As conversas entre a União Europeia (UE) e os EUA seguem em ritmo acelerado. Dentro do acordo comercial negociado entre os dois blocos, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para eliminar as tarifas sobre bens industriais importados do país norte-americano, na expectativa de receber em troca cortes nas taxas aplicadas aos automóveis europeus (fonte: Automotive News).
No fim do mês passado, UE e EUA já haviam anunciado um entendimento que fixava tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, incluindo automóveis.
Tarifas sobre bens industriais e automóveis da UE: o que muda
Ficou acordado, porém, que a redução das tarifas para automóveis e componentes só ocorreria depois que Bruxelas formalizasse uma proposta legislativa para derrubar as tarifas sobre produtos industriais norte-americanos.
Com o texto legislativo agora divulgado, a expectativa é que os cortes tarifários passem a valer a partir do primeiro dia do mês em que a proposta foi apresentada - isto é, 1 de agosto -, o que implica efeito retroativo.
Situação atual das tarifas e exceções (aço e alumínio)
Vale lembrar que, desde março, os EUA cobram tarifas adicionais de 25% sobre automóveis da UE, somadas às taxas usuais, que se adicionam à tarifa já existente de 2,5% (27,5% no total).
Mesmo com esses avanços, a proposta legislativa da UE ainda precisa ser aprovada pela maioria dos Estados-membros e pelo Parlamento Europeu, o que pode levar várias semanas. Já o aço e o alumínio seguem submetidos a uma taxa de 50%.
Acordo assimétrico entre UE e EUA?
Embora a UE tenha apresentado o acordo como um caminho para evitar uma guerra comercial - o presidente norte-americano, Donald Trump, estava prestes a aplicar tarifas adicionais de 30% sobre quase todos os produtos europeus importados pelos EUA -, o entendimento ainda é considerado assimétrico.
Na prática, a UE abre seus mercados, zera tarifas sobre bens industriais, assume o compromisso de comprar energia e armamentos norte-americanos e prometeu investir 600 bilhões de dólares (514 bilhões de euros). Do lado dos EUA, as tarifas já em vigor continuam praticamente inalteradas, atingindo cerca de 70% do valor das exportações europeias.
Apesar do novo acordo, Trump mantém uma leitura crítica sobre a relação comercial entre os dois blocos. Em fevereiro, acusou a União Europeia de ter sido criada “para enganar os EUA”. Uma queixa recorrente do presidente é o déficit comercial: em 2024, os EUA registraram um saldo negativo de 235 bilhões de dólares (201 bilhões de euros) no comércio com a UE.
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