Este teste foi publicado pela primeira vez na Edição 170 da revista Top Gear (2007).
A fixação do Japão por carros tão “quadradões” que fazem um engarrafamento parecer uma partida gigante de Tetris começa, aos poucos, a criar um público menor (mas não menos empenhado) aqui no Reino Unido. Cada vez mais, esses modelos meio fora da curva estão a ser importados como alternativas descoladas ao que se vê no mainstream.
Depois de o caminho ter sido aberto por carros como Suzuki Wagon R e Nissan Cube, chegou a vez da Daihatsu entrar na onda - só que com uma pitada subtil de hot rod dos anos 1950 misturada ao visual.
Estilo e presença
O efeito desse desenho é óbvio à primeira vista. Quando o Materia apareceu no escritório da TG, houve muito mais gente a espreitar pela janela do que quando o novo Ford Mondeo deu as caras por lá recentemente.
Para situar: o Materia tem mais ou menos o porte de um Nissan Note e encaixa naquele nicho sempre crescente de “supermini” com jeito de monovolume (MPV). Portanto, não é exatamente chocante descobrir que espaço interno e praticidade foram tratados como prioridades.
Espaço e praticidade no interior do Daihatsu Materia
O banco traseiro rebate com facilidade e fica plano, formando uma espécie de cama - ao que dizem (embora, para caber, provavelmente teria de ser no “padrão japonês”). Além disso, todo o banco traseiro desliza para a frente e para trás, permitindo escolher entre mais espaço para bagagem ou mais espaço para as pernas. E mesmo no ajuste mais avançado, ainda sobra uma boa folga para quem vai atrás.
O restante do interior é aceitável. O painel mistura muitos tipos diferentes de plástico, mas pelo menos o rádio é uma unidade de fábrica, bem integrada. E a Daihatsu tentou dar um ar mais “funky” ao ambiente, para que o lado de dentro não pareça demasiado desalinhado com a ousadia do lado de fora.
Na estrada: diversão acima de tudo
Mas é na rua que esses Daihatsu baratos costumam surpreender. Não porque sejam particularmente refinados (ainda que o Materia se comporte de forma decente na autoestrada), nem porque sejam especialmente rápidos (apesar de 0–100 km/h em 10,8 segundos ser um tempo perfeitamente respeitável). Eles impressionam mesmo é por serem divertidos de conduzir.
A suspensão é um pouco firme demais, mas dá para guiar este carro “nas maçanetas” em praticamente todo lugar. É uma diversão simples: entra forte na curva, deixa a carroçaria inclinar e assentar, e depois é só acelerar. Rotundas urbanas comuns viram um pequeno momento de prazer.
Concorrentes e posicionamento
O desafio do Materia, contudo, está nos rivais. O Mitsubishi i tem ido tão bem porque entrega uma alternativa de verdade - algo genuinamente diferente de muitos city cars europeus. Já o Daihatsu Materia não foge tanto assim, em conceito, de carros como o próprio Note.
E, quando aparece um modelo com imagem de marca melhor, interior de qualidade superior e ainda a opção de motor a diesel, o argumento a favor do Materia começa a ficar mais frágil. Ainda que continue a ser uma escolha sensata.
Veredicto: mais um “funk-box” japonês que provavelmente não vai vender em números gigantes, mas que até merece.
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