traseira. Num trecho complicado da pista, você usa o volante só para apontar o carro até o meio da curva. A partir do instante em que a dianteira reage, fica tão fácil controlá-lo no acelerador quanto no volante. Mesmo com todo o controle de tração ligado.

Em linha reta, não é absurdamente rápido: pense em BMW M235i, não em M3. O desempenho parece adequado, não assustador. Diferente da maioria dos EVs, aqui você passa a esperar mais pelas curvas do que pelas retas.

O RN22e vai virar um carro de produção?

No curto prazo, a Hyundai vai lançar um carro N elétrico, mas no formato hatch do Ioniq 5, previsto para 2023. A marca volta a prometer que vai colocar “diversão” à frente de “rapidez”, e pessoas de dentro dão risada quando perguntadas se ele vai dar uma surra no VW ID.4 GTX.

Algo muito parecido com o RN22e vai entrar na série ETCR de carros de turismo elétricos no ano que vem, para enfrentar a Cupra e companhia. A Hyundai diz que, se a resposta for excelente, um Ioniq 6 N pode ser considerado - porém manteria as laterais na largura padrão e perderia os apêndices aerodinâmicos mais extravagantes. Afinal, talvez você não precise de um design “gritão” quando o som a bordo já está fazendo todo o barulho.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário