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Chevrolet Blazer EV SS: o SUV elétrico discreto de 615 hp

Carro SUV vermelho em alta velocidade em estrada sinuosa cercada por árvores verdes.

Então, o Blazer EV…

Baixem as armas, vovôs: “SS” quer dizer Super Sport. Mesmo sendo um modelo relativamente recente, o Blazer elétrico estreou de forma atribulada, mas os tropeços de software foram rapidamente deixados para trás quando a sua “competência por um custo razoável” falou mais alto do que qualquer começo estranho. E esta é, justamente, a configuração do Blazer EV com mais força.

Com preço de entrada a partir de US$ 44.600, o Blazer chegou oferecendo bom porta-malas e praticidade para o dia a dia, além de cerca de 502 km de autonomia (312 milhas) e 220 hp na versão mais básica. As opções com tração integral aumentam a potência e também o valor - ainda dentro de um patamar aceitável. Já o Blazer EV SS passa um pouco desse limite, embora faça isso sem alarde.

Qual é a proposta, então?

Aqui, a disponibilidade de potência é quase o dobro da do AWD EV RS - desculpe, as siglas realmente saíram do controle - e chega a até 615 hp e 650 lb-ft (aprox. 881 Nm) somando os dois motores. Com isso, ele vai de 0 a 96 km/h (0 a 60 mph) em pouco mais de três segundos, tornando-se o primeiro elétrico a entrar para a família Super Sport da Chevrolet. Uma coisa meio insana para um carro familiar tão “normal” no resto.

Espera: qual outro elétrico da GM faz isso?

É um roteiro conhecido, não é? Qual é mesmo aquele outro EV com 615 hp que arranca em “três e poucos” segundos e ainda foi o primeiro a receber um emblema de prestígio? Isso: o Cadillac Lyriq-V.

É o mesmo carro?

Não. Só compartilha os mesmos motores, a mesma bateria, pneus, conjunto de freios e rodas. Mas as dimensões não são iguais! A distância entre-eixos do Cadillac é de 3,09 m (121,8 polegadas), enquanto a do Chevrolet é… espera aí… Certo: existem diferenças entre eles. Nós prometemos.

Manda ver.

Além do estilo geral, há um abismo de preço: o Lyriq-V parte de US$ 79.990, enquanto o Blazer EV SS começa em US$ 60.600. Se você não faz questão da experiência Cadillac, mas quer a pancada de potência, esse cenário joga a seu favor.

E já que entramos no assunto, ter 615 hp disponível num veículo desse tipo é algo realmente impressionante. Não faz tanto tempo que esse número era exclusivo de certos V8 específicos - e US$ 60 mil naquela época equivaleria, no mínimo, ao que US$ 80 mil representa hoje. O quanto as marcas conseguem extrair desses motores elétricos está bagunçando a nossa percepção sobre potência, mas deixemos isso de lado.

À primeira vista, o Blazer EV é bem comportado para um elétrico. Toda essa cavalaria só aparece de verdade quando você aciona o modo Wide Open Watts (WOW), o ajuste de “boost” com nome divertido que manda mais energia para as rodas em troca de reduzir a autonomia disponível.

Quando você “abre a torneira”, o utilitário de supermercado dispara em silêncio absoluto - algo bem diferente dos Chevys SS de antigamente, mas igualmente impactante.

E a dirigibilidade?

No geral, é firme, precisa e direta. Ele é um EV grande e bem assentado no chão, então isso não chega a surpreender. Na versão SS, os amortecedores de tubo duplo dão lugar aos monotubo, mais rígidos, e a suspensão como um todo foi recalibrada para uma proposta mais agressiva. Até onde o Chevrolet vai? Digamos que ele prefere “pintar dentro das linhas”.

O Blazer EV SS pode ser brutal na arrancada, mas a dinâmica é boa quase apesar dele mesmo. Esse crossover elétrico já está perto de 5.800 lb (mais de 2.600 kg), e boa parte do que ele faz em curvas é, essencialmente, tentar disfarçar essa massa. Embora também traga um modo de condução mais competitivo, os controles eletrônicos entram cedo em ação e induzem subesterço quando entendem que você ultrapassou a zona de conforto - bem conservadora - definida pelo carro.

Tudo bem: ele não é um carro de pista. E por mais que o ganho de fôlego seja realmente notável, o uso mais realista aqui é ter uma reserva extra de desempenho na vida comum, ou arrancar um pouco mais de diversão numa estrada secundária sem plateia.

E por dentro?

O destaque é a tela de 17,7 polegadas, que vira o centro de comando de praticamente tudo, com poucas funções mantidas em botões físicos dedicados. Enquanto o Lyriq manteve Apple CarPlay e Android Auto, o Blazer EV abriu mão dos dois e deixa você com o sistema nativo baseado em Google. Há bastante margem para personalização, então ele acaba sendo bem flexível - e, depois de algum tempo de uso, a falta do espelhamento do celular pesa bem menos do que parece no início.

No desenho interno, o clima é mais enxuto e esportivo, e o pacote SS adiciona vários detalhes em laranja nas costuras e nos acabamentos dos bancos, reforçando que você definitivamente não está num Cadillac.

Em tecnologia, o Super Cruise vem de série para viagens em rodovias, assim como recursos da Amazon Alexa, frenagem automática ao manobrar em ré e um pacote amplo de assistências digitais. No carregamento, a Chevrolet afirma que o Blazer EV aceita até 190 kW em carga rápida, o que renderia cerca de 126 km (78 milhas) de autonomia em aproximadamente 10 minutos conectado.

Qual é a mensagem final?

O Chevrolet Blazer EV SS é um elétrico de uso diário com excelente custo-benefício, trazendo uma dose enorme de potência e ajustes suficientes no conjunto de suspensão para que isso faça sentido - ainda que por pouco. Quando você exige do carro, ele entrega de um jeito tão limpo e sem drama que nem dá para recorrer ao velho clichê de “Jekyll e Hyde”, porque não existe Hyde; é só o Dr. Jekyll com assinatura na academia.

Dito isso, é difícil imaginar o emblema SS, por si só, como motivo para alguém escolher o Blazer, e ele parece mais um atrativo calculado para levar gente às concessionárias da Chevrolet. Se os Super Sport de antigamente faziam os entusiastas perderem a cabeça, este integrante novo não provoca a mesma efervescência. Ele pode até ser rápido - o Chevrolet mais rápido, inclusive - mas é rápido demais… educado. Faltou um pouco mais de Hyde.

Ainda assim, a versão de entrada é bem sensata, e o salto financeiro para quem quer mais força não é absurdo, principalmente pelo pacote oferecido. Pode não ter a elegância do Lyriq-V - nem a conectividade do CarPlay -, mas segue sendo um EV robusto e prático. Agora com mais músculos e sem a cobrança premium.

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