O que é?
É o Seat Leon Cupra com uma dose extra de potência: são mais 10 cv, chegando a 286 cv no total, vindos do motor 2,0 litros turbo que ele divide com versões mais apimentadas de Golf, TT e Octavia.
É só isso?
Quase. Há um escapamento novo, 5,8 kg mais leve do que o anterior, que (de forma um tanto otimista) promete um "som mais esportivo". Mas, na prática, o assunto principal aqui é mesmo o ganho de potência.
Quando o Cupra estreou com "apenas" 276 cv, soava um pouco absurdo - embora não exatamente inédito - que um hot hatch de tração dianteira (FWD) viesse com tanta força. Só que, desde aquele lançamento em 2014, a concorrência elevou bastante o nível.
Dá para apontar o dedo para o Focus RS: ele custa pouco mais de £1.000 a mais do que um Cupra de 5 portas, que agora sai por £28.675, mas entrega o dobro de rodas motrizes e mais 60 cavalos. Também tem o Civic Type R de tração dianteira, com aquela pegada de entusiasta de dia de pista - intenso, sem pudor e genuinamente rápido. Nos últimos meses, o Cupra acabou ficando para trás nesse jogo.
Ainda existe motivo para escolher o Cupra?
Sim, com certeza. Mesmo com menos potência do que alguns rivais e com "só" tração dianteira, ele continua sendo uma ferramenta séria. Em uma estrada molhada, um Focus RS ou um Golf R leva vantagem com facilidade, mas o Cupra se comporta muito bem para um carro desse tipo.
Quem duvida só precisa lembrar do recorde de Nürburgring abaixo de oito minutos, que segue de pé - pelo menos até a Honda resolver derrubá-lo.
E, claro, sempre vai existir quem prefira hot hatch exclusivamente com tração dianteira…
Esses 10 cv a mais aparecem ao dirigir?
Na prática, as fichas técnicas (role a página para ver o conjunto completo) mudaram pouco. Comparando versões equivalentes, um Cupra SC de três portas com câmbio DSG faz 0–62 mph 0,1 s mais rápido (5,6 s contra 5,7 s). Sem um cronómetro na mão - e sem sentidos do nível do Stig - é improvável notar qualquer diferença.
O binário continua exatamente o mesmo: 258 lb ft, só que distribuído por uma faixa de rotações um pouco mais ampla. Uma das qualidades do Cupra sempre foi o jeito como ele entrega a potência: de forma constante, insistente, sem dar a sensação de que vai perder o fôlego. E, no 290, ele continua tão bom quanto era no 280 quando o guiámos pela primeira vez. O que, diga-se, foi muito.
Em curvas, ele segue tão competente quanto antes. O diferencial VAQ ajuda a puxar o carro para fora de curvas fechadas sem transformar tudo num drama. Civilizado e eficiente, o Cupra tanto aguenta uma tocada completamente insana quanto se mostra tranquilo em deslocamentos urbanos ou em viagens pela autoestrada. Isso, por exemplo, não é tão verdade no caso do Civic.
Como é o resto do Seat Leon Cupra no dia a dia?
O Cupra pode ser SC de três portas, hatch de cinco portas ou a perua ST, mais espaçosa, com opção de câmbio DSG ou manual.
Entre as carrocerias, a ST é disparado o melhor caminho. Outros hatches têm argumentos fortes contra o SC e o cinco portas, mas há poucos que consigam bater a ST no conjunto de desempenho, espaço, preço e facilidade de convivência no uso diário.
Também vale muito a pena escolher o kit de performance Sub-8 como opcional. Por £2.685, ele traz Brembo de quatro pistões e as rodas aro 19 necessárias para acomodá-las, além de um jogo de Michelin Pilot Sport Cup 2. Não é só aparência (nós, por acaso, gostamos dos detalhes em laranja): a sensação ao dirigir acompanha.
Devo comprar um?
Não, caso você já tenha um Cupra 280. A diferença é pequena demais para justificar a troca.
Se não for o seu caso, pode ir sem medo. Ele é mais fácil de viver todos os dias do que um Civic Type R, parece ter algo como 95 por cento da rapidez, e ainda é bem menos constrangedor de ser visto ao volante. O nosso seria a perua, com as rodas laranja, por favor.
Os números (Cupra 290 SC com DSG – é o mais rápido)
286bhp, 258lb ft, 155mph, 0-62mph in 5.6secs, 43.5mpg, 149g/km CO2
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