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Nissan Sakura: o carro kei elétrico japonês que faria sentido no Reino Unido

Carro elétrico compacto prata da Nissan circulando em via urbana com edifícios ao fundo.

Bocejo. Mais um carro elétrico absurdamente potente prometendo 0–96 km/h em menos quatro segundos e a capacidade de transformar água em vinho?

Não. Aqui é um V12 leve e focado, capaz de dar uma volta em Nürburgring em menos de quatro minutos cravados.

O QUÊ. SÉRIO?

Também não. Na verdade, é um carrinho japonês minúsculo batizado com o nome de uma árvore, com uma bateria pequena, autonomia elétrica pequena e um desempenho pequeno - pequeno a ponto de ser quase cômico. E ainda por cima, nem dá para comprar no Reino Unido.

Só que esse japonês compacto, fraco e indisponível, batizado em homenagem a uma árvore famosa - a flor de cerejeira - talvez seja exatamente o antídoto de que precisamos para estradas castigadas e entupidas, hoje dominadas por SUVs e 4x4 superpotentes e por aquele maldito Audi colado na sua traseira.

Explique melhor.

Lançado em maio de 2022, o Sakura é o que se chama de “carro kei”: um veículo de passageiros pequeno, legalizado para rodar, vendido apenas no Japão e construído para obedecer a um tamanho regulamentado e bem específico. Esse tamanho é o que você, com carinho, chamaria de “fofinho de tão pequeno”; na prática, ele não passa de 3,4 m de comprimento e tem menos de 1,5 m de largura.

Os carros kei também ficam limitados a motores de 660 cm³ - uma herança dos primeiros tempos, quando a ideia era tirar a população japonesa das bicicletas e colocá-la em carros no pós-Segunda Guerra - e foram pensados para cidades cheias e manchas urbanas enormes.

O Reino Unido também tem muitas cidades lotadas e expansão urbana. E ainda soma ruas estreitas, vilarejos pequenos e vagas de estacionamento projetadas para carros dos anos 1950 - além de uma multidão de Audis colados na sua traseira.

Ué, você falou em “bateria pequena”, não em 660 cm³. Como assim?

O Sakura é um carro kei elétrico. E ele se apoia na longa experiência da Nissan com elétricos, porque a pequena bateria de íons de lítio reaproveita aprendizados do Leaf: são 20 kWh de capacidade utilizável e 350 V de tensão total.

Ao que tudo indica, as células dessa bateria foram empilhadas de um jeito “especial” - para desgosto do TopGear.com, isso não quer dizer que alguém as montou por meio de dança interpretativa. A lógica foi outra: empilhar de forma compacta para ganhar espaço no interior do Sakura. Já chego lá.

Manda os números.

Com tração dianteira, o Sakura entrega vigorosos 63 bhp (cerca de 64 cv), 144 lb ft de torque (aprox. 195 Nm) e até 112 milhas de autonomia (cerca de 180 km) com carga completa.

Aqui, o 0–100 km/h (equivalente ao 0–62 milhas por hora) é uma medida meio inútil (é demorado), assim como a velocidade máxima (81 milhas por hora, por volta de 130 km/h). O que importa é saber que há “bastante” desempenho. Ainda mais considerando que o Sakura tem entre-eixos de apenas 2,5 m e peso em ordem de marcha de 1.080 kg.

Quanto tempo essa bateria demora para carregar?

A Nissan fala em oito horas para uma carga cheia no modo “padrão”, indo “da luz de aviso da bateria até totalmente carregada”. Já na carga rápida, isso cai para apenas 40 minutos, levando você de 0 a 80%.

E com a bateria cheia, como ele é ao volante?

Respeitável! Num trajeto curto pela região urbana da Baía de Tóquio, o Sakura mostrou que é um EV urbano muito competente e bem acertado. Ele passou por buracos e irregularidades com conforto e sem drama - ou seja, fez questão de não quicar e bater seco como alguns carros pequenos e baratos costumam fazer.

A direção também veio no ponto para o uso na cidade: leve, um pouco distante, precisa. E o conjunto elétrico deixou o Sakura circular com alegria, entrando e saindo de faixas e encarando obstáculos típicos de uma metrópole japonesa - trânsito, caminhões de manutenção, um réptil gigantesco e furioso… você entendeu - com confiança. No fim, é um carrinho que dá para jogar nas curvas sem medo e, surpreendentemente, diverte.

A aceleração é esperta - a ponto de a gente até conseguir provocar uma adorável cantadinha de pneus, exclusivamente para fins de teste, claro - e os freios passaram sensação de firmeza.

E por dentro?

Enorme. A cabine até parece um pouco simples, mas tudo é bem montado e transmite solidez. O nosso carro de teste tinha um acabamento em tom cobre bem bacana, um toque de estilo num visual que, no geral, é bem funcional.

A central multimídia é boa, e o painel digital é direto ao ponto: simples, brilhante, legível e sem firulas.

A visibilidade é ótima em todas as direções porque o carro é uma caixa alta e cheia de vidro. No banco traseiro, há muito espaço (daria para espremer três pessoas atrás sem grandes problemas, apesar de a Nissan dizer que ele é apenas para quatro ocupantes). Sobra espaço para a cabeça. E também para pernas e joelhos.

O porta-malas, por outro lado, é minúsculo: 107 litros. Mas alguma coisa precisava ceder, certo?

Quero um agora!

O Japão também. Entre junho de 2022 e setembro de 2023, a Nissan recebeu mais de 60.000 pedidos do Sakura, e ele foi o EV mais vendido do Japão no ano passado. A procura ficou tão forte que a Nissan precisou pausar as vendas por um período no fim de 2022, porque havia pedidos demais.

Cada unidade custa algo em torno de 2,5 milhões de ienes (aprox. £ 13,5 mil), embora, vale lembrar, isso ainda represente uma fatia pequena do mercado total de carros kei - em 2022, foram vendidos cerca de 1,7 milhão desses carrinhos.

Ainda assim, como remédio para o Reino Unido, o Sakura faz sentido por todos os lados. A petição para mandar um lote para cá começa agora…

Fotografia: Matt Fowler

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