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Novo Nissan LEAF: o pioneiro elétrico volta com uma fórmula totalmente nova. É suficiente?

Carro elétrico Nissan New Leaf branco estacionado em ambiente interno com estação de recarga ao fundo.

O Nissan LEAF abriu caminho, mas acabou ultrapassado pelos rivais. Agora, ele volta com uma receita completamente diferente. Será que basta?


Para muita gente, o Nissan LEAF é o “pai” da mobilidade elétrica - e acaba de viver a maior virada da sua trajetória. Entre nós… já estava na hora.

Apresentado em 2010, o LEAF acumulou 700 mil unidades vendidas e, por vários anos, foi o carro elétrico mais popular do planeta. Só que esse protagonismo foi se perdendo e nem a segunda geração conseguiu reverter o cenário.

Para recuperar espaço, a Nissan apostou em uma transformação de verdade: o LEAF ficou mais espaçoso, mais tecnológico, mais forte e com autonomia acima de 600 quilômetros.

Mas isso resolve? Fomos até Copenhague, na Dinamarca, para conhecer de perto e entender o que entrega este crossover elétrico. Confira:

Ordem para mudar

Pode esquecer o que você associava ao LEAF. A Nissan abandonou o visual estranho e pouco sedutor dos modelos anteriores e redesenhou o carro com uma proposta mais premium, mais “parruda” e com proporções mais harmoniosas.

Além de mais eficiente no ar (Cx de apenas 0,25), a silhueta ficou mais atraente - especialmente atrás. Lá, chama atenção uma peça preta que envolve uma assinatura luminosa inédita e que ainda guarda um segredo. Dá para descobrir neste artigo:

Em comparação com a geração anterior, o novo Nissan LEAF é 13 cm mais curto (4,35 m), 1 cm mais alto e 2 cm mais largo. Ainda assim, por dentro ele está mais amplo do que nunca, aproveitando uma plataforma dedicada que dispensa qualquer saliência no assoalho.

Quem vai no banco traseiro agradece - e isso fica claro no vídeo em destaque. Também não é surpresa: o LEAF segue como uma alternativa pensada para famílias. O porta-malas, com 437 litros (15 litros a mais do que antes), reforça essa vocação, embora ainda fique atrás de rivais diretos como o Kia EV3 ou o Skoda Elroq.

Revolução tecnológica

O LEAF anterior já mostrava o peso da idade. Mesmo com os esforços da Nissan para mantê-lo atualizado, uma nova geração era necessária havia tempo - principalmente na cabine, que mudou tanto (ou mais) do que o exterior.

Agora há duas telas de 14,3", posicionadas lado a lado, que mudam completamente a experiência ao volante. E faz diferença porque todo o sistema multimídia roda sobre o Google Automotive, com acesso direto ao ecossistema Google.

Na prática, serviços como o Google Maps ficam totalmente integrados à navegação do carro - e isso vira um trunfo importante: se você planejar as viagens no Google Maps, o pré-condicionamento da bateria entende quando é hora de carregar e prepara automaticamente a bateria na temperatura ideal.

E tem mais. Android Auto e Apple CarPlay funcionam sem fio; a navegação pelos menus pode ser feita via Google Assistant; e músicas e podcasts saem em um sistema de som premium da Bose, que inclusive traz um alto-falante embutido no encosto de cabeça do banco do motorista.

Pode soar como detalhe, mas com o carro cheio (e barulhento) isso ajuda bastante a ouvir chamadas e as orientações do Google Maps - boa, Nissan!

Para fechar, outro destaque aqui dentro é o teto panorâmico, que alterna entre opaco e transparente com o toque de um botão. É a mesma tecnologia que já vimos no sistema Solarbay da Renault e funciona muito bem - dá para ver em ação no vídeo acima, em destaque.

Autonomia recorde

Se você quer um crossover elétrico com jeitão de esportivo, melhor procurar outro. O LEAF não tem essa pretensão. A aposta é em autonomia elevada e conforto - algo que combina com um carro de perfil familiar.

Mesmo assim, na configuração mais forte, com 160 kW (218 cv) e 355 Nm, ele faz 0 a 100 km/h em 7,6s. Já na versão de entrada, com 130 KW (177 cv), a mesma arrancada exige 8,6s.

Baseado na plataforma CMF-EV (a mesma do Nissan Ariya e do Renault Megane E-Tech), o LEAF pode ser escolhido com duas baterias: 52 kWh, que garante até 445 km de alcance (ciclo WLTP); e 75 kWh, com uma autonomia recorde de até 622 km. Até aqui, o “rei” da autonomia neste segmento era o Kia EV3:

Diferentemente de alguns elétricos, o LEAF não foge de rodovia. A marca fala em cerca de 330 km de autonomia em velocidades de estrada quando equipado com a bateria maior.

Isso acontece graças a uma máquina elétrica muito eficiente. A Nissan declara consumo combinado (WLTP) de apenas 13,8 kWh/100 km, um número bem competitivo na categoria. Ainda precisamos esperar um teste em Portugal para fazer a “prova dos nove”, mas neste primeiro contato eu consegui rodar quase sempre na casa dos 15 kWh/100 km.

No conforto, o LEAF também se destaca - aliás, esse é um dos seus grandes pontos fortes, tanto pelo isolamento acústico quanto pela qualidade de rodagem.

Os bancos ajudam: além de bom suporte lateral, são realmente confortáveis. Mas parte importante desse resultado vem do nível de construção e, claro, do conjunto de suspensões, que usa esquema multi-link no eixo traseiro.

E os carregamentos?

Em recarga, talvez esteja um dos aspectos menos empolgantes deste elétrico, já que ele aceita em corrente contínua (DC) apenas 105 kW (bateria menor) ou 150 kW (bateria maior).

Em corrente alternada (AC), o Nissan LEAF carrega a até 7,4 kW ou, opcionalmente, a 11 kW.

A boa notícia é a presença de V2L (até 3,7 kW), que permite usar o carro como uma espécie de power bank gigante, servindo de fonte para alimentar ou recarregar, por exemplo, pequenos eletrodomésticos ou uma bicicleta elétrica.

Quanto vai custar?

O novo Nissan LEAF só chega a Portugal no primeiro trimestre de 2026 e, por enquanto, ainda não tem preços definidos para o mercado nacional.

Veredito

Esse, inclusive, é um dos motivos que me impede de dar uma nota mais alta a este elétrico, mesmo com a marca japonesa assegurando que ele terá um valor final bem competitivo.

Se isso se confirmar, o LEAF reúne muitos argumentos para emplacar em um mercado cada vez mais disputado. E, acima de tudo, parece ter juntado os ingredientes certos para voltar a ser um nome de peso na mobilidade elétrica.

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