Pular para o conteúdo

Compressor vs turbocompressor: por que o turbo virou o favorito

Carro esportivo prata Turbo King em exibição dentro de showroom moderno com piso preto brilhante.

Se há um jeito clássico de extrair mais rendimento de um motor, ele passa pela sobrealimentação - e, na prática, isso costuma acontecer de duas maneiras: com um compressor ou com um turbocompressor (o turbo, para os íntimos).

Apesar de operarem por princípios diferentes, os dois perseguem a mesma meta: elevar a pressão do ar que entra na câmara de combustão, comprimindo-o, para gerar mais rendimento - isto é, mais cavalos e mais torque.

Ainda assim, nessa disputa por potência, o turbo virou a escolha dominante e deixou os compressores quase de lado. Mas por quê? Vamos destrinchar.

Como funcionam

Começando pelos compressores, também chamados de superchargers ou blowers - e quem não se lembra dos Kompressor da Mercedes-Benz? -, eles até tiveram alguns (poucos) momentos recentes de destaque, graças a carros explosivos como o Dodge Hellcat ou o pequeno, porém cheio de atitude, Toyota Yaris GRMN.

Na essência, o compressor atua como uma bomba de ar. Normalmente, ele é acionado por uma correia ligada diretamente ao motor, o que permite gerar pressão já na marcha lenta e reforçar torque e potência em baixas rotações.

Só que nem tudo é vantagem quando o giro sobe: conforme o motor se aproxima de regimes mais altos, o compressor pode acabar consumindo mais potência do que efetivamente entrega.

Já o turbocompressor trabalha aproveitando os gases de escape resultantes da combustão. Esses gases movimentam uma turbina que, por sua vez, pressuriza o ar de admissão. Turbos conseguem girar muito mais rápido do que compressores - mais de 100 mil rpm, contra 10-15 mil -, mas para atingir esse patamar dependem de o motor também estar em rotações mais elevadas.

Em baixa rotação, simplesmente não há gases em quantidade suficiente (ou com velocidade suficiente) para fazer a turbina alcançar o giro necessário para gerar pressão. Daí nasce o conhecido turbo lag: o atraso entre pisar no acelerador e o instante em que o turbo começa a entregar boost (pressão).

O problema comum

Mesmo com diferenças marcantes, há um ponto fraco compartilhado: o ar comprimido sai quente, o que derruba a eficiência do conjunto.

Foi um problema que os engenheiros acabaram contornando com o intercooler - um trocador de calor ar-ar - famoso em carros como o Subaru Impreza STI e em vários modelos que estampavam essa palavra em letras enormes na carroceria.

Com eles, dá para reduzir a temperatura do ar entre 40% a 60%, favorecendo ganhos de potência e torque. Só que, como dá para imaginar, essa solução também cobra seu preço. O primeiro obstáculo é espaço - ou melhor, a falta dele para instalar o componente; o segundo é que o intercooler aumenta a complexidade do caminho do ar dentro do motor.

Como evoluíram

As duas tecnologias foram se refinando. No caso dos compressores, houve esforços para torná-los mais “amigáveis” em alta rotação, com alternativas como embreagens que desacoplam o sistema em giros elevados - porém, a complexidade extra (e o impacto na confiabilidade) faz com que isso seja incomum.

Do lado dos turbos, apareceram turbinas com pás mais leves, turbos de geometria variável e unidades menores, além de motores com dois turbos em funcionamento sequencial (um turbo menor para baixas rotações e outro maior para altas rotações).

A intenção é clara: melhorar a resposta em baixa. Em alguns casos - mais raros -, as duas soluções foram combinadas no mesmo motor, com compressor e turbocompressor juntos, como em máquinas como o Lancia Delta S4, o mais modesto 1.4 TSI da Volkswagen ou algumas versões do 2.0 da Volvo.

Os turbos passam para a frente

Hoje, os turbos são a opção preferida das fabricantes principalmente por serem mais eficientes, entregando um melhor equilíbrio entre desempenho e economia.

Por trabalharem com algo que seria “desperdício” do motor - os gases de escape -, eles levam vantagem sobre qualquer compressor. Já os compressores sofrem com o efeito parasítico: para gerar mais rendimento, também precisam tirar energia do próprio motor. Em V8 grandes, onde eles costumam aparecer com mais frequência, não é difícil exigirem mais de 150 cv só para operar.

Além disso, partindo do mesmo motor, é mais simples extrair potências mais altas com um turbocompressor do que com um compressor.

E, atualmente, com a adoção de turbos pequenos ou de baixa pressão, o turbo lag ficou quase imperceptível. Em motores de alta performance, arquiteturas mais recentes, como o Hot V, também ajudam a melhorar bastante a resposta dos turbos.

Nos compressores, não existe lag de nenhum tipo: o efeito final se assemelha ao de um motor aspirado com mais cilindrada, mantendo a linearidade e a resposta imediata que tanta gente procura.

O futuro

A verdade é que, mesmo com o turbo mais evoluído, os compressores ainda não “passaram para a história”. A eletrificação entrou como aliada e pode colocá-los de volta no centro das atenções.

Como isso acontece? O compressor deixa de depender de uma ligação física ao motor para funcionar, passando a ser acionado por um motor elétrico. Essa ideia pode aparecer em sistemas híbridos, combinando turbocompressor com compressor elétrico - uma solução vista, por exemplo, no Audi SQ7.

"Por isso, se quer mesmo saber quem vai ganhar esta "guerra", a resposta é: somos nós, utilizadores," porque passamos a ter cada vez mais alternativas que entregam não apenas mais desempenho, mas também mais eficiência.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário