O que é a Everrati?
A Everrati é uma empresa britânica que pega carros clássicos, remove todo o trem de força a combustão e faz a conversão para propulsão elétrica. Até agora, ela já eletrificou um Mercedes Pagoda, um Porsche 911 da geração 964 e um Land Rover Series II - e, pelo que dá para perceber, o público curtiu o resultado. A proposta da marca é dar um “futuro” a carros antigos num cenário em que, aos poucos, vai ficar mais difícil abastecê-los ou, em certos ambientes, ser visto queimando dinossauros espremidos.
E eles fizeram isso com um GT40?! O QUÊ?
Calma lá. Enquanto existem mais de um milhão de 911 espalhados pelo mundo, GT40 não tem nem de perto nessa quantidade. Por isso, a Everrati se associou à empresa norte-americana Superformance, que produz carros “continuation” novos, sob licença. Ou seja: o GT40 que está recebendo o tratamento da Everrati não é um original sagrado que venceu Le Mans nem nada do tipo. É um carro novo.
Ufa! Quais são as especificações, então?
Como ainda se trata de um protótipo, o que existe aqui são metas - mas a equipe da Everrati diz estar chegando lá. A mira é 800bhp, 590lb ft, 0-62mph em menos de quatro segundos (0–100 km/h em menos de quatro segundos), 125mph (cerca de 201 km/h) e mais de 125 miles (aprox. 200 km) de autonomia por carga com uma bateria de 60kWh. No papel, é bem respeitável, não?
Por enquanto, o carro roda com 650bhp, o que já é bastante - ainda mais quando a Everrati afirma que ele é 47kgs mais leve do que um equivalente com V8. Sem colocar o carro numa balança, resta aceitar a palavra deles.
Falando em V8… onde vai toda a parafernália das baterias?
O chassi da Superformance sem motor foi escaneado; essas imagens foram para o computador; e aí uma turma de óculos finos fez as contas para decidir o melhor lugar para acomodar baterias, motor e o restante do conjunto. Assim como no GT40 a gasolina, o ponto ideal são as enormes soleiras laterais: não havia espaço sob o assoalho - senão, ele não seria um ‘40.’
O motor elétrico fica na traseira, do mesmo jeito que um V8 ficaria, e a força vai para as rodas traseiras por meio de uma caixa Hewland de uma marcha. No resto, o carro permanece praticamente como é. O quadro de instrumentos troca parte da “vida a óleo” por leituras elétricas, mas a ideia geral continua toda lá.
O que mais muda no interior?
Para começar, não existe alavanca de câmbio manual. No lugar, há uma alavanca automática que alterna entre drive e ré. E, claro, não há pedal de embreagem: a Everrati simplesmente tirou isso do conjunto da Superformance. Já o acelerador e o freio ficam bem próximos; então vale usar sapatos finos - a menos que você esteja mesmo querendo enfiar os dois até o fundo ao mesmo tempo.
Também há alguns comandos com cara de protótipo aqui e ali que devem desaparecer quando o carro estiver pronto para chegar às mãos dos clientes. E é impossível ignorar como o couro é bom: tem couro a perder de vista no interior, a ponto de ser difícil achar uma superfície que não tenha “pele de vaca” colada.
E como ele é ao volante?
Se você for alto, esqueça: não vai rolar. As medidas são exatamente as de um GT40 original, o que significa aperto mesmo para quem tem estatura média. Você precisa se esticar por cima das soleiras, passar as pernas por baixo do volante e torcer para não ter de sair às pressas. Como no original, a porta leva um pedaço do teto, então é bom não se acertar ao fechá-la. Lá dentro, é… justo. A soleira larga dá um lugar para o cotovelo direito, mas o esquerdo pode acabar entrando na área do passageiro.
Se você der sorte e cumprir todos os requisitos para caber ali, a diversão é garantida. Tudo bem, são 650bhp dos 800 prometidos, mas, considerando que o carro é pequeno e mais leve do que um EV comum graças ao pacote de bateria menor, isso já passa e muito do suficiente. Sim, todo elétrico tem o truque de ‘pisar e ir’, mas aqui ele é realmente rápido.
A Everrati ainda está refinando a dinâmica, e no futuro ele deve vir com um sistema de amortecedores adaptativos; do jeito que está… não é uma condução ruim. O volante tem um peso honesto, e dá para sentir o que a dianteira está fazendo sem grande esforço. Direção e freios não recebem essas assistências moderninhas, então convém não ter faltado à academia: faça umas roscas para bíceps e não pule o treino de perna.
A Everrati ainda colocou um gerador de ruído “de V8” meio estranho, mas dá para (e você deveria) desligar. Com isso fora, o carro segue com um zunido futurista bem apropriado.
E quanto custa essa brincadeira?
Fica em, bem, £440,000 (mais impostos locais). É dinheiro demais. A justificativa da Everrati é que o carro passa por testes e desenvolvimento em padrão de OEM, e que não é simplesmente “esvaziar” um carro, enfiar um motor e torcer para dar certo. Aliás, o próximo destino é os EUA, para testes em clima quente.
Vale a pena?
Você precisa estar muito dentro da ideia para ‘entender’. Para alguns, um GT40 sem V8 não vai “descer”, mas, se a sua meta é rodar de GT40 com (quase) zero culpa, isso aqui parece um caminho bem promissor.
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