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Teste do Toyota RAV4 Hybrid: o SUV híbrido que foge do óbvio

Carro SUV branco Toyota RAV4 em curva de estrada asfaltada cercada por grama verde e seca.

Um rosto novo com jeito de stormtrooper

Alguém na Toyota, pelo jeito, assistiu a Star Wars: O Despertar da Força e se inspirou sem pudor na dianteira redesenhada. A cara fechada e a profusão de LEDs do Toyota RAV4 reestilizado até chamam atenção - lembra um stormtrooper, não lembra? -, mas isso não é o ponto principal.

Também não é a notícia mais relevante o fato de existir um motor diesel mais forte e mais eficiente para levar sob o capô. E olha que muita gente no Reino Unido que compra crossover adora um diesel cheio de torque e econômico.

Toyota RAV4 Hybrid: a aposta que os rivais ainda não fizeram

O que interessa aqui é o RAV4 híbrido. Entre os concorrentes diretos - Ford Kuga, Honda CR-V e Kia Sportage -, sem falar em Audi e BMW, ninguém oferece (ainda) um sistema híbrido num crossover desse porte. Na prática, o único com proposta parecida é um parente próximo: o Lexus NX, famoso por ser o queridinho do will.i.am.

Diante disso, a Toyota pode ter encontrado um filão de genialidade ainda pouco explorado… ou então existe um motivo para quase ninguém ter tentado fazer um crossover híbrido antes.

Versatilidade sem sacrificar espaço

Versatilidade não parece ser o problema. Dá para escolher o RAV4 Hybrid com tração dianteira ou, como o carro deste teste, com tração nas quatro rodas.

E o pacote não “come” o porta-malas com uma bateria grande e desajeitada: o espaço continua íntegro, e o banco traseiro segue bem folgado. Para completar, ele também não é absurdamente lento.

Desempenho: rápido para a linha RAV4, mas sem exageros

“Finalmente, um SUV híbrido de desempenho…” Calma lá.

O RAV4 Hybrid é o mais rápido da família RAV4, somando 195bhp do motor 2,5 litros a gasolina (mais motores elétricos dianteiro e traseiro). Isso é suficiente para ir de 0 a 62mph (aprox. 100 km/h) em 8.4 segundos. Tudo bem, não é um Bentayga - mas ainda assim fica 1.2 segundos mais rápido do que o RAV4 diesel.

E, considerando que o câmbio CVT “elástico” deixa parte da força escapar, não dá para desprezar o resultado.

Consumo e modo elétrico: na teoria é simples, na prática exige paciência

Em economia, o brilho diminui. Vale lembrar: é um híbrido leve, não um híbrido plug-in. Ou seja, a única energia disponível nas baterias é aquela que você conseguiu recuperar usando os freios regenerativos - macios demais e com uma sensação pouco natural.

Assim, em vez de medir a distância percorrida em modo elétrico (EV), você acaba contando segundos: três aqui, cinco ali. O tempo todo, é preciso acariciar o acelerador como se fosse feito de casca de ovo e tentar ignorar a fila crescendo no retrovisor enquanto o RAV4 vai se arrastando até 30mph (cerca de 48 km/h). E, com 1775kg sem o motorista, não espere que ele seja um carrinho ágil para ziguezaguear pela cidade se você insistir em não acordar o motor a gasolina.

A proposta, porém, é outra: você dirige normalmente e a “inteligência” do carro decide quando a força elétrica deve atuar sozinha e quando é hora de queimar combustível fóssil sem dó. Certo.

Como o escritório da TopGear fica em Londres, bastou sair para um atalho urbano e depois dar uma volta na North Circular para entender rapidamente onde o RAV4 se sai bem no uso citadino. Com o pé leve, ele passa de 40mpg (aprox. 14,2 km/l) num trajeto típico. Um diesel talvez consiga algo parecido nas mesmas condições - mas pense na fumaça que você estaria deixando para trás, seu monstro…

Funciona? Sim, mas o acerto dinâmico atrapalha

Se a ideia é um carro de família para ser usado principalmente na cidade, você provavelmente não quer um RAV4. Não porque ele seja grande e difícil de manobrar - é quase o contrário -, e sim porque o conforto de rodagem não dá conta do recado.

Em quinas, remendos e irregularidades mais secas, ele simplesmente não “absorve”: cada ondulação e buraco leve fazem a carroceria transmitir um impacto oco e rangente. No trânsito urbano, passando por tampas de bueiro, emendas de asfalto e lombadas, a experiência vira um caos. Levar um 4x4 para a cidade sempre teve um quê antissocial, mas normalmente o incômodo maior é para quem está fora do carro - não para quem está dentro.

Para piorar, a direção elétrica muda de peso de forma inconsistente, como um ioiô. E fica a pergunta: por que um carro com suspensão dura demais para ser confortável na cidade rola tanto nas curvas e ainda “quica” apoiado nas molas, como um lowrider californiano?

A sensação é que o pessoal do powertrain fez exatamente o que queria - e depois passou o pacote para a equipe de chassi, que parece ter perdido de vista qual era a intenção de um híbrido.

Preço: não é barato

Em uma versão bem equipada “Excel” como esta, prepare £31,490. Por esse valor, daria para levar um Renault Kadjar ou um Honda CR-V igualmente completos e mais tranquilos para a rotina urbana.

Eles não fazem o truque do RAV4 de andar em silêncio e sem poluição em velocidade de pedestre. Por outro lado, tendem a ser mais fáceis de conviver em todo minuto em que você não está parado num congestionamento pesado.

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