O que é um "Dacia Jogger Extreme SE"?
Um ponto de viragem para a marca romena. Depois de anos a vender mobilidade barata e sem firulas, a Dacia resolveu largar as algemas do orçamento apertado e se atirar, de uma vez, ao único território que ainda não tinha dominado.
Repare bem no nome: este é, ao pé da letra, o Jogger mais "extremo" que a Dacia já colocou na rua.
Calma aí: meteram um V8 gigantesco na frente e instalaram eixos pórtico?
Não.
Então o que é, exatamente, este carro?
É um Dacia Jogger - não esqueça: o sete-lugares mais barato do Reino Unido - agora com bancos dianteiros aquecidos, tapetes novos com a marca estampada, navegação por satélite e alguns retoques visuais.
Para os padrões da Dacia, esse pacote de "luxos" é mesmo extremo, tanto que transforma esta perua familiar de tom bronzeado no topo da gama.
E, sim, fica caro também.
Caro mesmo?
Dentro do universo Dacia, sim. O Extreme SE parte de £17,395, e o carro de teste do TopGear.com estava, literalmente, ENTUPIDO de opcionais. Coisas como pintura metalizada (£595) e estepe (£300).
Na verdade, é só isso: são os únicos itens opcionais disponíveis. Nem dá para pedir "borda do barco" nenhuma - não que isso fosse fazer sentido.
Ainda assim, no mundo real, continua sendo um achado?
Com certeza. Dê as boas-vindas a um dos carros novos mais surpreendentes à venda no Reino Unido hoje. É quase inacreditável que, em 2022, exista um fabricante oferecendo sete lugares, quase 48 mpg (cerca de 17 km/l), baixo CO₂ e exatamente o nível certo de tecnologia, tudo num carro de cinco portas, por menos do que um Vauxhall Corsa.
O Extreme SE não muda drasticamente o que o Jogger entrega quando comparado ao acabamento intermediário "Comfort" - que provavelmente será o preferido da maioria -, mas o equipamento extra é bem-vindo. Afinal, quem é que não gosta de um tapete com logotipo?
Justo. É difícil dizer não a um tapete bem colocado e com marca. O motor é o mesmo?
É o mesmo, e não é o conjunto mais "sem esforço" que você vai encontrar. O três-cilindros 1,0 litro turbo a gasolina entrega 108 bhp e 147 lb ft de torque, e dá para sentir cada cavalo sendo arrancado dele. A faixa de força é tão estreita que você pisca e perde o torque, e a entrega não é exatamente linear.
Só que, ao mesmo tempo, você não vai ligar nem um pouco para a linearidade - e faz bem em evitar qualquer pessoa que tente discutir isso no contexto de um Dacia Jogger Extreme SE.
Pretendo fazer exatamente isso.
Antes de ir, mais algumas CONSIDERAÇÕES. Com o pacote completo, ele acelera com correção, e, depois que estabiliza em velocidade de cruzeiro, você nem diria que está sendo empurrado pelo equivalente a combustão de um Scrappy Doo. O câmbio manual de seis marchas (única opção, assim como o motor 1,0) tem engates macios e tranquilos. A embreagem também é leve. A direção, idem. Aliás, a sensação dominante em todos os comandos mecânicos é justamente a leveza.
E faz sentido: é um carro muito, muito leve. Acredite se quiser, o Jogger pesa apenas 1.205 kg - algo próximo do peso de um compacto pequeno típico. Isso ajuda a explicar como ele chega, com folga e sem drama, aos 48 mpg.
A suspensão é suave e confortável, e o comportamento em curvas é correto e sem frescura; dá até para se divertir um pouco explorando os limites da dinâmica. Mas, de novo, você não vai se importar com os "limites da dinâmica".
Por dentro, o clima lembra um carro de uma década atrás - os bancos são bons, mas não os mais confortáveis -, porém o conjunto passa robustez. Vale refletir por quanto tempo dura a novidade do "carro barato". Alguns gráficos da tela também têm cara de "meu primeiro multimídia", mas, outra vez, talvez isso nem importe.
Mais alguma coisa a acrescentar?
A diferença na parcela mensal entre o acabamento de entrada (Essential) e este Extreme não é grande. A Dacia fala em £225 por mês para o Extreme, contra £196 por mês no Essential, e apenas £215 por mês no "Comfort" no ponto certo.
No fim, não há nada realmente "extremo" no Extreme, e essa modéstia despretensiosa é até refrescante. Dito isso, uma opção de V8 turbo com eixos pórtico não faria mal a ninguém.
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