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Teste do Alpina B3 GT3: radical para os suaves

Carro BMW branco modelo Alpina em alta velocidade na estrada com fundo de árvores ao entardecer.

Esta avaliação foi publicada originalmente na Edição 236 (2012) da revista Top Gear.

Este carro não se encaixa direitinho em nenhuma categoria. E isso não significa que seja ruim; só indica que deve agradar a um público bem restrito - gente que curte carros realmente radicais, mas prefere manter alguns aspectos desse universo a uma certa distância. Como a troca de marchas. E o barulho.

Posicionamento: onde o Alpina B3 GT3 entra na conversa

O resultado é que ele não foi feito para bater de frente com um M3 GTS. Mesmo sendo uma série limitada (99 GT3s contra 150 GTSs), trazendo suspensão ajustável afinada para pista e tendo sido criado para fazer ligação com o B6 GT3 que venceu a categoria alemã de GT no ano passado, na prática ele custa metade e entrega metade da “dureza” do M3 mais parrudo da BMW.

Parte disso se explica porque ele nem nasce de um M3. A Alpina (fabricante por conta própria - e não apenas uma preparadora, segundo o órgão alemão oficial que homologa esse tipo de coisa) usa BMWs de linha como ponto de partida. E o diferencial dela não é tentar ser “mais M” do que a M, se é que você me entende; é pegar as qualidades naturais do carro que está, digamos, aprimorando e elevá-las.

Em geral, a gente gosta bastante do que sai daí: os Alpina costumam ser discretos, têm mais prestígio, e ainda acrescentam um pouco de velocidade, suavidade e desejo. São BMWs lapidados numa direção que faz sentido.

O B3 GT3 estica essa proposta. Partindo de um 335i cupê, ele é o carro de rua mais assumidamente voltado para pista que a Alpina já fez.

Motor e desempenho do B3 GT3: 402 cv e 398 lb-ft

Tem muito trabalho aqui: o seis-em-linha biturbo (não o mais recente motor de turbo único, que de forma confusa leva o emblema TwinPower) ganhou melhorias de respiração e uma ECU recalibrada. Resultado: 402 cv e 398 lb-ft de torque (540 Nm). Falta de desempenho não existe nesse caso.

O B3 sobe de giro com uma determinação quase obsessiva, entregando ritmo de M3 com uma camada extra de facilidade. Ele é rápido sem exigir que você esteja sempre na ponta dos pés.

Suspensão ajustável: o ganho-chave está no acerto

Só que velocidade não é o único objetivo - e talvez nem seja o principal. O foco, nesse cupê inspirado em competição, está no comportamento dinâmico. Para isso, a Alpina instalou suspensão ajustável.

E não é do tipo “aperta um botão no painel”. É do tipo “vá até a concessionária e espere 45 minutos”. Além de permitir mudanças na altura e nos ajustes de molas/amortecedores, ainda dá para mexer nos ângulos de cambagem. Não surpreende que a Alpina não queira ver os donos se aventurando nisso em casa. Existem três configurações recomendadas: estrada, pista e James May. Desculpe, Nürburgring.

Sinceramente, a de estrada já dá e sobra. Não que o carro seja desconfortável - na verdade ele absorve com habilidade -, mas você não vai querer algo muito mais firme se convive com buracos e remendos no asfalto. Em compensação, a suspensão transmite uma quantidade sensacional de informações da superfície, muito bem filtradas: chega o que é agradável/necessário/útil, não os trancos, pancadas e ruídos secos.

Nisso, ele acerta um equilíbrio melhor do que o M3: entrega as vantagens de uma suspensão rígida com poucas das desvantagens. Faz curva sem drama e sem rolagem, ao mesmo tempo em que passa uma sensação de compostura e tranquilidade.

Direção, câmbio e silêncio: onde o conceito fica estranho

Mas estou falando especificamente da suspensão, não do conjunto do comportamento. O motivo é que a direção não foi alterada e, por isso, parece um tiquinho lenta demais. Você acaba colocando mais esterço do que imagina precisar e recebe menos retorno do que gostaria. É um sinal claro de que a Alpina não teve - ou não quis ter - recursos e disposição para uma reengenharia completa, do zero.

Ainda assim, a direção é um incômodo pequeno: continua agradável de usar e não é um problema estrutural a ponto de fazer você duvidar do papel do carro.

Essa dúvida aparece por causa do câmbio. Ok, estou um pouco fazendo cena, mas vamos lá: Alpina, um automático, e nem é de dupla embreagem? Tudo bem, é um dos melhores seis-marchas desse tipo e tem borboletas no volante, mas a escolha não combina com a proposta. Dá para simplesmente deixar em D, deixar as relações longas e o software decidirem a marcha. E isso não soa certo num carro de rua com sangue de pista, soa?

O pior é que é fácil deixar o carro “se virar” porque ele é bem relaxante. Em parte graças ao câmbio, mas talvez ainda mais por causa da falta de barulho. Sim, há um escapamento Akrapovic que economiza 11 kg, mas isso passa despercebido. O que salta aos ouvidos é a ausência daquele latido limpo de seis-em-linha. É sério: um BMW derivado de pista, com aerofólio de carbono, que praticamente não faz som.

Visual, cabine e o público-alvo do Alpina B3 GT3

Pelo menos visualmente ele compensa. Por fora, aparecem as rodas tradicionais de 20 raios, os freios azuis e a adição de aletas e asas de utilidade discutível. Por dentro, os bancos são excelentes, mas fica a sensação de que a cabine está meio geração atrasada.

E o tempo todo fica a pergunta: para quem esse carro foi feito? Talvez essa seja a pergunta errada, porque apesar de tudo ele é ótimo de guiar - um carro capaz de atacar e de relaxar. O problema é que ele faz as duas coisas ao mesmo tempo. É radical para quem tem coração macio.

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