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Projeto FACS: cockpit do futuro para veículos comerciais leves

Van branca com porta lateral aberta, mostrando interior com equipamento de tecnologia, exposta em salão.

O projeto FACS (Future Automotive Cockpit & Storage), criado em Portugal, foi pensado para desenvolver o cockpit do futuro voltado a veículos comerciais leves, antecipando tendências que vêm moldando a indústria automotiva em digitalização, conectividade e direção autônoma.

Essa transformação, porém, não tem aparecido com a mesma força nos veículos comerciais quando comparada aos automóveis de passeio - segmento em que os interiores passaram por uma verdadeira revolução nos últimos anos.

Dentro desse cenário, o FACS tornou possível idealizar, desenvolver e agora demonstrar como esse futuro pode ser aplicado ao interior de veículos comerciais e de que forma isso pode influenciar sua arquitetura, além de abrir espaço para novos módulos capazes de atender às necessidades de quem os utiliza.

Os resultados práticos do projeto foram apresentados em 27 de outubro, em Oliveira de Azeméis, e são, no mínimo, animadores - como é possível conferir no vídeo mencionado a seguir.

Protótipo Peugeot Boxer com cockpit digital

Mesmo com todas as soluções concebidas pensando em uma industrialização viável e relativamente rápida, ainda se trata de um protótipo. Ainda assim, o que se vê é uma Peugeot Boxer com um interior radicalmente diferente do que existe hoje.

Logo de cara, o destaque vai para as telas, que passam a dominar o ambiente. O painel de instrumentos de 20″ é totalmente digital e trabalha em conjunto com uma tela central sensível ao toque de 13″ dedicada ao infoentretenimento.

Os retrovisores também deram lugar a câmeras: as imagens aparecem no painel de instrumentos e ainda em um “retrovisor” digital central - que, na prática, é outra tela.

Considerando a evolução do setor rumo à direção autônoma, o cockpit também foi desenhado para essa realidade futura (com foco nos níveis 3 e 4). Por isso, o conjunto inclui um volante retrátil, o que ajuda a explicar por que sua parte superior é achatada.

Modularidade do painel e soluções de armazenamento

Outro ponto central do projeto é o caráter modular do painel e a quantidade de compartimentos de armazenamento, pensados para diferentes rotinas profissionais. Há, por exemplo, módulos intercambiáveis capazes de assumir funções variadas - de um módulo refrigerado para bebidas e alimentos até um módulo por indução.

Além disso, o projeto prevê espaços dedicados a itens específicos, como o identificador da Via Verde.

Por fim, o painel da porta também foi redesenhado do zero para ampliar sua capacidade de funcionar como uma área de armazenamento versátil. A atenção aos detalhes aparece, por exemplo, no compartimento específico para guardar o triângulo de sinalização.

O papel de cada parceiro

O FACS foi idealizado e liderado pela empresa portuguesa Simoldes Plásticos (um dos maiores fornecedores de componentes plásticos para o setor automotivo) e contou com cofinanciamento do programa de incentivos Portugal 2020, por meio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Além de promover e coordenar o projeto, a Simoldes Plásticos também participou do desenvolvimento do produto e atuou como especialista técnico e industrial, definindo a arquitetura do cockpit.

O CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento ficou encarregado de desenvolver os componentes do cockpit em conjunto com a Simoldes Plásticos, indo do design em computador à engenharia das peças, passando pela criação de protótipos físicos e virtuais.

Outras organizações também estiveram ligadas ao trabalho. O Grupo Stellantis, por meio da Direção de Pesquisa e Engenharia Avançada, forneceu orientação técnica e determinou a engenharia do produto.

Já os impactos dessa evolução no processo produtivo e na cadeia logística foram analisados pela unidade de produção da Stellantis em Mangualde, que também estudou soluções de industrialização baseadas nos princípios da Indústria 4.0.

Por fim, a ESAD-IDEA, centro de pesquisa da Escola Superior de Artes e Design, ficou responsável tanto por coletar a experiência de quem usa um veículo comercial no dia a dia quanto por propor soluções de design para o “cockpit do futuro”.

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