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Audi A5 e-hybrid: teste de consumo em 306 km na Andaluzia

Carro Audi A5 Hybrid branco estacionado em área externa com parede ao fundo.

A nova Audi A5 passa a ocupar, ao mesmo tempo, o espaço deixado pelas antigas A4 e A5. Mais versátil do que antes, a família agora ganha o reforço de uma variante híbrida plug-in. Segundo a Audi, o carro entrega “o melhor dos dois mundos”, combinando propulsão elétrica e motor a combustão. Fomos conferir isso na prática.

“Glaglagla…” A França encarou um fim de semana congelante, e aquele sábado, 22 de novembro, foi inclusive o dia mais frio do ano depois de 14 de janeiro. Então por que não buscar um pouco do sol da Andaluzia, ao menos durante esta leitura? Nosso companheiro de viagem será a Audi A5 e-hybrid, completamente atualizada. A missão: registrar a menor média de consumo possível em um trajeto de 306 km… e, de quebra, aproveitar os cenários impressionantes.

Às nove da manhã, o termômetro já marca 24°C. Partimos do hotel Finca La Bobadilla, no meio do interior andaluz ao norte de Málaga. Uma checagem rápida no carro e seguimos viagem em modo Eficiência, naturalmente. A carroceria preta sai em silêncio, apenas no elétrico, indicando 92 km de autonomia com zero emissões. O caminho de saída do complexo não exige muito, mas já deixa claras algumas primeiras sacudidas.

Uma Audi A5 firme, mas tranquila em alta velocidade

Nosso exemplar, em acabamento S line, traz chassi rebaixado e rodas de 19 polegadas - combinação que não prometia exatamente maciez, ainda mais sem suspensão adaptativa. No geral, não chega a ser intolerável, mas os quebra-molas mais agressivos são vencidos com certa dureza. E, no asfalto irregular das autovias locais, as respostas das molas permanecem pouco complacentes. Com acerto mais seco, esta A5 não está entre as mais confortáveis, e a coluna agradeceria por um pouco mais de filtro se pudesse opinar.

Por outro lado, a estabilidade em linha reta é irrepreensível, e o bom trabalho de isolamento acústico ajuda a devorar quilômetros sem cansaço. Do lado de fora, o olhar se perde nas paisagens típicas da região, alternando continuamente entre áreas áridas em tons ocres e trechos cultivados. Quanto ao desafio de consumo, há um aliado importante: integrado ao GPS, o sistema híbrido administra cuidadosamente quando rodar no elétrico conforme a topografia do percurso.

Uma regeneração inteligente

A regeneração varia em intensidade para respeitar limites de velocidade e manter distâncias de segurança em relação aos demais veículos. Isso ajuda a recarregar de forma eficiente a bateria de 20,7 kWh. A Audi também fala em até 88 kW recuperados por regeneração. Além disso, dicas de direção econômica sugerem aliviar o acelerador ao se aproximar de uma rotatória, do topo de uma subida ou da entrada de uma área urbana.

E é justamente em zona urbana que a história avança quando entramos no belíssimo vilarejo branco de Overo para uma sessão de fotos. A arquitetura vale cada minuto, mas circular pelas ruelas estreitas de pedra não é exatamente simples: a A5 é larga, com 2,10 m (incluindo retrovisores). Dá para entender por que os moradores preferem compactos. Ainda assim, o diâmetro de giro parece adequado para um carro de 4,83 m, enquanto o motor a combustão permanece quase sempre “adormecido”, deixando as manobras mais suaves.

Mesmo assim, os 143 cv do motor elétrico dão conta de subidas fortes sem acordar os cilindros. Um alívio - e um convite para admirar, ao mesmo tempo, as fachadas brancas impecáveis.

Uma Audi A5 muito digital

Em ruas apertadas, sensores entram em alerta, câmeras trabalham sem parar e o pedal do freio é usado com frequência nas manobras. Depois de alguns momentos tensos em passagens onde não havia como dois carros se cruzarem, escapamos do pequeno labirinto e chegamos à parada do almoço, no restaurante Finca la Fuensanta.

A dieta ficou para depois: a refeição foi generosa, e aproveitamos a pausa para observar o interior da alemã com calma. Com três telas dominando a parte dianteira, a atmosfera a bordo é claramente moderna.

Dois displays curvos de 11,9 e 14,5 polegadas envolvem o posto de condução. Os gráficos são bem definidos, embora as cores pareçam um pouco apagadas. O passageiro da frente pode contar ainda com uma tela opcional de 10,9 polegadas - perfeita para se empolgar com karaokê na música favorita. Ai, os ouvidos… Há também uma pequena “dor” ao se acostumar com a interface: ela é completa, mas um tanto complicada, especialmente por manter os comandos de ventilação dentro da tela.

Uma qualidade de acabamento irregular

Outro ponto que pode levantar sobrancelhas é a qualidade de construção, que recuou um pouco em relação aos modelos anteriores. É verdade que a base era alta, mas a expectativa natural é de evolução a cada geração. Aqui, isso não se confirma totalmente: o material emborrachado no painel é mais fino do que se gostaria, e plásticos rígidos aparecem cedo na parte inferior. O forro dos porta-objetos nas portas também é discreto demais para esta configuração vendida por exatos 81 286 €.

Tudo desandou? Nem tanto. Alguns fundamentos continuam firmes, como os encaixes bem feitos, bancos agradáveis ao toque, bons revestimentos em Alcantara e o som abafado ao fechar as portas. O espaço interno é bom no geral, embora o passageiro do meio no banco traseiro precise lidar com um volumoso túnel central.

O porta-malas é acessado por uma prática tampa traseira, mas entrega um volume relativamente modesto de 331 l, semelhante ao de um compacto. Para quem precisa de mais capacidade, as versões apenas a combustão, com 417 l, fazem mais sentido.

Uma Audi A5 particularmente ágil

Não vá embora. Se até aqui a Audi A5 apresentou um balanço com altos e baixos, o sedã se redime quando o assunto é dinâmica. Chega de apertos em baixa velocidade: a estrada abre, e uma bela via secundária cercada por campos de cítricos aparece no caminho.

Com asfalto melhor do que no trecho anterior, as irregularidades deixam de incomodar, e o traçado sinuoso evidencia o equilíbrio do chassi. A tração integral Quattro adia com eficiência o subesterço e fortalece a confiança em curvas.

Suspensão firme e centro de gravidade mais baixo naturalmente reduzem a rolagem da carroceria. Já o pedal de freio é mais difícil de modular, sobretudo quando o carro alterna entre frenagem regenerativa e frenagem por atrito. Por sorte, o nosso desafio pede exatamente o oposto: usar o mínimo possível as pastilhas para favorecer a regeneração. A marca afirma que o motor elétrico responde por mais de 90% das desacelerações. Então, nada de encostar no pedal da esquerda!

Um consumo bastante satisfatório

Mesmo com todo o cuidado, a bateria começa a dar sinais de cansaço: o indicador entra no vermelho e a autonomia elétrica encolhe drasticamente. O motor a combustão passa a ligar com mais frequência, e os momentos em modo elétrico ficam cada vez mais raros.

Seria o fim? A gasolina realmente começa a pesar mais no consumo, mas o conforto permanece, já que as transições continuam discretas. O motor a gasolina é muito silencioso, e o câmbio S tronic opera com suavidade. Sem uma bateria cheia para ajudar, só as acelerações perdem um pouco do brilho.

Nessas condições, a Audi A5 se comporta como uma híbrida plena. E que híbrida: os 252 cv do 2.0 TFSI seguem mais do que suficientes para fazer os radares “trabalharem”. Vale ficar atento, ainda mais porque os limites de velocidade mudam com frequência por ali. Depois de 120 km em estradas secundárias, chegamos perto de Sevilha com a bateria quase zerada. Os últimos quilômetros urbanos ainda acontecem majoritariamente no elétrico, mas já não é possível forçar manualmente o modo EV.

Rufem os tambores… Após 306 km, nosso consumo final foi de 3,1 l/100 km. Impressionante. Antes de comemorar com um flamenco, convém lembrar: esse ótimo número foi viabilizado por uma bateria cheia na largada e por uma condução econômica durante todo o percurso. Em uso mais comum, é muito provável que o resultado seja maior. Afinal, quem quer antecipar cada subida, calcular cada cruzamento, cronometrar cada semáforo e ainda prever o que os outros motoristas farão? Dirigir assim exige um nível de atenção que pode virar frustração justamente quando a paisagem pede contemplação…

Nossa opinião sobre a Audi A5 híbrida plug-in

A Audi entrega uma solução híbrida plug-in tão consistente na teoria quanto no mundo real. Na A5, a fórmula funciona com boa autonomia elétrica e consumo controlado. Mesmo com algumas concessões na qualidade de acabamento, o sedã híbrido plug-in segue sendo um produto sólido - com apelo especial para frotas corporativas.

Ainda assim, seria desejável uma calibração de suspensão mais macia e uma lista de itens de série um pouco mais generosa, considerando o preço.

Audi A5 e-hybrid S line

69 500 €

Verdict

7.5/10

Gostamos

  • Consumo contido
  • Habitáculo silencioso
  • Boa eficiência em curvas…

Gostamos menos

  • …mas sem muita emoção
  • Suspensão seca
  • Acabamento irregular

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