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Bentley Continental GT S: a última arrancada antes do elétrico

Carro esportivo branco Bentley em alta velocidade em estrada com prédios ao fundo.

A Bentley não vai virar elétrica?

Vai, e em um ritmo mais rápido do que o de muitas outras marcas. Até 2025, a Bentley pretende colocar na rua o seu primeiro carro 100% elétrico. E, até 2030, toda a gama deve ser elétrica. A fábrica de Crewe já opera com neutralidade de carbono e ainda abriga - como não poderia deixar de ser - cerca de 600.000 abelhas.

Só que o carro desta avaliação não traz motores elétricos. E, felizmente, não carrega abelhas também. O Continental GT S é deliberadamente “à moda antiga” e dá para encará-lo como uma espécie de “última acelerada” antes de a eletrificação começar a aparecer, aos poucos, na linha Conti.

Qual é a proposta em uma frase?

A ideia é direta: um Continental GT com tempero mais esportivo. Simples assim. E, mesmo com esse discurso, ele não usa mais potência do que a versão de entrada: o V8 4,0 litros biturbo entrega 542bhp e 568lb·ft.

O peso também não ajuda a vender esportividade - são 2.165kg -, mas a tração integral e o câmbio automático de oito marchas, bem suave, fazem o cupê chegar a 0–100 km/h em 4,0s. A velocidade máxima é de 319 km/h (198 mph). Dá para chamar de 322 km/h se você pegar um ventinho a favor.

O “S” aparece menos nos números e mais nos detalhes. Ele chega para contrabalançar o acabamento ultraconfortável Azure (que já experimentamos no Bentayga EWB), com “uma ênfase oposta, porém complementar, ao conceito de ‘bem-estar ao volante’”, nas palavras da própria Bentley. E existe um detalhe importante: o GT S é oferecido exclusivamente com o V8 menor da família - o que faz sentido, já que o W12 está prestes a se aposentar e as vagas de produção para ele ficaram raras.

O V8 não é o que eu deveria querer de qualquer jeito?

Historicamente, sim. Em praticamente todos os Bentleys, o V8 costuma parecer a escolha mais ágil: ao aliviar um pouco a dianteira, ele reduz a tendência ao subesterço e deixa o carro mais gostoso de tocar. Faz tempo que os modelos da marca deixaram de ser feitos apenas para “flutuar” no asfalto, e os atuais Continental GT e Flying Spur são, talvez, os Bentleys mais dinâmicos até hoje.

Ainda assim, para quem conseguir encaixar o nome na lista limitada de pedidos do W12, o Continental GT Speed mais recente - vendido somente com o icônico 6,0 litros - traz esterçamento das rodas traseiras e um diferencial mais sofisticado. No conjunto, isso o coloca como o Bentley definitivo para quem realmente dirige.

Então como eu devo enquadrar este aqui?

Puxando uma referência de outra coluna do enorme império VW, pense nele como o GTI em relação ao Golf R do Speed. Há um pouco menos de aderência absoluta e de capacidade no limite, mas a proposta segue voltada ao prazer ao volante - com as bordas tão “ásperas” quanto um Bentley permite. E, convenhamos, mesmo o “áspero” aqui lembra a textura de uma colcha de cetim.

É por isso que ele sai de fábrica com escape esportivo para “amplificar a batida do V8 crossplane”. Também há barras estabilizadoras ativas em 48V para manter a carroceria o mais plana possível nas curvas. As peças cromadas brilhantes dão lugar ao acabamento preto, e a mudança mais impactante está na grade.

As rodas são novas, de 22 polegadas, e deixam à mostra pinças de freio vermelhas. Emblemas se espalham pelos para-lamas, painel e bancos; o “S” aparece como um convite a uma boa sequência de curvas. Por dentro, há uma combinação de couro com Dinamica (alternativa à Alcantara que utiliza materiais reciclados) - e o conjunto ilustra bem uma das propostas mais ousadas entre as aproximadamente 25 bilhões de configurações possíveis no configurador da Bentley.

Quanto custa?

O Continental GT “padrão” segue à venda a partir de £178.200; já o Continental GT S sobe para £200.600. No Flying Spur, existe um pacote equivalente por algo como quatro mil libras a menos - mas é razoável imaginar que isso não seja exatamente decisivo para quem está comprando nessa prateleira.

Aliás, para esse público, tempo frequentemente vale tanto quanto dinheiro. Então, conseguir dar ao carro um visual e uma pegada mais esportivos sem passar uma tarde inteira brigando com a ficha de opcionais pode fazer o aumento de £22.400 parecer menos relevante.

A escolha certa, porém, depende de onde você se posiciona no debate “som versus refinamento”. Mesmo que você removesse a cornucópia de emblemas “S”, bastaria afundar o dedo no botão de partida para saber em qual Conti você está. Aquela explosão inicial de giros deixa claro que este é um Bentley com intenções mais dinâmicas.

E, se você girar o seletor serrilhado de modos para Sport - fazendo o câmbio adotar seu mapa mais agressivo -, o carro retribui com estalos, pipocos e crepitações em reduções e alívios de acelerador. A promessa do material de divulgação não era exagero: o escape realmente “amplifica” a experiência.

Com um áudio mais afirmado e o revestimento tipo camurça, dá até para se convencer de que todo o resto também ficou mais esportivo. Mas, sendo franco, ele anda tão bem quanto o Continental GT “normal” logo abaixo na gama.

Ué.

E isso, na verdade, é uma boa notícia: ele dirige bem demais. Você pode sentir falta do esterçamento traseiro do irmão W12, mas mesmo sem esse recurso o GT S surpreende pela agilidade, considerando o nível de luxo a bordo.

A entrega de força segue mais concentrada no eixo traseiro, o que permite um comportamento inesperadamente ajustável no meio da curva. E, ao deixar o câmbio no modo S - sem cair na tentação de usar as borboletas -, esse V8 que gosta de girar fica cravado na parte mais cheia da curva de torque.

O que impressiona na linha atual da Bentley é como ela consegue equilibrar diversão e finesse, entregando mais de um ou de outro conforme o modo de condução escolhido. Depois de matar a vontade de andar rápido, o Conti GT S volta a ser um grande turismo silencioso, com a tranquilidade de um labrador se ajeitando para tirar um cochilo após uma hora enlouquecida no parque.

Ele cumpre o papel de “última acelerada”?

Esse título cai com mais naturalidade no Continental GT Speed com motor W12, graças ao pacote de soluções de chassi mais esperto. Mas, se você não correu a tempo para garantir um pedido, este aqui chega muito perto em diversão - e ainda entrega um vislumbre, cautelosamente otimista, do que vem pela frente.

Se os engenheiros da Bentley conseguem fazer algo tão pesado apontar com tanta clareza, é difícil não acreditar que o futuro totalmente elétrico esteja em boas mãos. As desvantagens inerentes aos EVs parecem ter, aqui, uma chance acima da média de serem “arredondadas”. Só não conte com essa trilha sonora ligeiramente atrevida na próxima fase…

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