O que é, afinal, este carro?
Trata-se do Mitsubishi Outlander PHEV atualizado: um SUV híbrido plug-in que, segundo os números oficiais, passa a prometer nada menos que 156 milhas por galão (cerca de 55,2 km/l) e no máximo 42 g/km de CO₂.
Claro que todo mundo sabe que os ciclos oficiais de teste não são exatamente realistas quando o assunto é híbrido plug-in. Ainda assim, o Outlander PHEV - que, descobrimos, se pronuncia “pee-aitch-ee-vee”, e não “fev” - continua sendo, pelo menos no papel, aquela proposta tentadora de “ter tudo ao mesmo tempo”.
Com autonomia elétrica de 32 milhas (aprox. 51,5 km), ele pode ser, em teoria, um 4x4 parrudo de cinco lugares capaz de rodar como um elétrico puro durante a semana. E, quando pintar uma viagem mais longa no fim de semana - algo como encarar o caminho até John O’Groats - não deveria provocar a famosa ansiedade de autonomia.
O que incomodava no Outlander PHEV antes?
Quando guiámos o Outlander plug-in original, 18 meses atrás, a ideia nos agradou, mas a execução deixou a desejar - sobretudo no que diz respeito ao requinte do motor a gasolina (ou melhor, à falta dele).
O facto de este facelift focado em melhorar refinamento ter chegado apenas um ano e meio depois sugere que, desta vez, talvez tivéssemos mesmo alguma razão. A parte mecânica é a mesma de antes - um motor a gasolina 2,0 litros na frente, além de um motor elétrico de 60 kW em cada eixo, alimentados por um conjunto de baterias sob o piso do porta-malas -, mas agora tudo vem num pacote visivelmente mais bem resolvido.
O que mudou no facelift do Mitsubishi Outlander PHEV?
Há mudanças fáceis de notar: a dianteira ficou mais “pontuda”, o interior parece mais caprichado e existe mais equipamento a bordo - faróis de LED e câmara 360 graus entram na lista de mimos.
Só que o grosso do trabalho foi outro: cortar ruído, vibração e aspereza (o famoso NVH). A suspensão foi recalibrada, entrou mais material de isolamento acústico e, para completar, os vidros ficaram mais espessos.
A Mitsubishi também mexeu bastante na aerodinâmica. Sem o ronco constante de um motor a combustão para “tapar” o barulho do vento, a carroçaria recebeu ajustes para deixar o fluxo de ar mais limpo ao redor dos retrovisores, das vedações das portas e das colunas.
E na prática: funcionou?
O Outlander PHEV ficou, de facto, um lugar mais agradável para passar tempo. No uso urbano, em modo elétrico, ele é silencioso de um jeito quase absurdo, deslizando sem barulho e com uma condução arrumada - firme o suficiente para não balançar demais.
Quando o motor a gasolina entra em ação, ainda existe aquele “escorregão” típico de CVT que pode irritar. A diferença é que o som do motor já não domina o ambiente. E, além disso, na maior parte da condução na cidade, o motor a combustão mal chega a trabalhar. Ninguém vai confundir com um Rolls Phantom, mas o Outlander virou um SUV moderno e competente - com a vantagem de poder fazer o trajeto diário com emissões zero.
Ele também está um pouco mais esperto. As mesmas alterações de software que melhoraram ligeiramente o consumo e reduziram o CO₂ deixaram este Outlander reestilizado dois segundos mais rápido de 0 a 25 mph (cerca de 40 km/h) do que antes. Se um Ariel Atom evoluísse isso tudo, daria para dizer que já estaria pronto para viajar no tempo.
Mesmo com mais couro e um ar mais luxuoso por dentro, ele ainda não chega ao nível de um Discovery Sport na cabine. Só que o Outlander custa uma boa fatia a menos do que o Land Rover. E ainda há um bónus: em Londres, não é necessário pagar para circular na zona de congestionamento - excelente se você mora na zona de congestionamento de Londres, e bem menos relevante se você vive, por exemplo, em Northumberland.
Então vale a pena comprar?
Com o subsídio do governo de £5 mil para carros elétricos, o PHEV sai por exatamente o mesmo valor do Outlander a diesel.
Há poucos meses, teríamos repetido a velha frase “mas, para a maioria de nós, o diesel vai fazer mais sentido”. Só que o Grande Escândalo da VW de 2015 pode levar muita gente a questionar se o diesel é mesmo a solução “verde” que parecia ser.
Como sempre acontece com híbridos plug-in, a resposta depende do seu perfil. Se você roda regularmente mais de 100 milhas (mais de 160 km) por trecho, o Outlander PHEV não é o carro certo. Mas, se o seu dia a dia envolve um deslocamento de cerca de 20 milhas (aprox. 32 km), você consegue carregar o carro na garagem durante a noite e precisa de algo que dê conta de atravessar um campo húmido nos fins de semana, este Outlander PHEV agora mais civilizado pode calçar como uma galocha ecológica no tamanho certo.
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