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NIO ET7: teste do sedã elétrico chinês

Carro elétrico branco NIO ET7 exposto em pedestal rotativo em ambiente interno moderno.

É difícil ignorar o apelo visual do NIO ET7. Os faróis dianteiros de LED bem finos, o perfil com jeito de cupê e a faixa traseira igualmente estreita em LED ajudam a disfarçar o porte grande do elétrico chinês, que mede nada menos que 5,1 m de comprimento.

Na dianteira, não há qualquer grade “falsa”, como acontece em alguns elétricos que ainda tentam manter laços estéticos com versões a combustão. Nas portas, os vidros são sem moldura - e, mesmo assim, ao fechar, as portas passam uma sensação sonora de muita solidez.

Aposta na condução autônoma

Logo no primeiro contato com o NIO, outra coisa fica clara: a marca já está preparando o terreno para um futuro de condução autônoma avançada (ou até total).

Isso fica evidente pelo conjunto de tecnologias - câmeras e radares - instalados no centro dianteiro e nas laterais do teto, além de elementos na traseira, onde o módulo da luz de freio também abriga a câmera de ré.

O principal destaque, naturalmente, é o LIDAR central no teto - como já vimos no Volvo EX90 -, parte de um total de 33 sensores a bordo. O pacote inclui ainda 11 câmeras (sete delas com 8 MP), cinco radares de onda de 5 mm e 12 sensores ultrassônicos.

Com esse arsenal, não surpreende que o assistente de condução em vias rápidas consiga assumir o controle da direção, ainda que limitado a uma velocidade máxima de 60 km/h.

“Já estamos a preparar o próximo passo em tecnologia de condução autónoma”, assegura Mirko Reuter, que até recentemente integrava as equipas de desenvolvimento da Audi nesta área e agora é o diretor de desenvolvimento de ADAS (sistemas avançados de assistência ao condutor) na startup chinesa.

O que Reuter chama de “o próximo passo” tem a designação oficial UN R157 e prevê condução autônoma até 130 km/h, além de trocas automatizadas de faixa. Até lá, o uso fica restrito a recursos como controle de cruzeiro adaptativo, alerta de mudança de faixa e aviso de tráfego cruzado.

75 kWh, 100 kWh e… 150 kWh

Feita essa introdução, vale reforçar que estamos com um NIO ET7 equipado com a bateria (menor) de 75 kWh, que segundo a marca entrega autonomia entre 385 km e 445 km. Já o conjunto de 100 kWh promete de 505 km a 580 km com carga completa.

Além disso, havia a promessa de lançamento no primeiro trimestre de 2023 (antes previsto para o fim de 2022) de uma bateria com células semissólidas (com elementos líquidos e sólidos) e capacidade de 150 kWh (!). Isso abre espaço para especular que o sedã da NIO pode virar um novo recordista de autonomia, especialmente considerando o coeficiente aerodinâmico (Cx) muito baixo, de apenas 0,21.

Botões? Não precisa

No ET7, é esperado encontrar tecnologia de ponta em vários pontos. É o caso das portas, que podem fechar por sucção quando encostadas, e dos puxadores que se apresentam automaticamente assim que detectam o toque de uma mão do lado de fora. Também chama atenção a quase extinção de comandos físicos na cabine (há apenas três botões físicos).

O problema é que, aqui, a ideia passa do ponto: o usuário acaba sendo obrigado a “pescar” nos menus da tela de 12,8" o comando que quer usar. Isso vale para funções como os retrovisores externos e até para o próprio volante (que também tem alguns botões para ajustes). O resultado está longe de ser intuitivo e exige um tempo de adaptação relativamente moderado.

Dá para perceber a Tesla como referência dessas soluções, mas ainda faltam ajustes finos para que tudo funcione como deveria. Ainda assim, alguns “soluços” de software não impedem que o sistema ofereça gráficos bem definidos, boa rapidez e uma lógica amigável (ele foi desenvolvido no Silicon Valley).

Também impressiona a quantidade de materiais de alto nível, além das grandes áreas revestidas em couro - a NIO afirma usar 40% mais couro do que os concorrentes -, seja natural, seja vegano (opcional).

