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Renault Austral: por que o SUV full-hybrid de 200 cv merece mais destaque

SUV elétrico Renault Austral 200 branco em salão moderno com teto preto e rodas pretas e prata.

Lançado em 2022 e reestilizado no ano passado, o Renault Austral segue sua trajetória sem muito alarde, frequentemente ofuscado pelo Peugeot 3008. Uma pena, porque esse SUV de perfil comportado esconde qualidades que pouca gente imagina.

Eu não esperava um teste particularmente memorável. Para mim, o Renault Austral era o típico carro que tenta agradar a todos, sem se destacar como referência absoluta em nada. Que engano! Depois de guiá-lo no Sudoeste da França, entre Toulouse e Aignan, esse SUV simpático mostrou que pode ser um excelente parceiro de viagem. Tão equilibrado que fica a dúvida: por que o Austral não passou por cima do Peugeot 3008 em termos de vendas? Na prática, os motivos aparecem rapidamente.

Menos provocador que o Peugeot 3008, o Austral aposta na discrição

Após visitar o museu Aéroscopia e entrar no lendário Concorde, damos de cara com o nosso exemplar em um tom de azul bem claro, na configuração intermediária Techno. Nada chama muito a atenção. É correto, mas não empolga - e é exatamente aí que ele sofre diante do 3008. O Peugeot faz mais “show”, com linhas mais afiadas que valorizam o visual de SUV cupê. O Austral, por sua vez, segue um caminho mais clássico e contido, ainda que o facelift tenha trazido um pouco mais de personalidade.

O efeito Android Automotive: por que a Renault dá uma aula de ergonomia aos rivais

Dentro, a lógica se repete: a cabine prioriza a facilidade de uso, em vez de apostar tudo no estilo. As telas de 12 e 12,3 polegadas respondem bem, são simples de operar e fáceis de ler. Faz sentido: o sistema roda Android Automotive, o que garante uma experiência de uso exemplar. Não há complicações desnecessárias - funciona bem em praticamente tudo. A navegação, que é o próprio Google Maps, é referência. E, para completar, há mais de 100 aplicativos disponíveis para baixar na loja.

A ergonomia também agrada com comandos físicos dedicados ao ar-condicionado, além de botões de verdade no volante. Os assistentes de condução podem ser desativados rapidamente por um seletor à esquerda do motorista - algo que muitos concorrentes deveriam copiar. O único ponto que irrita fica à direita da coluna de direção, onde a Renault decidiu empilhar três alavancas. É fácil se confundir entre câmbio, limpadores e multimídia.

200 cv full-hybrid: o único motor que manda Tiguan e 3008 voltarem para a sala de aula

O acabamento fica na média do segmento. Encaixes e materiais são bem resolvidos, inclusive nesta versão Techno (intermediária). Só o forro do teto passa uma sensação mais “econômica”. Nesse quesito, ele não chega ao nível do 3008. Em compensação, tecnicamente ele dá o troco: como o Austral jogou fora as opções micro-híbridas no facelift, a linha passou a trabalhar com o conjunto full-hybrid de 200 cv, única escolha do catálogo. Foi uma decisão acertada, já que esse conjunto - que concentrava a maior parte das vendas antes da atualização - é realmente recomendável.

Vamos ao único ponto realmente negativo: o ronco do três-cilindros, que às vezes fica “girando no vazio” por cerca de dez segundos para recarregar a bateria de 2 kWh quando ela está no limite. É barulhento e desagradável, principalmente em marcha lenta com o motor frio. Passado esse momento, tudo melhora bastante. O Austral sai em silêncio e consegue manter o modo elétrico por um bom tempo. Como a bateria tem um tamanho relevante e os dois motores elétricos dão conta do recado, é fácil rodar sem acordar o motor a combustão.

5,1 l/100 km e 4 rodas esterçantes: a arma secreta da Renault na estrada

Na cidade, ele se movimenta com muita suavidade. Já em estrada, as borboletas no volante para ajustar a regeneração em três níveis são um diferencial prazeroso. E o modo elétrico chega a aparecer por algumas centenas de metros até na rodovia - algo realmente impressionante. Isso aparece no consumo: média de 5,1 l/100 km no nosso trajeto de 130 km. Ok, o Austral é econômico. Mas como ele se comporta de verdade ao dirigir? Achamos ele mais ágil do que o 3008.

O motivo é claro: as quatro rodas esterçantes funcionam como um “código de trapaça” em estradas secundárias cheias de curvas. Em ritmo forte, o eixo traseiro ajuda a contornar as curvas com as rodas virando no mesmo sentido das dianteiras. A estabilidade surpreende, e a rolagem da carroceria fica bem controlada. Em condução mais tranquila, o destaque vai para o conforto da suspensão, que melhorou com o facelift. O Austral absorve melhor as irregularidades e se aproxima do que o 3008 entrega.

Um habitáculo ultra-prático estragado por um único compromisso lamentável

Em isolamento acústico, porém, ele fica devendo. O ruído de vento é considerável a 130 km/h, algo que não acontece no modelo de Sochaux. Não dá para disfarçar: a Renault economizou em materiais de isolamento. A caixa de câmbio com engrenagens de engate (dog clutch) também apresenta pequenos trancos nas reduções. É uma pena, porque o Austral chegou perto de uma nota perfeita.

No capítulo da praticidade, ele entrega muito com o banco traseiro deslizante. Há vários porta-objetos. O espaço é generoso - inclusive para cabeça e cotovelos - e os assentos têm bom apoio para as coxas. O assoalho quase plano ajuda. No porta-malas, ele encosta no 3008: são 527 litros com o banco traseiro recuado. Como adiantamos, o conjunto é bem homogêneo e há pouco a criticar. Isso também vale para os equipamentos: o pacote é bom, embora sem grandes inovações marcantes.

41 900 €: um full-hybrid de 200 cv pelo preço de um micro-hybrid de 130 cv

O nosso Austral Techno traz, entre outros itens, rodas de 19 polegadas, faróis em LED, carregador por indução, câmera de ré, ar-condicionado automático de duas zonas, acesso e partida sem chave e piloto automático adaptativo. Já é um conjunto bem completo para o dia a dia. Os preços parecem altos à primeira vista: 41 900 € na versão de entrada não é barato em termos absolutos, mas, quando comparado aos rivais, a oferta é honesta.

Com equipamentos semelhantes, Peugeot 3008 e Volkswagen Tiguan custam um pouco menos, saindo por 40 500 e 40 900 €, respectivamente. Só que ambos usam sistemas micro-híbridos de 145 e 130 cv, que não chegam perto do full-hybrid de 200 cv do Austral. O consumo tende a ser maior e o desempenho fica atrás. E, na cidade, a sensação de dirigir é bem diferente.

Nossa opinião sobre o Renault Austral

O Renault Austral continua vivendo à sombra do Peugeot 3008, que é mais chamativo. Para nós, isso é injusto, porque o SUV do losango é uma proposta superior. Em praticidade, dinamismo e tecnologia, ele leva vantagem com folga. A hibridização mais avançada também é um trunfo enorme, reduzindo sensivelmente o consumo. O único deslize sério está no isolamento acústico, tratado de forma econômica. É uma pena, porque o restante torna o carro realmente agradável.

Diante de um Peugeot 3008 com design mais sedutor, mas motores menos refinados, você escolheria este Austral mais homogêneo? Conte para a gente nos comentários!


Renault Austral Techno E-Tech 200

Preço: 43 100 €

Nota: 9

Verdict

9.0/10

Pontos positivos

  • Infotainment de qualidade
  • Hibridização eficiente
  • Modularidade bem avançada
  • Comportamento dinâmico seguro
  • Ergonomia simples e intuitiva

Pontos negativos

  • Isolamento acústico leve
  • Zumbido ocasional do motor a combustão
  • Qualidade da câmera de ré

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