O ritmo da Jaguar é impressionante. O XE mal começou a aparecer nas estradas britânicas e a marca já coloca em cena o irmão maior - e, sim, os dois têm um ar de família bem evidente.
Design e proporções do Jaguar XF
Dá mesmo para pensar num conjunto de bonecas russas: um carro “dentro” do outro, pelo menos visualmente. Curiosamente, este é o primeiro Jaguar desenhado por Ian Callum que substitui diretamente outro Jaguar também assinado por Callum (o F-type, na prática, entrou no lugar do XK - lembra?).
No XF antigo, o desenho conseguia desviar a atenção das bases reaproveitadas do S-type, mas em termos de aproveitamento de espaço ele ficava longe do melhor da categoria. Agora, o novo XF oferece bem mais espaço interno mesmo sendo, no total, mais curto e mais baixo. A dianteira tem um balanço curto e, felizmente, a inspiração não “acabou” antes de chegar à traseira: ela é muito bem resolvida, com a janela lateral traseira adicional - o famoso "sixth light" - e uma linha de porta-malas bem esculpida.
Ele também é mais aerodinâmico. Callum diz que a busca por eficiência vai recolocar a aerodinâmica no topo das exigências, e isso talvez explique uma silhueta um pouco mais genérica. Ainda assim, na cor certa e com um bom jogo de rodas de liga leve, o resultado é realmente elegante.
Plataforma e engenharia: alumínio em destaque
Por baixo, ele recorre aos mesmos componentes principais do XE - e isso significa um projeto de ponta em esforço de engenharia e investimento. No XF, 75 por cento da estrutura é de alumínio; o restante combina aço de alta resistência em pontos estruturais essenciais, com um pouco de magnésio também.
A carroceria em branco (body-in-white) pesa apenas 282kg, e o conjunto é 28 por cento mais rígido e 11 por cento mais leve do que o modelo anterior (o fato de não ser ainda mais leve só reforça o quanto é difícil “tirar gordura” nessa classe).
A suspensão segue o mesmo padrão de capricho, com componentes em alumínio. Na dianteira, o duplo braço triangular é o esperado; atrás, entra um multibraço evoluído que separa forças laterais e longitudinais. Amortecedores passivos são de série - com atuação dependente de frequência para melhorar o conforto em baixa velocidade - e a Jaguar revisou os algoritmos que controlam o amortecimento ativo de variação contínua, disponível como opcional.
Ao volante: acerto de conforto e agilidade
Ao dirigir, não é só bom: chega a surpreender. O XF encontra um ponto muito raro em que o conforto de rodagem e a agilidade em curvas se sobrepõem. E essa impressão apareceu logo quando fomos liberados no circuito de Navarra, no norte da Espanha.
Até um XF topo de linha, com 375bhp e compressor mecânico, não parece o tipo de sedã que deveria funcionar tão bem num traçado desses - poucos carros de rua “de fábrica” aguentam o ritmo ali - mas ele aguenta.
O diesel de 296bhp é melhor ainda. No nosso roteiro, houve desde trechos de serra mais travados até curvas rápidas e longas, daquelas de embalar. Todos os XF com motor seis cilindros recebem o sistema de dinâmica configurável, que altera o mapeamento do acelerador, melhora a sensação da direção e reduz o tempo de trocas no câmbio automático ZF de oito marchas. Mesmo assim, no modo normal já é um comportamento de nível mundial.
Ter 516 torques, claro, faz diferença - e quarta e quinta marchas resolvem praticamente tudo. Ele só tende a sair de frente nas curvas mais fechadas, e mesmo assim de leve; os pneus quase não “gritam”, por mais forte que você venha. A direção elétrica surpreende pela boa comunicação e por respostas limpas e lineares.
A Jaguar também declara 51.4 mpg no ciclo combinado (aprox. 18,2 km/l) e apenas 144 CO2s. Hora de ter o bolo e comer também.
Cabine, multimídia e interfaces
A grande dificuldade hoje, em um mundo saturado de telas e comandos, é reduzir dezenas de interfaces ao que realmente importa - e a cabine do XF consegue fazer isso, talvez até “bem demais”. O sistema InControl Touch traz uma tela de 8in de série, enquanto o pacote Pro aumenta para 10.2in.
A operação segue a lógica de um celular, com gestos de deslizar e pinçar. Há a conectividade de áudio e telefone com iOS/Android (o tipo de coisa que todo mundo espera, mas é difícil de acertar totalmente), além de uma rede ethernet automotiva potente. Processadores Intel quad-core dão ao sistema mais poder de processamento do que você encontraria em um Airbus A380.
A equipe da Jaguar também tem alternado trabalho entre Coventry e Califórnia para encher o novo XF de aplicativos. Vai saber: talvez alguém realmente use. No essencial, porém, fica a sensação de que o interior não é tão especial, visualmente e ao sentar, quanto deveria ser - e, em um dos nossos carros de teste, o navegador simplesmente “colapsou” por completo. Tirando isso, ele cumpre tudo o que se pede… e ainda marca algumas caixinhas que a gente nem sabia que existiam.
Versões, motores e custos de uso
A linha chega ao mercado com as configurações esperadas - SE, R-Sport, Portfolio e S - sempre com a nova conectividade multimídia InControl (hardware e software). Nos motores, há duas calibrações do novo turbodiesel Ingenium 2.0 (161bhp ou 177bhp), um 2.0 a gasolina de 237bhp, um 3.0 V6 diesel biturbo de 296bhp (com os mesmos 516 torques desse “monstro”) e duas versões do V6 3.0 a gasolina com compressor (335bhp ou 375bhp). Também dá para escolher entre tração traseira ou integral.
Um SVR com mais de 550bhp vem aí em breve, mas ainda não existe confirmação de uma perua Sportbrake.
Tudo indica que ele pode virar o novo rei do segmento. A confirmação, como sempre, só vem com um comparativo direto, lado a lado. Mas, além do apelo emocional de conforto, dinâmica e design, a Jaguar trabalhou pesado para acertar as “contas” que realmente decidem compra nessa faixa.
A previsão é que o valor residual após três anos ou 60,000 miles (cerca de 96.560 km) supere com folga Audi A6, BMW Série 5 e Mercedes-Benz Classe E. O seguro sai mais barato que o dos rivais. E há dois planos de revisões por cinco anos - um de 50,000 mile por £525 (aprox. 80.467 km) e outro de 75,000 mile por £750 (aprox. 120.701 km) - mostrando que a Jaguar coloca dinheiro onde coloca a boca quando o assunto é a reputação de qualidade que ela batalhou para conquistar.
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