Não há porta-luvas “clássico”, porém o bom espaço sob a ponte central entre os bancos e o compartimento traseiro com tampa (que pode abrir para o lado do motorista ou do passageiro dianteiro) dão conta do recado.

“Uma no cravo outra na ferradura”

Mesmo na China, carro precisa dar lucro. E, apesar de o painel ter muitas áreas macias, também aparece bastante plástico duro até a base do para-brisa.

Há ainda um head-up display projetado no para-brisa com boa leitura e que cumpre sua função, mas sem a sofisticação de soluções de rivais alemães mais experientes - e sem informações extras com realidade aumentada.

Por outro lado, os pilares dianteiro e central são revestidos de Alcantara, assim como o teto. Lá em cima, dois grandes painéis translúcidos deixam o interior bem claro. O painel e a consola central recebem madeira rattan (elevando a percepção de qualidade) e, como no Mercedes-Benz EQS (um de seus possíveis concorrentes), existe um sistema Dolby Atmos (23 alto-falantes e 1000 W) que deixa a experiência sonora realmente imersiva.

Nos pontos positivos, há quatro bancos com aquecimento, ventilação, massagem e almofadas de ar nas costas. Atrás, não existe túnel central no assoalho (plataforma dedicada a elétricos) e os passageiros da segunda fileira contam com um painel digital para comandar bancos e climatização.

Mantendo o tom de “umas no cravo, outras na ferradura”, causa estranheza a ausência de bolsas atrás dos bancos dianteiros. O piso é relativamente alto e, mais sério, o porta-malas tem apenas 370 litros - mais ou menos metade do espaço do porta-malas do Tesla Model S e 10 litros a menos do que o de um Volkswagen Golf….

Para completar, a abertura de carga é estreita - trata-se de um sedã de três volumes e quatro portas, não de um fastback de cinco portas (apesar de parecer) - e o encosto dos bancos traseiros não pode ser rebatido.

Ao volante

Ao olhar para o chassi, o cenário melhora. Ele combina suspensão a ar e amortecedores adaptativos, trabalhando em conjunto para entregar um comportamento convincente na forma como o NIO ET7 assenta no asfalto.

Seja com calibração mais rígida (modo Sport+) ou mais macia (modo Comfort), o conjunto mantém um ajuste equilibrado e coerente com a prioridade escolhida no momento, de acordo com a preferência de quem dirige e/ou o tipo de estrada.

Se o banco executivo traseiro do lado direito estiver em uso, o ocupante vai gostar dos movimentos verticais bem controlados - além, claro, do ótimo espaço para pernas e cabeça.

Parte do crédito vai para a suspensão independente multibraços na dianteira e na traseira, embora em curvas mais fechadas, feitas com mais velocidade, a massa elevada do NIO ET7 - quase 2,4 toneladas - apareça, junto com a tendência de alargar a trajetória.

Nessas condições, os bancos dianteiros, bem confortáveis, mostram que foram pensados mais para isso (comodidade) do que para segurar o corpo com firmeza em acelerações laterais.

Nas mesmas estradas sinuosas, a direção não acompanha no mesmo nível: a partir do ponto central, surgem algumas reações mais nervosas; além disso, ela é leve demais e perde precisão perto dos extremos de esterço.

Em rodovias, a velocidades de cruzeiro, tudo funciona bem melhor. O isolamento acústico do habitáculo bem montado (uma das maiores surpresas do NIO) merece elogios, assim como o baixo ruído aerodinâmico - embora essa combinação acabe deixando mais evidente o som do contato dos pneus com o asfalto.

Força e rapidez não faltam

O sistema de propulsão impressiona nos números: 480 kW (653 cv) de potência máxima e 850 Nm de torque máximo, distribuídos às quatro rodas - 180 kW (245 cv) na frente e 300 kW (408 cv) atrás.

Isso explica como os 2359 kg do sedã chegam a 100 km/h em apenas 3,8s (velocidade máxima de 200 km/h). E mesmo no modo Eco, o NIO ET7 reage com agilidade ao acelerador. No menu específico da tela central, o motorista pode escolher o nível de rapidez das acelerações: desde os “supersônicos” 3,8s de 0 a 100 km/h até 12,9 s usando apenas o eixo dianteiro.

