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Novo BMW iX3 inaugura a Neue Klasse com 800 V e até 805 km

Carro BMW X3 Future azul exposto em showroom moderno com grandes janelas e carro branco ao fundo.

O motivo de o novo BMW iX3 ser tratado como o lançamento mais relevante dos últimos anos é direto: ele inaugura uma plataforma inédita, tanto no plano físico quanto no eletrônico, além de um conjunto elétrico completamente novo. É essa base que deve sustentar os BMW por, no mínimo, a próxima década.

Mais do que um modelo novo, ele sinaliza uma mudança grande na forma como a marca bávara encara o automóvel. Em vez de os carros serem definidos principalmente por potência/performance e por qualidades dinâmicas, passam a ser cada vez mais determinados pela “inteligência” das arquiteturas eletrônicas e pela autonomia elétrica - elementos que tendem a separar as águas entre as fabricantes.

Após alguma indecisão sobre qual integrante abriria a família “Nova Classe” (Neue Klasse, em alemão), o SUV iX3 acabou eleito para estrear. A escolha tem lógica: o formato de carroceria é mais universal em apelo, enquanto o i3 - o Série 3 elétrico, em formato sedã - é esperado para meados de 2026.

Na prática, este é o primeiro BMW que pode ser visto como parte da próxima geração de “veículos definidos pelo software” (SDV). Nesse conceito, a rede de “cérebros” eletrônicos a bordo, somada às conexões com o mundo exterior, passa a definir o carro: como ele interage com o ambiente, como vira uma extensão da vida digital dos ocupantes e de que maneira consegue “regenerar-se” via atualizações remotas. E, num futuro próximo, essas atualizações devem afetar também o hardware do automóvel - não apenas o software.

Mesmo que comportamento em estrada, desempenho e qualidade construtiva continuem pesando (especialmente no segmento premium em que a BMW compete), autonomia e capacidade computacional ganham uma escala totalmente diferente.

Assim como ocorreu nos anos 60 do século passado, a futura “Nova Classe” da BMW vai se desdobrar em diversos modelos, representando a conversão de todo o portfólio. Produção, desenvolvimento, criação de valor e plataforma: esse é o sentido de “Nova Classe”.

Dá para chamar de revolução: nada menos de 40 modelos devem incorporar as tecnologias da família Neue Klasse até 2027. Depois do iX3, são esperados cinco modelos completamente novos até o fim desse ano, pensados para formar o coração e a espinha dorsal da BMW. Além do já citado i3 - sedã e perua -, estão previstas mais duas derivações do tipo crossover e SUV, justamente as carrocerias que mais vendem no mundo.

800 V e mais de 800 km de autonomia

A tensão do sistema elétrico sobe para 800 V, o dobro do que se vê nos BMW elétricos atuais nas nossas estradas. Com isso, a potência máxima de recarga pode praticamente dobrar dos atuais 205 kW para até 400 kW.

Há ainda um avanço relevante vindo das novas células cilíndricas de íons de lítio - com mais um quinto de densidade energética e mais 30% de potência de carregamento, segundo os engenheiros alemães. Elas são fundamentais para que a bateria receba energia suficiente para adicionar cerca de 309 km a 372 km de autonomia em aproximadamente 10 minutos.

Embora o sistema de 800 V traga essas vantagens, a grande bateria de 108,7 kWh (utilizáveis) do BMW iX3 também aceita recarga em 400 V.

Outro ponto decisivo em qualquer elétrico é a aerodinâmica: o coeficiente de arrasto (Cx) foi reduzido em cerca de 20% - agora é 0,24 -, o que se traduz em ganhos claros de desempenho e autonomia.

Nessa linha, a versão 50 xDrive anuncia um alcance máximo de 805 km (números provisórios) com a bateria cheia. O consumo médio, ainda dependente de homologação, fica entre 15,1 kWh/100 km e 17,9 kWh/100 km.

