Pular para o conteúdo

RBW MG Roadster: o MGB elétrico refeito do zero

Carro conversível cinza escuro dirigido por homem em estrada rural sob céu parcialmente nublado.

O que é o RBW MG Roadster (MGB elétrico)

O que é?

Talvez seja o choque cultural definitivo: um MGB clássico refeito com uma dose de eletricidade. Na prática, é uma versão 100% elétrica, atualizada e reengenheirada, de um projeto de hobby que normalmente fica mais conhecido por “sangrar” aos poucos na garagem ou por ir se decompondo com calma num celeiro esquecido.

O ponto de partida é uma carroceria nova e certificada da British Motor Heritage, combinada com interior sob medida e um conjunto de chassi e trem de força projetado de verdade - a ponto de atender aos requisitos do IVA. A suspensão também foge do original, com arranjo independente sob medida, do tipo duplo A com amortecedores e molas integrados.

A parte elétrica vem de um pacote de baterias HyperDrive/Nissan de íons de lítio (com opção de um módulo extensor instalado no porta-malas), chegando a 35kWh de capacidade, trabalhando em conjunto com um motor de 70kW da Continental Engineering Services.

Então, do que ele é capaz?

Com esse conjunto, o desempenho é comedido: o 0–60mph acontece em pouco menos de nove segundos e a velocidade máxima é limitada a 80mph. Em autonomia, fala-se em 160 milhas (algo como 257 km), ou por volta de 200 milhas (cerca de 322 km) com a bateria maior opcional. Tudo isso parece bem interessante - com a ressalva óbvia de que, para muita gente, a graça do MGB é justamente ser barulhento, cheirar a gasolina e ter aquele humor ligeiramente rabugento de clássico. Uma versão elétrica e cara pode ir longe demais do apelo original, sobretudo quando o preço começa em £90k, mais impostos. E sim, é isso mesmo.

Me conte mais.

A RBW nasceu como ideia e projeto de paixão de Peter Swain, um empreendedor com experiência anterior no setor de eletrónica, que resolveu juntar esse conhecimento à sua outra atividade: uma oficina de restauração de clássicos. Só que, em vez de fazer o básico (tirar as entranhas de um Nissan Leaf e “enfiar” no MGB), ele optou por desenvolver tudo de forma séria.

Por isso o RBW Roadster elétrico fica acima do padrão habitual: ele usa um subchassi exclusivo que sustenta o motor montado na traseira como um conjunto completo. O torque do trem de força elétrico é contido por esse subchassi, sem “torturar” a carroceria em si, enquanto as baterias ficam sob o capô e no túnel central para acertar a distribuição de peso. É uma solução elegante - e, em teoria, ajuda o carro a não querer virar um pretzel quando você pisa fundo. A suspensão totalmente independente também deve entregar um conforto bem superior ao do eixo rígido com feixes de mola do MGB antigo.

E o que muda em relação a um MGB comum?

Apesar da aparência, isto não é um MGB antigo. Não se trata de uma restauração: é um carro dos anos 1960 feito novamente, do zero - daí as placas novinhas.

A carroceria Heritage passa por remoção de emendas e recebe reforços discretos, e transmissão e trem de força foram desenhados com critério. A RBW chega ao ponto de vender os componentes básicos (testados em impacto) para serem instalados sob outras “silhuetas” clássicas, de Minis a Jaguar E-Type. O interior é feito sob medida, e suspensão, travões (incluindo regeneração eletrónica de um nível) e o restante do pacote foram pensados como produto de 2021, e não da época em que minissaias estavam na moda. Resultado: visual clássico com conveniência moderna.

Dá para escolher para-choques cromados ou de borracha, faróis em LED, configuração Roadster ou a versão MGB GT com teto rígido - em grande parte, a especificação fica por sua conta. Ainda assim, ele mantém aquele ar de MGB impecável que aparece em encontros locais, com o dono todo satisfeito. É um carro bonito, ainda que com um charme mais “caseiro”, típico do MGB por ser o clássico acessível favorito no Reino Unido. Para ser franco, com as melhorias discretas que a RBW aplicou, ele fica mesmo muito elegante. Por dentro, o nível acompanha - embora, por gosto pessoal, a central multimídia moderna da Pioneer não combine com a estética. De todo modo, isso é o tipo de detalhe que se resolve sem grande drama.

Como é dirigir e carregar

Ele anda como um MGB, então?

Num teste bem curto, tirando a forma como você posiciona o carro na estrada, a resposta é: não. Há apenas uma relação, selecionada por um comando giratório; quase não existe ruído - só um leve assobio do motor - e nada parece solto, rangendo ou vibrando. Num MG antigo, isso causa uma certa dissonância.

Além disso, as reações aos comandos são consistentes. Pelo que me lembro de alguns MGs “cansados” que já conduzi, eles escolhiam a atitude em curva como se estivessem jogando uma moeda imaginária.

Não, ele não é propriamente rápido - o 0–60mph em 9,0 segundos deixa isso claro -, mas é esperto o suficiente e combina com a proposta. A intenção não é ser um elétrico de arrancada; é juntar a praticidade limpa e confiável do elétrico ao espírito simpático de passeio de fim de semana de um MGB. E, nesse papel, parece funcionar muito bem: calmo, relativamente preciso e bem montado.

Você montaria um do seu jeito - eu iria de visual bem retrô, com ajustes discretos - e usaria para viagens curtas de um dia ou um deslocamento ocasional e tranquilo em dias de verão.

O carregamento também aponta para esse uso. O ideal é deixá-lo numa unidade de carregamento residencial durante a noite: assim, uma bateria padrão enche em cerca de quatro horas; numa tomada comum, são oito horas. Por outro lado, faria falta um carregador de bordo mais rápido para aproveitar melhor postos públicos.

No geral, eu gosto bastante. Ele tem carisma e não se perde tentando perseguir um 0–60mph que não tem relevância alguma para o público-alvo.

Preço, proposta e a questão do “clássico”

Mas não é justamente o barulho e a... clássicidade que fazem um MG ser um MG?

Aqui está a grande dúvida. O RBW MG Roadster é um trabalho bem pensado: inteligente, racional e com engenharia sólida. Ele cumpre o que promete. Não vai superaquecer no trânsito, é muito fácil de conduzir e amplia o apelo do carro para pessoas que provavelmente nem olhariam duas vezes.

Só que, enquanto outros clássicos eletrificados conseguem “diluir” o custo por trás de uma carroceria muito cara e desejada, o MG passa a sensação de custar demais para um carro de ocasião.

Vale lembrar que a maioria dos MGs já é carro de passeio de feriados e fins de semana - não serve de ferramenta diária -, então o impacto ambiental, no uso típico, é mínimo. E dá para comprar um MG em praticamente qualquer estado, de projeto a nível de concurso, por valores que vão de quatro mil a quarenta.

Também é verdade que o veterano quatro-cilindros do MG - e até o seis do MGC e as versões V8 do MGB - não são motores “lendários”, mas têm o seu encanto. Por isso, £90k parece salgado, independentemente de quão bem feito esteja.

Ainda assim, Swain não é ingênuo: esse “Lego” elétrico que fica escondido sob a pele pode ser vendido separadamente, o que abre caminho para aplicar o conjunto a muitos outros formatos automotivos. Isso também significa que, se houver proibições a carros de combustão em lugares como centros urbanos, ainda será possível usar um clássico interessante movido por algo que se enquadre na legislação.

Talvez a RBW não venda um volume enorme de carros - embora eu consiga imaginar alguns em Tóquio, curiosamente, pela obsessão local com o retrô britânico -, mas há indícios de coisas interessantes por vir dessa empresa.

Nota: 8/10

bateria de 35kWh, motor de 70kW (100bhp), carregamento a bordo de 3.5kW
autonomia de 160 milhas (200 com bateria estendida)
0-60mph em 8.9secs, 80mph de velocidade máxima
£90,000 (mais impostos)

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário