Bom, nem preciso perguntar o que é isso, né?
Sim: o nome estampado na lateral praticamente entrega tudo. Ainda assim, vale a apresentação. Este é o Suzuki Jimny by Twisted - e é a primeira vez que a empresa sediada em North Yorkshire leva a sua filosofia de modificações para algo que não seja um Land Rover Defender clássico.
Por que escolher o Jimny e não o novo Defender?
“Eu nunca quero modificar só por modificar; eu quero deixar algo melhor”, diz ao TG o chefe da Twisted, Charles Fawcett. “Por isso a gente não mexeu no novo Defender - todo mundo já fez isso e, no fim, só criam algo um pouco diferente do padrão.”
Já o Jimny, na visão da Twisted, é “quase um Defender em miniatura, com arquitetura parecida, conjunto de transmissão semelhante e uma sensação analógica” - o que explica a decisão de sair, pela primeira vez, do foco exclusivo no Defender.
Então, o que mudou no Jimny?
O primeiro ponto importante: todos os novos Jimny da Twisted partem do Jimny Light Commercial Vehicle. Na prática, isso significa dois lugares e 863 litros de espaço no porta-malas - a não ser que você leve o seu próprio carro para a conversão.
E é justamente nessa conversão que está o destaque: o “Twisted Performance Upgrade”. Em resumo, ele coloca um turbocompressor no motor original a gasolina 1.5 de quatro cilindros. A potência sai de modestos 100bhp para bem mais animados 165bhp. E não esqueça que o carrinho pesa só 1,090kg.
Para acompanhar o turbo, entram também um downpipe esportivo, uma ECU Syvecs com remapeamento correspondente, novas tubulações, novas linhas de alimentação de óleo, filtro de ar de performance e um catch tank. Mas não é só de motor que vive o pacote: a suspensão é nova e ligeiramente elevada, com molas Eibach e amortecedores Bilstein. O conjunto ainda vem com uma barra estabilizadora traseira inédita, que faz um trabalho excelente para manter o Jimny mais assentado.
Visualmente, o para-choque dianteiro e as capas dos retrovisores agora vêm na cor da carroceria. Para fechar o “jeitão de terrier parrudo”, entram rodas de liga Twisted de 16 polegadas e cinco raios, além de pneus BF Goodrich all-terrain. É o tipo de coisa impossível de não achar simpática.
Preciso levar todos esses itens?
Não. Assim como acontece com os Defenders da Twisted, dá para escolher o que você quer colocar no pequeno 4x4. Entre as opções adicionais, há vidros escurecidos, pintura acetinada completa, barra de luz, rack de teto, proteção inferior, guincho Warn - e, sim, aqueles adesivos com paisagem de montanha estilo anos 90 também ficam por conta do cliente.
E ainda existe uma lista grande para o interior, incluindo “occasional rear seats” para transformar a “van” de volta em um carro com quatro lugares.
Certo, e como é o interior?
Segundo Fawcett, este Jimny específico recebeu 230 horas de trabalho só na cabine. E dá para notar: o ganho em isolamento acústico muda bastante a experiência, principalmente considerando os modos um tanto discutíveis do Jimny no asfalto. Não chega a virar um novo Defender, claro, mas dá para encarar velocidades de rodovia por mais tempo com bem menos sensação de “lata”.
A Twisted é generosa com couro nos Defenders - e aqui não é diferente. Ele aparece nos bancos, no painel, nas alças, nas alavancas do câmbio, no freio de mão, no volante, no console central e nas portas. Até os tapetes vêm com acabamento em couro. Bem chique.
O teto recebe forração em Alcantara, e a central multimídia original (lenta) da Suzuki dá lugar a uma unidade Alpine nova com navegação, DAB e Apple CarPlay. Também entram novos alto-falantes, do tipo que realmente fazem você querer ouvir música - em vez de só ficar no “boletim do tempo marítimo”. E cada carro traz uma placa individual de montagem, registrando o processo pelo qual ele passou.
Vai, me conta mais sobre o motor…
Aqui é onde o Jimny by Twisted brilha: o turbo é a estrela. Mesmo com o isolamento extra, dá para ouvir claramente o coro de sopros e “flutter” da pressurização trabalhando. Imagine um elefante asmático tentando sugar um milk-shake por um canudo cheio de furinhos: é mais ou menos esse o tipo de trilha sonora que ele entrega.
O salto de potência também transforma a aceleração. Você se pega trocando marchas no câmbio manual de cinco velocidades para manter o giro acima de 3,000rpm e deixar o turbo sempre “cantando”. Curiosamente, a Suzuki nunca divulgou o 0-62mph do Jimny padrão, mas agora existe uma sensação real de urgência - o que deve tornar esse número bem menos constrangedor.
E você disse que agora ele faz curva bem também?
Falando com objetividade, dizer que ele faz curva “bem” talvez seja exagero. Mas a interpretação da Twisted para o Jimny é divertida demais. Continua sendo um carro relativamente alto e com entre-eixos curtíssimo, só que a suspensão caprichada e a nova barra estabilizadora fazem com que ele contorne curvas com pouca inclinação. Em estradinhas apertadas de interior, é uma delícia para andar forte.
No asfalto, esses pneus mais “casca-grossa” não oferecem tanta aderência, então pequenas derrapadas com tração nas quatro e travadinhas de freio ajudam a criar aquele clima de mini carro de rali.
Ainda assim, ele segue confortável, mantém bem o embalo, continua fazendo média de 30mpg (cerca de 10,6 km/l) e nem precisa de freios reforçados para parar. A gente ficou bem impressionado.
Parece ótimo. Quanto custa?
Dirigir o Jimny turbinado é uma festa. Só que existe uma pedrinha no caminho: o preço. O Suzuki Jimny by Twisted parte de £49,500 + VAT (como é um veículo comercial, dá para recuperar o imposto) já com os upgrades de performance. É um valor bem acima do preço-base de £21,099 - mas, por outro lado, o carrinho é completamente transformado. E um Defender 90 com algumas modificações da Twisted pode tranquilamente passar da casa de seis dígitos.
Talvez a gente continue repetindo para si mesmo que £50k é “um bom negócio”…
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