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Reestilização da BMW Série 3: a BMW está sentindo o calor?

Carro azul BMW sedan circulando em estrada sinuosa com montanha rochosa ao fundo.

Reestilização da BMW Série 3: sinal de pressão?

Uma reestilização da Série 3? A BMW está sentindo o calor?

Com o Jaguar XE recém-chegado e o novo Audi A4 a caminho, dá para imaginar alguém desconfiado dizendo que mexer na Série 3 agora seria um sinal de nervosismo da equipa de Munique. Por outro lado, praticamente todo carro passa por uma atualização no meio do ciclo - então, cedo ou tarde, a “3” seria retocada de qualquer forma. Esta reestilização, aliás, cai junto com o 40º aniversário da Série 3. Mesmo com a BMW a lançar uma infinidade de outros modelos, a Série 3 ainda responde por um terço de todos os BMW produzidos e vendidos a cada ano.

Motores novos: gasolina e seis-em-linha 340i

O que muda?

A maior novidade está nos motores. E, tratando-se da Bayerische Motoren Werke, isso entra no que se poderia chamar de competência central.

Um deles estreia um emblema novo na traseira: 340i. Para quem gosta de história, vale notar o peso de uma nova geração de seis-em-linha da BMW: este 3,0 litros turbo aparece pela primeira vez em qualquer modelo. Ele entrega 326 bhp (aprox. 331 cv). Na prática, é o último sobrevivente da grande linhagem de Série 3 a gasolina com seis cilindros em linha. O 330i passa a ser um quatro-cilindros 2,0 litros, tal como o 320i. Já o 318i vira um três-cilindros, com 136 bhp (aprox. 138 cv). É, em essência, metade do novo motor do 340i e tem parentesco próximo com o conjunto do i8 e do Mini Cooper.

Diesel, equipamentos e mudanças visuais

Mas não é verdade que toda a gente compra os diesel?

O diesel 2,0 litros de quatro cilindros também é totalmente novo na Série 3 - embora, de novo, já tenha dado as caras noutros carros, como, por exemplo, a Série 2 Active Tourer. Eu mesmo acabei de experimentá-lo no novo X1. Na Série 3, ele é oferecido em nada menos que seis níveis: 16d, 18d, 20d, 20d ED e 25d. É um adversário duro para o novo motor Ingenium da Jaguar.

O único motor que segue sem mudanças é o seis-em-linha diesel, nas versões 30d e 35d. O 335d é apenas XDrive e custa pouco mais do que o 340i, oferecendo quase a mesma potência, muito mais binário (torque) e melhor economia. A minha aposta é que o 340i vai ser uma espécie rara no Reino Unido.

E a reestilização em si?

Repare nas luzes diurnas em LED e no desenho dianteiro levemente retrabalhado. Por dentro, houve um discreto refresco: apliques decorativos diferentes, mais algumas peças com toque macio e um pouco de cromado aqui e ali. O equipamento de série mais importante que chega é a navegação para todos. Entre os opcionais novos, entram faróis de LED adaptativos com antiofuscamento e estacionamento automático.

Chassi e direção: ajustes e dúvidas ao volante

Mas imagino que deixaram o excelente chassi quieto, certo?

Não deixaram. A BMW procurou melhorar a dinâmica sem sacrificar o conforto. Para isso, reafinou o chassi como um todo e também introduziu uma nova calibração da direção elétrica, que - segundo a marca - deve trabalhar em conjunto com as demais mudanças para entregar mais sensibilidade.

E como é o novo seis-em-linha a gasolina?

Muito, muito bom. Em alta, ele é realmente sério: potência farta ao longo do conta-giros e um ronco que arrepia, mas de forma controlada. Ao mesmo tempo, ele transborda torque no meio das rotações, então dá para ir “deslizando” com suavidade e ainda assim avançar a um ritmo bem épico. Um resfriador de carga água-ar, no lugar de um intercooler ar-ar, é uma das soluções para reduzir o atraso do turbo, mas ele não desapareceu por completo abaixo de cerca de 3000. Ainda assim, dali até 7000 rpm, só há boas notícias. O câmbio automático de oito marchas também acompanha tudo no compasso certo.

E as mudanças no chassi?

A BMW repete que quis mais dinâmica sem perder conforto. Eu conduzi um carro com amortecedores adaptativos opcionais. As configurações “conforto” e “esporte” ficaram mais distantes entre si do que antes. Só que o “esporte” não deixa o chassi relaxar quando se conduz de forma mansa, e o “conforto” não controla bem o suficiente quando você força o ritmo. Resultado: acabei a alternar entre os modos na entrada e na saída de cada cidadezinha e aldeia. Ora. Não era para um sistema adaptativo, bem… adaptar? Ainda assim, é impossível esquecer a agilidade refinada, a progressividade fácil e o equilíbrio soberbo que estão no DNA da Série 3.

E a direção, mudou para melhor?

Ela levanta mais perguntas do que entrega respostas. Sim, há precisão e sensibilidade fantásticas quando se exige bastante em pisos lisos. Mas também aparece muita interferência de irregularidades, tendência a seguir a cambagem e mudanças estranhas de peso quando o asfalto não está perfeito. A Série 3 sempre sofreu um pouco com isso, e a estabilidade serena de um Jaguar XE num piso tipicamente esburacado mostra que existe outro caminho.

Voltou a esquentar? A Série 3 sob concorrência

Então, voltando à primeira pergunta: a Série 3 está sentindo o calor?

É bem possível.

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