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Carros velhos: aventura a partir de 500 euros

Carro esportivo elétrico laranja estacionado em showroom moderno com piso refletivo.

Este texto é para os corajosos. Para quem saiu do discurso e partiu para a prática: viu um carro em um site de classificados e foi lá comprar. Ter um carro velho não é para qualquer um.

Corajosos que toparam encarar o pacote completo: a chance de dar ruim na mecânica, a possibilidade de gastos que aparecem do nada, e até o drama de procurar peças que já sumiram do mercado. No fim das contas, são os riscos típicos de carro velho.

Quem consegue cruzar esse “cabo das tormentas” certamente encontra, do outro lado, um monte de histórias para contar. E é justamente sobre essa turma que este artigo fala.

Aventura a partir de 500 euros

Thom V. Esveld e José Maria Gomes são dois dos nossos heróis - exemplos vivos de como dá para viver o universo dos automóveis sem gastar uma fortuna. As imagens que acompanham este artigo são a prova disso.

O Thom V. Esveld vocês já conhecem: fotógrafo da Razão Automóvel, apaixonado por natureza, fotografia e por compras que beiram o imprudente. O primeiro carro dele? Um Datsun 510/1600 «Tri-S» com volante à direita, que já tinha passado por ralis.

Uma escolha sensata? Nem pensar. Épica? Sem dúvida.

Depois disso, outros carros foram passando pela garagem do Thom - alguns, verdadeiros “restos de guerra” - e a lista já ficou grande demais para citar um por um. Aliás… cheguei a ficar bem perto de comprar dele este Mercedes-Benz 190d, mas, na hora H, me faltou coragem.

Quando o meu telefone toca depois das 22h00 e do outro lado está o Thom já sei: “então Thom, qual foi carro que encontraste desta vez?”.

O Zé Maria Gomes torce para o mesmo clube que o Thom e também entrou, há pouco tempo, no time dos carros velhos. No caso dele, foi um Fiat Panda - adquirido pela modesta quantia de 500 euros.

Pouco para ser feliz. É possível?

Tanto o Zé quanto o Thom seguem a mesma máxima: dá para ser feliz ao volante com pouco. Só que essa filosofia já cobrou caro dos dois.

No caso do Zé Maria, desde que trouxe o Panda para casa já colocou - tem quem prefira dizer que “enterrou” - mais de 2000 euros. Debaixo do capô daquele Panda existem segredos que não podem ser revelados e, por fora, ele parece mais um Fiat Panda 4X4.

Já no caso do Thomas, a compra mais recente subiu um degrau em status e conforto.

Um Mercedes-Benz 300d (W123) com decoração de ralis, rádio DB e pneus cardados. Depois da ótima experiência com o 190d, ele resolveu dobrar a “dose”: um carro maior e com mais motor.

Com rampas, jerricans, algumas cintas e muita disposição, os dois garantem que dá para ir até o fim do mundo. Mesmo quando, às vezes, é preciso gastar 4 horas para vencer 500 metros em um areião que nem deveria existir.

Carros velhos? Não é para todos

Quando eu escrevo “carros velhos”, não é como ofensa. E eu também não escrevo “carros clássicos”, porque não basta ter idade para virar clássico.

Nenhum dos carros que citei até aqui é - ou vai ser - um clássico. E isso não tem problema nenhum. Velhos? Sim, e com orgulho.

De toda forma, esse tipo de aventura não serve para qualquer pessoa. Pede paciência, pede gostar de carro. Pede afinidade com mecânica e, às vezes, mesmo sem gostar, exige passar horas com as ferramentas na mão tentando conter os problemas.

Em resumo: virar noites para deixar tudo pronto para mais uma aventura naquele fim de semana - seja no asfalto, seja fora dele.

É esse “exercício” que rende alguns fios brancos e, vez ou outra, uma “nota preta”. Tempo e dinheiro que muita gente não quer (ou não pode) colocar nisso.

Carro velho definitivamente não é para todos. Mas quem supera essas pedreiras jura que não troca o seu “velhinho” por nada.

E tu. De que lado estás?

Eu sigo procurando o meu futuro “chaço”. Mas só vou mergulhar nisso quando terminar de restaurar a minha “velha” Honda NX 250 - dá para acompanhar o processo no meu Instagram.

Quando eu concluir, também vou comprar um carro velho. Só falta decidir qual. Estou em dúvida. Aceito sugestões…

Agradecimentos: Obrigado ao Thom V. Esveld e ao pessoal da Duplex Tents pelas imagens. Da próxima vez, talvez eu me junte a vocês - só falta o carro.

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