No mesmo local também é possível ajustar o nível de regeneração por frenagem/desaceleração, mas não existe modo de condução com “um único pedal”. Ali também ficam as escolhas de acerto da suspensão, altura livre do solo e o “peso” da direção.

Em ritmo de cruzeiro, acelerações moderadas ficam geralmente por conta apenas do motor/rodas dianteiros, enquanto o motor/rodas traseiros entram quando o motorista pede mais desempenho e/ou quando a aderência não está ideal. O pedal de freio tem uma consistência e linearidade que nem sempre aparecem em carros eletrificados (elétricos e híbridos plug-in), e isso é bem-vindo.

Eficiência elevada

A aerodinâmica muito bem trabalhada do NIO ET7 ajuda a reduzir o consumo. A NIO aponta média entre 19,3 kWh e 22,3 kWh, e nós encerramos o percurso em 18,9 kWh - com um longo trecho de rodovia, no qual tentamos chegar à velocidade máxima.

A bateria de 75 kWh pode ser recarregada a 11 kW (AC/corrente alternada) ou até 130 kW (DC/corrente contínua). Nesse caso, é preciso pouco mais de meia hora para sair de 10% e chegar a 80%.

Ainda assim, em uma recarga em um posto Ionity feita por dois colegas, ficou claro que a carga em DC é lenta (com 46% de carga, entrava energia a apenas 72 kW). Além disso, a portinhola de acesso ao conector do NIO ET7 é difícil de abrir - um inconveniente mais simples de resolver do que o primeiro.

A outra alternativa para seguir viagem é a troca de bateria em estações que a NIO está instalando na Europa (ao menos em alguns casos). Elas são produzidas na Hungria e já existem 20 entre Noruega e Alemanha, com planos para ter 120 ativas durante 2023. O objetivo é chegar a 1000 estações fora da China até 2025, a maioria delas no continente europeu.

A marca chinesa diz que o usuário faz a operação em cinco minutos e sem ajuda (após consultar um tutorial no aplicativo da NIO), mas é algo que ainda precisamos confirmar.

Quando chega e quanto custa?

Na Alemanha, a versão com bateria de 75 kWh parte de 82 000 euros, enquanto a de 100 kWh começa em 91 000 euros - portanto, os valores não devem ficar muito diferentes ao projetarmos para Portugal. Se a opção for não comprar a bateria, os preços caem para 70 000 euros e 82 000 euros, respectivamente.

Em Portugal, estima-se que a NIO só possa chegar em 2025. A marca já entrou na Noruega em 2021, com o SUV ES8 - já foram vendidos 1000 exemplares -, e a expansão continua com a chegada à Alemanha, Países Baixos, Dinamarca e Suécia, agora já com o ET7.

No primeiro trimestre de 2023, a NIO planejava lançar mais dois modelos, o ET5 e o EL7, um sedã médio e um SUV médio, baseados na mesma plataforma NT2 inaugurada pelo ET7.

Especificações técnicas

NIO ET7
Motor
Motores 2 (um por eixo)
Potência Motor dianteiro: 180 kW (245 cv); Motor traseiro: 300 kW (408 cv) cada; Potência máxima combinada: 480 kW (653 cv)
Binário Máximo combinada: 850 Nm
Transmissão
Tração Integral
Caixa de velocidades Caixa redutora de relação fixa (uma por motor)
Bateria
Tipo Iões de lítio
Capacidade 75 kWh
Carregamento
Potência máxima em DC 130 kW
Tempos de carregamento
0-80% 130 kW (DC) 33 minutos
Chassis
Suspensão FR: Independente multibraços; TR: Independente multibraços; Molas pneumáticas e amortecedores adaptativos
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos ventilados
Direção Assistência elétrica variável
Diâmetro de viragem N.D.
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 5101 mm x 1987 mm x 1509 mm
Distância entre eixos 3060 mm
Capacidade da mala 370 litros
Pneus FR: N.D.; TR: N.D.
Peso 2359 kg
Prestações e consumos
Velocidade máxima 200 km/h
0-100 km/h Sport+: 3,8s; Comfort: 7,9s; Eco (tração dianteira): 12,9s
Consumo combinado 19,3-22,3 kWh/100 km
Autonomia 385-445 km

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