Híbrido plug-in, certo?
Certo. A Mercedes está a caminho de ter um sedã totalmente elétrico do porte da Classe E - o EQE, montado sobre a mesma plataforma modular do chamativo EQS -, mas não é disso que estamos falando aqui.
O assunto é este: a Mercedes Classe E reestilizada, na configuração híbrida plug-in "E300 e". Ela combina um motor a gasolina 2.0-litre com uma bateria de 13.5kWh para entregar, no total, 316bhp/516lb ft de força (cerca de 700 Nm). A marca divulga até 35 miles (aprox. 56 km) de autonomia elétrica e 37g/km de CO2. No desempenho, o 0-62mph (0–100 km/h) acontece em 5.7 seconds, então ela anda bem.
Existe também a "E300 de". É o mesmo carro e o mesmo conjunto híbrido, só que acoplado a um motor 2.0-litre diesel de combustão interna. Os números de desempenho/consumo ficam em patamar semelhante, mas ela custa cerca de £1,200 a mais se você for comprar à vista. Em compensação, dá para escolher carroceria perua, enquanto a híbrida a gasolina fica restrita ao sedã - por algum motivo.
De todo modo, se a ideia é usar uma Classe E plug-in como carro de empresa, a economia em imposto de Benefício em Espécie (BiK) frente a uma Classe E a gasolina ou diesel sem eletrificação pode chegar a milhares. É a escolha mais óbvia.
Mercedes-Benz Classe E plug-in: modos, uso e recarga
É complicado?
Por dentro, é um sistema bem complexo - mas a "E300 e" consegue esconder essa complexidade do motorista melhor do que muitos outros híbridos plug-in. Para a maioria das pessoas, isso é ótimo.
Na Classe C plug-in (da geração anterior), por exemplo, há duas chaves de modo: uma dedicada ao sistema híbrido (elétrico, manter bateria e afins) e outra para alternar entre Esportivo, Conforto e por aí vai. Na Classe E, fica tudo concentrado em um único seletor. Você perde um tiquinho de capacidade de ajuste fino, porém ganha um carro que dá para entrar e dirigir sem ficar pensando o tempo todo em trocar modo para extrair o melhor.
Ainda assim, dá para mandar o carro guardar energia para depois ou, ao contrário, gastar tudo; e também alternar entre os modos Esportivo e Conforto quando quiser. Na prática, o melhor é deixar em Conforto e permitir que o carro faça o trabalho sozinho.
E vale a regra de ouro: mantenha o carro carregando sempre que estiver em casa (e no trabalho, se der). Do contrário, o conceito perde sentido. Uma carga completa leva cerca de 90 minutes em um carregador de parede de 7kW, ou five hours em uma tomada comum de três pinos.
Como a Classe E E300 e dirige no dia a dia
Como ela anda?
O funcionamento do híbrido é bem refinado: você praticamente não percebe o câmbio automático de nove marchas trocando, nem o motor a combustão ligando e desligando. O que pode acontecer é você ouvir - o 2.0-litre a gasolina tem um timbre que lembra um diesel de quatro cilindros, especialmente sob carga, algo que fica mais evidente porque muitas vezes você está rodando só com o motor elétrico.
Esse motor elétrico, aliás, entrega 120bhp sozinho. É vigoroso o bastante para arrancadas espertas em rotatórias movimentadas e encara rodovias e estradas secundárias rápidas sem pedir ajuda ao motor a gasolina. Ainda assim, um pedal do acelerador mais progressivo ajudaria a sair com mais suavidade: mesmo em Conforto, ela dá um salto inicial quando você preferiria que ela saísse de forma mais gradual.
Eu vi 25 miles (aprox. 40 km) de rodagem elétrica com a bateria em 95 per cent. Estava frio, o aquecimento ligado e eu não estava exatamente buscando economia - então, na real, o resultado foi bem bom.
Claro que a "E300 e" é pesada. A Classe E convencional já não é tão afiada dinamicamente quanto uma Série 5 convencional, e o mesmo vale para as híbridas plug-in. Aqui, ela é mais relaxante do que empolgante - e está tudo bem: é uma grande estradeira.
Por outro lado, o peso extra das baterias não ajudou o conforto de rodagem. Classe E costuma ser confortável sem exceção, mas esta versão em particular, com molas padrão (não há opção de suspensão a ar), não filtrou as irregularidades com a suavidade que eu esperava.
Equipamentos, visual e praticidade da Classe E híbrida
E o resto do carro?
A nova Classe E continua sendo um carro muito bom - como você já sabe se leu nossa avaliação da linha Mercedes-Benz Classe E completa.
Por fora, as híbridas são idênticas às versões comuns. Elas só aparecem a partir do pacote linha AMG, então já trazem de série rodas mais bacanas e o kit visual. O que denuncia o conjunto plug-in são os emblemas, a tampa de recarga no canto direito do para-choque traseiro e, ao abrir o porta-malas, o enorme pacote de baterias que rouba espaço de bagagem.
É uma pena a Mercedes não ter encontrado um lugar melhor para acomodar essas baterias. É sempre incômodo, ainda que no sedã testado aqui isso incomode menos do que na perua "E300 de".
Compra: faz sentido levar uma Mercedes Classe E E300 e?
Eu deveria comprar?
Se for para ser seu carro de empresa, sim. As Classe E híbridas custam para alugar algo parecido com as não híbridas, e o imposto BiK fica muito menor. Mas não é só uma conta financeira: a Classe E reestilizada é um carro extremamente competente e bem-feito (a anterior à reestilização também era, vale dizer), e a "E300 e" em especial é muito suave de usar. Mantenha ela carregada e aproveite as vantagens. Só é uma pena o ronco um pouco áspero do motor e o porta-malas prejudicado.
Nota: 8/10
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário