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Maserati e Alfa Romeo planejam super-GT de edição limitada com caixa manual

Carro esportivo vermelho Maserati Super GT 24 exibido em ambiente interno com piso espelhado.

Maserati e Alfa Romeo devem voltar a dividir esforços - agora com a missão de criar um super-GT que vai dar origem a dois modelos inéditos, um para cada marca, ambos de tiragem limitada. A proposta, ao que tudo indica, mira uma condução mais analógica e uma conexão direta com a tradição mecânica italiana - e a chance de haver caixa manual é considerada alta.

Esse cenário ganha força a partir do que disse Davide Danesin, diretor de engenharia da Maserati, em entrevista à Autocar durante a última edição do Goodwood Festival of Speed: “há clientes que continuam à procura de automóveis puramente mecânicos”.

“Uma caixa manual é uma oportunidade. Não vejo isso em modelos de grande produção, mas porque não fazer um modelo especial com caixa manual? Não há razão para dizer nunca. Poderá ser a escolha certa para uma edição limitada de um carro.”
Davide Danesin, diretor de engenharia da Maserati

Se realmente sair do papel, esse retorno à “essência italiana” representaria uma ruptura dentro da atual geração de produtos da Stellantis. Danesin ainda reforçou que, do ponto de vista técnico, é possível - e que a ideia combina com um carro pensado para puristas. “Cumpre perfeitamente com o espírito da marca”, afirmou.

Base GranTurismo

O projeto segue em avaliação, mas a intenção é resultar em dois carros diferentes compartilhando a mesma base técnica, que tudo aponta ser a do Maserati GranTurismo.

Com isso, o mais provável é vermos um cupê (ou conversível) de motor dianteiro, usando o mesmo Nettuno: um V6 3,0 litros biturbo com tecnologia de pré-câmara de combustão inspirada na Fórmula 1.

É justamente essa solução técnica que permite à Maserati manter o MCPura à venda somente com motor a combustão, sem eletrificação e sem restrições de potência, e ainda assim atender à futura norma Euro 7.

Só que, nesse super-GT, o Nettuno deve entregar bem mais do que os 557 cv do GranTurismo. E há indícios de que pode até ultrapassar os 630 cv que ele rende no MC20 - ou melhor, no McPura.

Um GT com exclusividade garantida

Caso receba sinal verde para virar realidade, a produção desse novo GT deve acontecer em Modena, no “coração do Motor Valley”, como destacou Santo Ficili - executivo responsável pelas duas marcas italianas - também em conversa com a Autocar. Na prática, seria um “retorno para casa” que sublinha o vínculo entre Maserati e Alfa Romeo.

A parceria mais recente entre as duas marcas se refletiu no Alfa Romeo 33 Stradale e no Maserati MC20, mas, olhando para trás, não foi a única colaboração.

Também em Modena surgiram carros como o Alfa Romeo 8C Competizione, por exemplo, desenvolvido sobre a base do antigo Maserati GranTurismo. E foi ali, ainda, que o Alfa Romeo 4C foi produzido.

Quando chega?

Ficili confirmou o interesse em retomar colaborações entre Maserati e Alfa Romeo em projetos de edição limitada, como esse super-GT. Esse tipo de programa, segundo a lógica do projeto, abre espaço para mais liberdade criativa e para uma ligação emocional mais forte com a herança das duas marcas.

Ainda não há um cronograma divulgado, mas esse par de super-GT pode aparecer antes do que se imagina. Um dos motivos é simbólico: em 2026, comemoram-se os 100 anos do Maserati Tipo 26, carro de competição que também foi o primeiro modelo da história da marca do tridente.

No ano seguinte, a Alfa Romeo lançaria o 6C 1500, um automóvel que acabou marcando a identidade da marca naquela fase, com legado importante tanto nas pistas quanto nas ruas.

Essa coincidência histórica dá ainda mais peso à hipótese de um super-GT exclusivo, de produção extremamente limitada, voltado para colecionadores.

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