Depois de estrear como elétrico, o BYD Atto 2 agora chega em versão híbrida plug-in. Com 90 km de autonomia elétrica e preço inicial abaixo de 27 000 €, o modelo chinês promete incomodar (e muito) os rivais. Vale partir para cima?
Sinceramente, dificilmente vai ser o visual que fará você se apaixonar. O BYD Atto 2 é o mais neutro possível e não arrisca nada no desenho. O Hadrien já o guiou duas vezes na configuração 100% elétrica, e esta nova variante híbrida plug-in não muda esse panorama. É tão discreto que beira o sem graça. Está dado o tom: alguns vão gostar, outros nem tanto. De todo modo, é na ficha técnica que o chinês realmente aparece frente aos concorrentes.
Até 90 km de autonomia elétrica por menos de 30 000 €
O Atto 2 DM-i começa em 26 990 € na versão Active. Nessa configuração, a bateria é de 7,8 kWh e promete 40 km rodando apenas no modo elétrico. O conjunto entrega 166 ch. Já a nossa versão Boost sobe para 29 990 €. Com 18 kWh, a bateria passa a ter mais que o dobro da capacidade e, na mesma linha, o alcance elétrico vai a 90 km sem acionar o motor a gasolina. A potência combinada chega a 212 ch. Pelo preço, é uma oferta muito bem posicionada. A pergunta é: a BYD economizou no restante para proteger a margem?
Na prática, não - e é aí que mora o “mistério”. O interior tem boa apresentação, com materiais de qualidade e bem montados. É tudo sólido, embora (de novo) sem muita ousadia. Um display central de 12,8 polegadas domina o painel. Com boa fluidez e cheio de recursos, a tela evolui ao trocar o GPS próprio (que deixava a desejar) pelo Google Maps.
Habitabilidade: um verdadeiro senso de acolhimento para viajar a cinco
Por outro lado, a ergonomia não é tão intuitiva, já que os menus exigem algum tempo de adaptação. Faltam botões físicos, especialmente para ventilação e para os assistentes de condução. O quadro de instrumentos de 8,8 polegadas reúne informação demais ao mesmo tempo, mas ao menos a velocidade aparece grande no centro - ainda bem. Ponto positivo também para o conforto dos bancos, tanto na frente quanto atrás, com assentos macios.
Espaço é o que não falta, ajudado por uma altura livre para a cabeça bem generosa. O espaço para as pernas não incomoda, e o assoalho é totalmente plano. Assim, levar cinco pessoas não vira sofrimento, ainda que o passageiro do meio no banco traseiro tenha de lidar com um encosto mais duro. E não pense que o porta-malas foi sacrificado: com 425 litros, ele se sai muito bem em um híbrido plug-in de 4,33 metros.
Ao volante: máxima economia, mas motor barulhento quando exigido
Embora o computador de bordo faça uma conta difícil de entender ao mostrar “0,9 kWh/100 km + 5,0 l/100 km = 5,3 l/100 km”, no nosso teste (com cerca de 100 km em uso misto) deu para rodar bastante no modo elétrico. Os 90 km de autonomia anunciados pela BYD parecem viáveis, desde que você pegue leve no acelerador. Em estrada, o modo Híbrido busca mais eficiência do que desempenho. Não é um defeito: é exatamente a proposta.
Já o motor 1.5 l não é dos mais discretos quando está em plena carga. Ele se faz ouvir nas acelerações, mas o incômodo diminui em velocidade constante - quando o ruído do vento passa a aparecer, principalmente no para-brisa bem vertical. Para garantir o máximo de silêncio, o ideal é recarregar o carro com frequência, como em qualquer híbrido plug-in. Com potência máxima de 6,6 kW, o carregador embarcado consegue reabastecer a bateria inteira em 3 horas. Está dentro do razoável.
Conforto: uma suspensão surpreendentemente firme para uma BYD
Na condução, o Atto 2 DM-i usa um acerto de suspensão mais rígido, o que ajuda a controlar a rolagem da carroceria. Como consequência, o conforto sofre um pouco em pisos ruins, com certa aspereza. Os bancos macios citados antes aliviam parcialmente, mas não resolvem tudo. Isso incentiva uma tocada mais animada? Não muito, até porque os bancos têm pouca sustentação lateral, para começar.
Além disso, a direção privilegia a leveza e entrega pouca consistência. Não dá vontade de “atacar”, e a posição de dirigir também não ajuda, já que o volante tem ajustes limitados. De qualquer forma, concordemos: o Atto 2 DM-i não tem pretensões esportivas. No que realmente importa, vale registrar que o freio é fácil de modular em qualquer situação. A regeneração, por sua vez, permite ajuste em vários níveis.
É na cidade que o chinês convence mais, graças ao porte compacto e ao formato mais “quadradão”, que ajuda a reduzir pontos cegos. A visibilidade ao redor é um dos seus pontos fortes e, se isso ainda não bastar, a câmera 360° de ótima qualidade traz uma dose extra de segurança. Só é uma pena a suspensão ser dura sem necessidade. Por que optar por esse acerto quando outros modelos da marca se destacam pela maciez exemplar?
Generosidade chinesa: pacote de equipamentos ultra completo desde a versão de entrada
O que permanece “da família” é a lista de equipamentos, bem recheada. O Atto 2 DM-i de 26 990 € já traz a dupla de telas, sensores e câmera de ré, ar-condicionado automático, faróis em LED e rodas de 16 polegadas. O nosso topo de linha de 29 990 € acrescenta teto panorâmico, rodas de 18 polegadas, bancos dianteiros e volante aquecidos, revestimento em “couro” sintético, câmera 360°, controle de cruzeiro adaptativo e banco do motorista com ajuste elétrico.
Nessa faixa de preço, o BYD Atto 2 DM-i praticamente não encontra rival direto. A Citroën até oferece um C3 Aircross por 26 600 €, mas a micro-hibridização dele não se compara ao sistema híbrido plug-in do chinês. A Renault chega perto com o Symbioz full-hybrid, porém o francês é bem mais caro, partindo de 34 400 €. Apenas o Leapmotor B10 e-Hybrid poderia brigar de igual para igual, mas seus preços ainda não foram divulgados. Em resumo: o Atto 2 DM-i é um negócio.
Nossa opinião sobre o BYD Atto 2 DM-i
O BYD Atto 2 DM-i não tem muita personalidade - e é por isso que ele não seria a minha primeira escolha. Ainda assim, para quem busca um híbrido plug-in com preço agressivo, ele tende a ser uma opção segura. Melhor ainda: a boa autonomia elétrica dá liberdade para rodar com tranquilidade, enquanto praticidade e equipamentos estão à altura. Eu só gostaria de ver mais dinamismo, uma suspensão mais suave e um motor a combustão com menos “manha” quando exigido. Pelo valor pedido, dá para perdoar.
E você, estaria disposto a se render a este BYD Atto 2 por menos de 27 000 €, ou prefere confiar nas marcas europeias mesmo com preços mais altos? Deixe sua opinião nos comentários!
BYD Atto 2 DM-i Boost
29 990 €
8
Veredito
8.0/10
Gostamos
- O preço realmente apertado
- A autonomia elétrica elevada
- A boa habitabilidade
- O pacote de equipamentos farto
Gostamos menos
- A suspensão um pouco seca
- O dinamismo abaixo do esperado
- A ergonomia relativamente complicada
- Os ruídos do motor a combustão
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário