A reta final da década já se aproxima, e várias montadoras estão correndo contra o relógio para entregar o que prometeram nos últimos anos. A Mercedes-AMG, que vinha mantendo discrição em relação às suas ambições, também entrou nessa disputa com um plano agressivo - sobretudo para os próximos 36 meses.
Michael Schiebe, CEO da submarca da Mercedes-Benz, disse à Bloomberg neste mês que os três anos anteriores foram dedicados a montar uma estratégia para redesenhar completamente o portfólio da AMG: “O nosso plano é, sem dúvida, crescer. Tomámos muitas decisões. Todos os produtos estão em fase de desenvolvimento e as pessoas precisam de ficar atentas, porque vamos lançar mais de 27 carros nos próximos 36 meses, apenas para a Mercedes-AMG”, afirmou.
Crescimento da Mercedes-AMG até 2030: meta de 200 mil unidades
A intenção por trás dessa ofensiva é direta: chegar a 200 mil unidades vendidas por ano até 2030. Isso representaria um avanço de 38% em relação às 145 mil unidades emplacadas no ano passado.
O histórico dos últimos 10 anos indica que esse objetivo não é necessariamente fora da realidade. Em 2015, a AMG comercializou 69 mil carros; em uma década, a marca mais do que dobrou esse volume. Com a nova rodada de lançamentos em andamento, alcançar a marca de 200 mil unidades passa a parecer um passo possível.
À primeira vista, o número pode soar alto, mas o desempenho da rival BMW M mostra que há espaço. No ano passado, a BMW M vendeu mais de 213 mil carros e já soma 14 anos seguidos quebrando recordes de vendas: hoje, um em cada 10 BMW vendidos pertence à divisão BMW M.
Como a AMG vai chegar aos 200 mil carros?
Para atingir esse patamar, a grande aposta da AMG não está apenas na quantidade de modelos inéditos, mas também no que vai estar sob o capô. Enquanto diversas montadoras europeias aceleram rumo ao abandono total dos motores a combustão, a divisão esportiva segue por um caminho diferente.
Motores da AMG: novo V8 e possível seis cilindros
É verdade que, no mês passado, a AMG apresentou o novo e controverso GT 4 Portas, que passou a ser exclusivamente elétrico. Ainda assim, a equipe de Affalterbach vai revelar, no segundo semestre, um novo motor V8 - com a promessa de entregar mais desempenho e, ao mesmo tempo, atender às regulamentações ambientais atuais e futuras.
Schiebe também indicou que, mais adiante, um novo motor de seis cilindros pode entrar em cena. “Mesmo no que diz respeito aos motores a combustão, a Mercedes-AMG está preparada para o futuro. A decisão final caberá ao cliente”, sublinhou o responsável.
Outros atributos
Além da parte mecânica, o visual continua sendo um dos argumentos mais fortes de venda da AMG. A marca pretende manter a estratégia de séries especiais e edições limitadas, como a linha Mythos e os futuros Black Series, ampliando de forma significativa a gama até o fim da década.
“A AMG é sobre um design incrível, dinâmica de condução e apelo emocional geral do produto. Isso pode ser alcançado tanto com veículos elétricos como com veículos a combustão”, resumiu Mathias Geisen, chefe global de vendas da Mercedes.
Na avaliação de analistas, submarcas esportivas como a AMG cumprem uma função estratégica que vai muito além do volume vendido: mesmo representando uma fração pequena do total de uma montadora, elas tendem a gerar margens de lucro maiores e atuam como um motor de imagem para toda a marca.
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