Estilo por fora e sensação a bordo
O que exatamente há de ‘novo’ no novo Range Rover Evoque?
No visual, a mudança mais evidente está nos faróis: agora há a opção de conjuntos totalmente em LED, com uma nova assinatura das luzes diurnas, combinada a lanternas traseiras em LED redesenhadas.
A dianteira também ganha entradas de ar maiores (ainda que sejam falsas), além de uma enxurrada de novas rodas e opções de pintura. Isso eleva o cardápio para 14 cores e 16 alternativas de rodas de liga. Se aparecer um Evoque idêntico ao seu, com a mesma configuração, é sinal de que você oficialmente fez errado.
A Land Rover finalmente jogou fora aquela central multimídia horrível?
Mais ou menos. O sistema melhora, e certos pacotes opcionais - daqueles que fazem a carteira sofrer - deixam a central mais aceitável. Ainda assim, o Evoque não recebe o pacote completo ‘InControl Pro’ visto, por exemplo, no Jag XE. Nem mesmo no Landie Disco Sport.
É frustrante, porque embora a tela do Evoque tenha deixado para trás aqueles tempos de carregamento tão lentos que pareciam “pintar um mapa em aquarela” sempre que você abria o GPS, ela ainda aparenta estar datada diante do que BMW e Merc oferecem de melhor. As telas com aparência granulada parecem deslocadas no painel do Evoque MY2016. Isso deveria ser um Range Rover, dahlings.
Pelo menos a Land Rover aposentou os antigos mostradores do painel, baratos, e colocou instrumentos mais limpos - sem o ar de “brinde de caixa de cereal”. E também vasculhou a prateleira de peças da Range Rover em busca de materiais com toque mais sofisticado em outras áreas.
Dá para pedir bancos com massagem e ventilação, iluminação ambiente capaz de fazer um nightclub passar vergonha e o pacote completo de alertas sonoros de saída de faixa e colisão frontal. Então, se você dirigir como um wally, o Evoque ainda faz questão de virar uma eletro-rave.
Então ele parece e se sente mais caro. Só isso?
Ainda bem que não.
Motores ‘Ingenium’, projeto e eficiência
Depois de investir a parte de cima de £800m numa novíssima fábrica de motores em Wolverhampton, seria estranho a Land Rover não colocar no seu “mini” gerador de caixa um dos celebrados motores ‘Ingenium’.
E não foi só pegar o motor de um Jaguar XE e encaixar. Para caber no cofre do Evoque - que só aceita montagem transversal - e cumprir as exigências da Land Rover de 50cm de capacidade de travessia em alagados, além de ângulos de ataque e saída de verdade, 20 per cent das peças do motor são específicas para o Evoque. É esforço demais para um único modelo.
Por que se dar a esse trabalho?
Porque o Reino Unido é o maior mercado do Evoque no mundo, levando 120,000 unidades das 450,000 vendidas desde 2010. E os britânicos gostam de diesel amigo do CO2 e que ajude a “driblar” impostos. Por isso - para os fãs de fatos de pub - o Evoque com motor Ingenium é oficialmente o Land Rover mais eficiente… de todos os tempos.
Quão eficiente, afinal?
Segundo os números declarados, o diesel de 148bhp - com câmbio manual e tração dianteira - registra 109g/km de CO2 e 68mpg. Ele é tão “verde” que a Land Rover criou uma nova linha chamada ‘Efficient Capability’: como os modelos Bluemotion da VW, só que para SUVs premium com pretensão off-road.
Esse Evoque tem tudo para virar queridinho de frotas corporativas, mas não é exatamente a versão mais desejável.
Por que não?
Porque o câmbio manual, pelo tato, parece ter mais borracha do que ligação mecânica: o engate curto é travado e pesado, e ainda por cima vem acompanhado de uma embreagem dura e pedais desconfortavelmente desalinhados. Também não é muito esperto, como costuma acontecer com esses “especialistas” em CO2. Precisa de sexta para uma ultrapassagem rápida na autoestrada? Não. Vai de quinta. Hum, talvez quarta. Terceira?
Mas câmbio manual é coisa de motorista raiz, e automático é para minicabs, certo?
Certo… num esportivo. Num Evoque, o automático combina muito mais com essa “bolsa” de sofisticação. No caso dele, trata-se de um automático de nove marchas com conversor de torque.
Assim você passa mais tempo no ponto doce de torque do motor e, abaixo de 2500rpm, o Ingenium mais forte, de 178bhp, é bem refinado - e muito mais suave do que o diesel antigo. Aliás, se você abrir a porta com o motor ligado (de preferência parado), dá para perceber o quanto o isolamento acústico trabalha para abafar a típica batida do quatro-cilindros.
Ao volante: comportamento, conforto e limites
O novo Evoque é bom de dirigir?
Sim - e mais do que antes. Como os novos motores, mais econômicos, são cerca de 24kg mais leves do que os antigos, a Land Rover conseguiu recalibrar a suspensão com foco maior em mimar quem vai dentro.
A direção do Evoque sempre foi muito leve e assistida em excesso, mas, com a dianteira menos pesada, ele entra nas curvas com disposição. Com as molas padrão, o controle de movimentos é bem resolvido: você se senta alto, com postura dominante, mas ainda assim se sente “encapsulado” no carro. E não há aquela sensação de rolagem de navio petroleiro, nem de a frente “mergulhar” no meio da curva.
Do mesmo jeito que a aptidão fora de estrada - que segue impressionante - o menor Land Rover ainda consegue contornar curvas num nível muito acima do que qualquer proprietário provavelmente vai explorar.
A versão E-Capability abre mão de um pouco de aderência para usar pneus de baixa resistência ao rolamento; por isso, é a que chega ao subesterço mais cedo. Se isso for realmente crucial para você, talvez valha olhar um BMW X3. Ou simplesmente reduzir o ritmo. É um 4x4 - a quem você está tentando enganar?
No fim das contas, é um facelift que vale a pena?
Com certeza. As mexidas estéticas mal atrapalham um desenho que chama atenção e faz abrir carteiras daqui até Canberra, mas o Evoque atualizado, ainda que continue bem caro para entrar, passa a custar menos para manter e entrega um interior mais “esperto” do que o modelo anterior.
E o melhor, para a Land Rover: quatro anos depois do nascimento do Evoque, ainda não surgiu um rival capaz de igualar seu nível de desejo. Agora, ele ficou ainda mais forte. A vez de responder é de vocês, alemães…
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