A partir desta semana, passam a valer na Inglaterra e no País de Gales regras bem mais rígidas para tutores de cães durante passeios - sobretudo no campo.
Quem gosta de caminhar com o cão por prados, trilhas rurais e caminhos costeiros na Inglaterra ou no País de Gales precisa se preparar para uma postura bem mais dura. Uma nova lei ajusta vários pontos e torna infrações envolvendo cães perto de animais de criação mais caras e mais problemáticas do que nunca.
O que muda de forma radical nos passeios com cães
Desde quarta-feira, 18 de março de 2026, está em vigor na Inglaterra e no País de Gales o Dogs (Protection of Livestock) (Amendment) Act 2025. Com isso, o governo do Partido Trabalhista atualiza uma lei dos anos 1950 - uma época em que havia muito menos cães, carros e turismo de lazer.
O ponto central: qualquer cão que persiga ou perturbe animais de criação pode colocar o tutor em sérios problemas legais - mesmo sem mordida.
As regras afetam principalmente passeios em áreas rurais, mas também vias e estradas que passam ao lado de campos. A novidade não é só a abrangência, e sim a dureza das punições possíveis. O antigo teto de multa foi removido por completo.
Basta correr atrás: quando um cão “perturba animais de criação”
Um trecho tem causado estranhamento em muitos tutores: o cão nem precisa encostar na ovelha, na vaca ou na cabra. Basta que persiga, invada o rebanho ou provoque alvoroço.
O governo descreve assim: não é necessário haver contato físico para ocorrer violação. Comportamentos de caça ou de perturbação já podem causar danos - como estresse, ferimentos durante a fuga ou abortos em animais prenhes.
Ou seja, o que pesa não é se houve mordida, e sim se o cão “perturbou” os animais. Entram aí situações comuns como:
- O cão dispara em direção a um rebanho de ovelhas “só para brincar”
- Um cão late repetidamente ao longo de uma cerca e faz os animais se moverem
- Um cão corre por um campo cercado enquanto os animais desviam em pânico
- O cão atravessa um pasto para chegar a um córrego ou a um caminho do outro lado
O que pode parecer inofensivo para o tutor pode ter consequências graves para ovelhas ou vacas prenhes. É exatamente aí que a nova lei aperta: o limite entre “não aconteceu nada” e uma infração penal ficou muito mais baixo.
Novo alcance: não apenas campos, mas também caminhos e espécies incomuns
O escopo das regras é maior do que muita gente imagina. As mudanças não se aplicam mais apenas a lavouras e pastagens “clássicas”.
Agora também entram:
- caminhos e trilhas que passam diretamente ao lado de campos
- estradas rurais ao longo de áreas de pasto
- fazendas e áreas com os chamados camelídeos, isto é, lhamas e alpacas
- propriedades mistas com raças de produção mais raras
Assim, quem costuma passar pelo trajeto favorito de fim de semana ao lado de uma fazenda de alpacas, ou planeja caminhar por trechos com pasto de vacas, está totalmente dentro do alcance da lei.
Multas sem limite: o que tutores de cães passam a arriscar
Antes, o limite máximo de multa era de 1.000 libras. Esse teto foi eliminado sem substituição. O tribunal pode definir uma penalidade conforme a gravidade do episódio e a situação econômica do tutor - sem limite superior.
A multa pode, em teoria, chegar a dezenas de milhares se houver prejuízo maior a um rebanho ou se o tutor tiver agido com descuido significativo.
Além disso, podem surgir outras consequências:
- obrigação de pagar os custos de captura e acomodação do cão
- assumir despesas veterinárias ou perdas relacionadas a animais prenhes
- determinações que restrinjam a forma de manter o cão
- consequências criminais em casos especialmente graves
Também são novas as amplas competências atribuídas à polícia. Em certas condições, ela pode entrar em propriedades, apreender cães e recolher amostras para impedir reincidências. Na prática, isso significa que ignorar alertas pode resultar rapidamente em visita de agentes.