Por enquanto, o BMW iX3 50 xDrive é a única configuração oficialmente confirmada. Ele usa dois motores elétricos (dianteiro assíncrono e traseiro síncrono), somando 345 kW (469 cv) de potência, além de 645 Nm de torque máximo.

O motor traseiro trabalha com maior eficiência - 240 kW (326 cv) e 435 Nm contra 123 kW (167) cv e 255 Nm -, o que aponta para um comportamento com predominância do eixo traseiro, como se espera de BMW de porte médio e grande.

Com esse rendimento expressivo, o desempenho faz jus a um SUV esportivo, apesar das 2,3 toneladas desta versão: 0 a 100 km/h em 4,9s e velocidade máxima de 210 km/h.

Entre os quatro “super-cérebros” da arquitetura eletrônica da Neue Klasse, o Heart of Joy (Coração da alegria, numa tradução ousada) cuida do trem de força e do gerenciamento da dinâmica do veículo. Ele responde por funções de transmissão, freios, recuperação de energia e direção, processando dados até 10 vezes mais rápido do que unidades de controle convencionais.

A BMW afirma ter feito o máximo para que cada ação no acelerador, no pedal de freio e na direção seja entregue de maneira muito direta, com segurança e precisão.

E sustenta que, no uso diário, 98% das manobras de frenagem poderão ser realizadas apenas com recuperação de energia - ou seja, sem acionar os freios por atrito (ainda assim, há discos ventilados nas quatro rodas).

Espaço e tecnologia digital

Por fora, chamam atenção os “rins” verticais da grade dianteira, esculpidos para remeter aos BMW dos anos 60. A nova assinatura luminosa passa a exercer um papel que antes era dos frisos cromados; e, na lateral, destacam-se as amplas áreas envidraçadas e as maçanetas embutidas e alinhadas à carroceria.

Com entre-eixos de praticamente 2,9 m, o interior acomoda cinco adultos com facilidade, sem grandes concessões. O porta-malas comporta de 520 litros a 1750 litros, e ainda há 58 litros adicionais sob o capô dianteiro.

No habitáculo de proposta minimalista, o painel recebe iluminação de fundo, adota revestimentos em tecido e é dominado por uma central multimídia de quase 15″. À esquerda dela, o novo volante aparece cheio de módulos de comando.

Como era de esperar, a BMW também mira uma nova geração de usuários ao introduzir um sistema operacional inédito a bordo. O conhecido iDrive sai de cena, assim como os controles tradicionais. O destaque técnico fica com o novo Panoramic iDrive: uma faixa digital que atravessa toda a largura da base do para-brisa e exibe, para todos os ocupantes, uma ampla variedade de informações.

Só que essa faixa na parte inferior do para-brisa é apenas o lado visível das mudanças. O conceito de telas e operação se apoia numa nova arquitetura eletrônica chamada “Sistema Operativo X”, baseada em Android. Essa solução não apenas deve facilitar a integração de apps de terceiros (como streaming de filmes e jogos), como também promete ajudar a manter o sistema sempre atualizado, independentemente do veículo e da plataforma.

Acima do BMW Panoramic iDrive, o Head-Up Display 3D (se especificado) agora também pode apresentar telas integradas de navegação e de condução automatizada na estrada, com profundidade espacial.

Posicionamento “por cima”

Naturalmente, uma das questões mais sensíveis para marcas premium à medida que entramos mais fundo na era dos carros exclusivamente elétricos é o preço pelo qual esses produtos conseguem ser vendidos.

O novo BMW iX3 50 xDrive tem chegada a Portugal prevista para a primavera do ano que vem. Ele será comercializado acima de 70 000 euros - e, mais adiante, virá uma versão menos potente e mais acessível. Com isso, terá desafios relevantes para se impor diante de uma concorrência liderada pelo Tesla Model Y e pelo contingente chinês, cujos preços são 30- 50% inferiores.

Especificações técnicas


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