Uau, um emblema Turbo num hatch. Voltámos aos dias dourados dos anos 1980 e 1990?
Ainda não é bem assim - já lá vamos. Mas esse logótipo Turbo, por si só, marca uma viragem importante para a gigante sul-coreana: este Hyundai i30 Turbo é - com direito a zoom dramático ao estilo Dr. Evil - o Hyundai i30 mais potente já produzido.
Eba! Então é um rival à altura do Golf GTI, certo?
Também não chega a tanto. A ideia, no entanto, está bem lançada. Ele usa o motor 1,6 litro de quatro cilindros “Gamma GDI” da Hyundai, aqui com turbocompressor para entregar um aumento de 28 por cento na potência e um ganho de 38 por cento no binário face ao 1.6 normal. Mais potência, mais força - até aqui, tudo certo.
Além disso, vem com suspensão mais firme e “afinada para uso esportivo”, câmbio manual de seis marchas (nada de automático), direção com resposta mais direta e travões maiores: discos ventilados de 300 mm na dianteira e discos sólidos de 284 mm atrás.
Desenvolvimento do Hyundai i30 Turbo no Nürburgring
E tem mais. O projeto do carro foi trabalhado no centro de testes da Hyundai, encravado dentro do complexo de Nürburgring. Sim, dá para dizer em voz baixa: este i30 Turbo passou por 110 voltas no “Ring” toda semana, durante um período de quatro a seis semanas. É como condensar todas as montagens de treino do Rocky numa só. Todas. Numa única sessão puxada.
Depois vêm os detalhes que o colocam acima dos i30 sem Turbo: grade nova, para-choques redesenhados na frente e atrás, novo desenho dos LEDs, saídas de escape duplas, rodas de liga de 18 pol, forro do teto preto, bancos esportivos, elementos internos em vermelho, painel de instrumentos com apelo mais esportivo e costuras contrastantes no volante, na alavanca do câmbio e nas portas.
Ao volante: como o i30 Turbo se comporta
E na prática, como ele é?
Bom.
Só isso?
Ele agrada, mas não entrega a rapidez que a “promessa” sugere. O motor gera 183 bhp (cerca de 135 kW) e 195 lb ft de binário (aprox. 264 Nm) entre 1.500 rpm e 4.500 rpm, com tudo indo para as rodas dianteiras. São números sólidos e com boa pegada, mas longe de abalar a hierarquia tradicional dos hatches esportivos.
A rodagem é bem acertada - pode parecer um pouco mais inquieta em certos pisos se você estiver com o seu chapéu pontudo de avaliador crítico bem colocado -, porém, no conjunto, é um carro competente e refinado. O controlo de carroceria é bom. A aderência é alta. Ele contorna curvas em ritmo forte sem te deixar tenso demais (se é que você fica tenso). E o visual ajuda bastante.
Direção e som do motor: onde falta emoção
Estou a sentir um “mas”.
Sentiu certo. A direção simplesmente não tem o toque ideal. Dá para ajustar o nível de assistência em Conforto, Normal e Esporte, e o carro aponta para a curva com vontade, só que nenhuma das calibrações é realmente satisfatória para quem gosta de atacar curvas com compromisso. Para pessoas racionais, funciona perfeitamente - mas, se as suas mãos gostam de perceber que tipo de asfalto há por baixo, a comunicação é bem limitada.
E o motor também pede um som melhor. Do jeito que está, ele não chama você para acelerar.
Preço e comparação com rivais
Certo. E quanto custa?
Aí vem outro ponto pesado. Um Hyundai i30 Turbo de três portas sai por £22,500. A versão de cinco portas custa £23,000. Um Ford Focus ST de cinco portas fica em £22,495. O Ford - infelizmente para a Hyundai - entrega 247 bhp e 265 lb ft de binário.
O ST também faz 0–100 km/h (0–62 mph) em 6,5 segundos. O Hyundai? Oito segundos. E o Focus ainda passa mais convicção na direção.
Então o que eu faço?
O i30 “normal” é um carro novo excelente: macio, confortável e muito bem calibrado. Já este Turbo entra numa faixa de preço dura. Sim, o interior é muito agradável, a construção parece sólida e, se custasse menos, a recomendação seria para considerar com seriedade. Só que o ST acaba a marcar mais pontos. Em versões mais baixas, o i30 faz mais sentido. Neste patamar, ele precisa evoluir um pouco.
Ainda assim, não falta muito para ele virar um verdadeiro rojão, porque a base é bem resolvida. E talvez você nem esteja ligando para estas linhas, porque quem mais entrega uma garantia de cinco anos com quilometragem ilimitada?
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