O que a nova lei muda nos passeios em família
Apesar do tom duro, governo e autoridades afirmam que não querem afastar famílias da natureza. Passeios com crianças e cães continuam sendo bem-vindos - desde que ocorram com responsabilidade.
A mensagem é clara: a paisagem deve permanecer acessível, mas os animais de criação têm prioridade sobre a “vontade de liberdade” de quatro patas.
No dia a dia, isso se traduz em:
- colocar a guia com antecedência assim que animais de criação aparecerem no campo de visão
- orientar as crianças desde cedo de que “só correr atrás uma vez” não é uma boa ideia
- usar os caminhos e evitar cortar por dentro de prados com animais
- levar a sério placas de alerta de agricultores e autoridades locais
Um ponto relevante para tutores responsáveis: existe uma nova salvaguarda quando o cão foi parar em mãos de terceiros sem consentimento. Se o animal tiver sido, por exemplo, roubado, ou se alguém levar o cão para passear sem permissão, o tutor não responde automaticamente pelo ocorrido. A intenção é proteger pessoas que, de outro modo, teriam medo de situações fora do seu controle.
Por que a Grã-Bretanha está levando o tema tão a sério
O endurecimento tem um motivo concreto. Em regiões rurais, há anos se acumulam relatos de ovelhas mortas, bezerros feridos e abortos provocados por estresse após ataques ou perseguições de cães. Para pequenas propriedades, perder vários animais pode ameaçar a sobrevivência do negócio.
Ao mesmo tempo, cresce o número de cães e de passeios de lazer em áreas verdes. Muitos recém-chegados ao campo conhecem pouco a rotina da agricultura. Daí surge um conflito que o governo quer reduzir com regras claras: quem usa a paisagem assume corresponsabilidade pelos animais que vivem ali e sustentam o trabalho e a renda de muitas famílias.
Lições para tutores de cães na Alemanha, Áustria e Suíça
As novas normas valem apenas para a Inglaterra e o País de Gales. Ainda assim, para tutores em países de língua alemã, elas dão um recado forte sobre o que costuma ser tolerado em prados e campos - e o que não é. Também por lá, tutores já respondem hoje por danos causados por seus cães, e em alguns estados existem regras semelhantes, como obrigação de guia durante a época de reprodução e criação.
Quem pretende viajar com o cão para a Grã-Bretanha deve se informar antes sobre normas locais. Em trilhas longas conhecidas ou em trechos costeiros com pastos de ovelhas, uma infração pode sair muito cara. Por isso, uma guia resistente, com comprimento adequado, e um peitoral bem ajustado devem entrar na bagagem.
Dicas práticas: como manter o cão tranquilo perto de animais de criação
Proibições, sozinhas, raramente resolvem. Quem quiser preparar melhor o cão pode conseguir muito com passos simples de treino:
- Fortalecer o “volta aqui”: praticar diariamente, primeiro sem distrações e depois perto de animais - sempre com guia.
- Recompensar a calma: se o cão olha rapidamente para as ovelhas e volta a atenção ao tutor, ganha um petisco.
- Manter distância: melhor caminhar alguns metros mais afastado ao longo da cerca do que passar colado ao rebanho.
- Construir um comportamento alternativo: por exemplo, “junto” assim que os animais aparecerem.
Quem não se sente seguro pode procurar uma escola de adestramento focada em situações do cotidiano no campo. Instrutoras e instrutores frequentemente simulam exatamente os momentos que depois se tornam críticos durante os passeios.
Termos explicados rapidamente: “livestock”, camelídeos e afins
O termo “livestock” na lei se refere a animais de produção e de pasto ligados à atividade agropecuária. Exemplos clássicos são ovelhas, bovinos, cabras e porcos. A novidade é a inclusão dos chamados camelídeos: lhamas, alpacas e espécies semelhantes, cada vez mais presentes em pequenas propriedades ou como atração turística.
Para os cães, na prática, a espécie exata pouco importa. O que importa é o contexto: se o cão estiver perto de animais de produção, a guia deve estar colocada. Isso reduz o estresse para os animais e para o tutor - e, no caso da Inglaterra e do País de Gales, diminui o risco de uma multa pesada.
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