Esta avaliação foi publicada originalmente na edição 168 (2007) da revista Top Gear
A Saab 9-3 e a mania de falar de aviões
Chega de aviões. Nós todos já sabemos que a Saab também fabrica aeronaves, porque a Saab faz questão de repetir isso a toda hora. Quase dá para imaginar que o novo 9-3 viria com um mapa de saídas de emergência e saquinhos de enjoo no bolso do banco. Já se passaram seis décadas, Saab. A Volvo já fabricou rolamentos, mas não fica enfiando isso goela abaixo.
Então, por favor, não venha dizer que a nova dianteira do 9-3 foi "inspirada em linhas de aeronaves". Tudo bem: o capô tipo concha e os vincos mais marcados deixaram o visual mais afiado, mas "um pouco mais interessante do que mais um maldito Série 3" já explicava o recado.
Design do Saab 9-3 SportWagon: dianteira e traseira retocadas
Pelo menos os designers tiveram a disciplina de não colar um par de "óculos" cromados no estilo 9-5 e preferiram uma faixa de luz "sobrancelha" no topo dos faróis dianteiros. Atrás também houve ajustes: as lanternas com acabamento fosco destacam o perfil fastback da SportWagon.
Só que esse visual tem um preço: o desenho sacrifica espaço para bagagem na traseira. O porta-malas do 9-3 é perceptivelmente menor do que o de uma 3 Series Touring - mas você já sabe a solução. Compre um cachorro menor. Porque o 9-3 ficou bonito e não parece um avião. Então, Saab, fale do resto em que você é boa. Tipo turbos.
Motor 1,9 TTiD biturbo: funcionamento e consumo
E, sim, turbos em dose dupla. O 9-3 é o primeiro carro executivo a receber um motor turbodiesel de dois estágios, e o 1,9 litro TTiD é um espetáculo.
Uma turbina menor enche até 1.500rpm; daí, a turbina maior entra em ação, trabalha em conjunto com a menor e, acima de 3.000rpm, assume sozinha. Resultado: 90 por cento do torque de 320 Nm do 9-3 aparece já a 1.750rpm, trazendo força de sobra bem cedo, lá em baixo no conta-giros. E mesmo não sendo tão silencioso quanto um BMW 320d, o TTiD roda discreto o suficiente - e é impressionantemente económico: consegui passar de 17,7 km/l sem nem chegar perto da sexta marcha.
Cabina, comandos e comportamento em estrada
Fora do cofre do motor, o 9-3 não convence no mesmo nível. A qualidade dos comandos e o interior de estilo "cockpit" (palavras da Saab, claro) ainda têm mais cara de Vauxhall do que de Louis Vuitton. E em estradas suecas perfeitas, a suspensão também parece um pouco macia demais.
Mas é justamente essa maciez que define o temperamento do 9-3. Sim, direção e travões são suaves em vez de cirúrgicos, porém devolvem uma sensação quase hipnótica de calma - especialmente na autoestrada.
Com a cara renovada e o diesel finalmente bem acertado, o 9-3 vira uma alternativa plausível ao cardápio alemão onipresente dos executivos. Calços fora.
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