Proposta do Hyundai i20 Active e a onda do “falso 4x4”
Barras de teto! Para-choques parrudos! Mais um “falso 4x4”? Sim.
Lá em 2003, a Rover já tinha feito algo parecido ao transformar o 25 no Streetwise - e acabou virando motivo de muita gozação.
Só que, cerca de uma década depois, esse tipo de receita passou a ser visto como algo desejável e, para quem fabrica carros de grande volume, quase obrigatório. O mercado de utilitários compactos virou um ímã de dinheiro grande demais para ser ignorado. Dá para chamar isso de “efeito Juke”.
É nesse cenário que entra a leitura da Hyundai: o i20 Active, lançado junto do esperto motor turbo de 1,0 litro da marca coreana. E há um ponto importante: ele é vendido apenas com esse conjunto e sempre com tração dianteira. Nada de 4x4 - nem mesmo como opcional.
O que muda no i20 Active (altura, acabamento e praticidade)
Em relação ao i20 de cinco portas que serve de base, o Active ganha 20mm a mais de altura livre do solo. Além disso, o banco do motorista fica um pouco mais elevado para melhorar a visibilidade. Por fora, mais de 50% dos painéis externos são substituídos por peças com aparência mais robusta.
Há proteções inferiores (tipo “peito de aço”) na dianteira e na traseira, mas a recomendação não é encarar trilhas com ele: apesar das barras de teto, é difícil imaginar muita gente levando bicicletas por montanhas galesas ou transportando guarda-roupas de volta da B&Q.
Ao volante e o motor 1,0 turbo do Hyundai i20 Active
Na prática, ele se comporta muito parecido com o i20 de cinco portas e com o cupê - e isso é um elogio, porque o conjunto é competente. Pode surpreender saber que a suspensão do Active é a mais firme de toda a família i20; a ideia é dupla: reduzir a rolagem da carroceria que a altura extra poderia causar e, ao mesmo tempo, agradar o público mais jovem que a Hyundai quer atrair.
Como em outros Hyundai, também houve fase de desenvolvimento com voltas no Nürburgring. Direta ou indiretamente, o resultado no comportamento merece crédito: o i20 faz curvas com boa aderência e a direção tem peso bem calibrado. Ele não vai fazer você rir alto como um Fiesta ou um Mini jogados em estrada sinuosa, mas é suficientemente esperto para o público a que se propõe.
Dá até para dizer que, em alguns momentos, ele é “nervoso” demais, porque pode mostrar um leve descontentamento quando encontra valetas e irregularidades realmente severas. Ainda assim, no balanço geral, é um carro fácil de conduzir.
Quanto ao motor, no i20 cupê ele já era mais um exemplo de três-cilindros 1,0 turbo virando a melhor escolha da linha logo no lançamento. E isso importa aqui, porque no Active não há alternativa: é exatamente esse motor que você leva.
A Hyundai vende o Active exclusivamente com a configuração mais “magra”, de 98bhp (aprox. 99 cv), mas ela continua sendo uma unidade forte - com boa resposta no miolo do conta-giros que se usa no dia a dia - e com 50mpg no uso real perfeitamente atingíveis (cerca de 17,7 km/l).
Nessa calibração, ele vem apenas com câmbio manual de cinco marchas, e em viagens a velocidade alta você pode sentir falta de uma sexta. Em compensação, quando você estica as rotações, o motor mantém um borbulhar agradável.
Preço e rivais: onde o i20 Active se encaixa
Dizer com certeza se ele é melhor do que os concorrentes é difícil, porque o grupo de rivais é amplo demais. De um lado, estão Nissan Juke, Renault Captur e Fiat 500X - modelos com muitas opções de personalização e com a estética tão prioritária quanto a dinâmica.
Do outro, há Suzuki Vitara, Fiat Panda 4x4 e Dacia Duster, que oferecem tração nas quatro rodas e alguma capacidade real fora de estrada, fazendo mais sentido para quem realmente vive em regiões com caminhos muito enlameados ou invernos de geada intensa.
O i20, por £15,225, tenta brigar com todos eles. Só que ele não se encaixa totalmente em nenhum desses dois grupos e, ao lado de vários concorrentes, transmite uma sensação mais prosaica de construção. Ainda assim, existe uma procura clara por carros desse tipo, e a sensatez inabalável do modelo - especialmente a garantia de cinco anos - pode ser o fator decisivo para alguns compradores.
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